Dermatite atópica e alergia alimentar | AAP 2026

Fonte: aap experience 2026

Dermatite atópica: tratar a pele, não a dieta, e pensar em dermatite de contato quando o eczema não responde Eczema e dieta: por que excluir alimentos pode criar alergia Por Drª Jasmin Pacheco (CRM 521291114), Drª Maria Paula Aquino (CRM 521285629) e equipe NeoPed HUB. Em resumo: no quarto dia do AAP Experience 2026, em San Diego, em 5 de outubro, a aula sobre alergias cutâneas em pediatria reforçou que o alimento raramente é a causa da dermatite atópica e que dietas de exclusão podem induzir alergia grave. Em uma revisão de 298 crianças que deixaram de comer alimentos antes tolerados para tratar o eczema, 19% tiveram reação IgE-mediada aguda na reintrodução, e 30% dessas reações foram anafilaxia. Dieta de exclusão ajuda na dermatite atópica? Em pacientes não selecionados, excluir alimentos não traz benefício. O risco aparece na volta: ao perder o contato regular com um alimento que já tolerava, a criança pode deixar de tolerá-lo. Na revisão citada na aula, quase 1 em cada 5 crianças reagiu na reintrodução, e quase um terço dessas reações foi anafilaxia. Por que a pele lesada favorece a alergia? A aula resumiu a ideia em uma frase: “pela pele, a alergia começa; pela dieta, a alergia se aquieta”. A exposição a alérgenos através de uma barreira cutânea lesada sensibiliza, enquanto a exposição oral promove tolerância. O Staphylococcus aureus participa ativamente da doença, com supercolonização em até 90% dos casos moderados a graves. Como montar o plano de ação da dermatite atópica? Crise: corticoide tópico. Manutenção: tratamento tópico não esteroide com hidratante. Sinal para escalonar: precisar de corticoide por mais de 2 semanas no mês. Pele pigmentada: o eritema fica oculto, então é preciso palpar as lesões e examinar com boa iluminação. Quando pensar em dermatite de contato? Quando o eczema não responde ao tratamento. A dermatite perineal alérgica causada por lenços umedecidos e fraldas é subnotificada, e a dermatite de contato alérgica pode imitar celulite ou fasceíte. O teste de contato é o padrão-ouro. No consultório, o teste da dimetilglioxima detecta níquel em objetos do dia a dia. Urticária precisa de investigação extensa? Na maioria das vezes, não. A lesão IgE-mediada é fugaz. A urticária crônica espontânea, com 6 semanas ou mais de duração, raramente tem causa identificável, e uma investigação extensa rende pouco. O que muda no consultório Deixar a morfologia das lesões e a história clínica guiarem o diagnóstico. Evitar exclusões alimentares sem indicação. Tratar ativamente a inflamação, com plano de ação escrito. Considerar dermatite de contato quando o eczema não responde e encaminhar para teste de contato. Limitações O dado das 298 crianças vem de uma revisão retrospectiva. O critério de 2 semanas de corticoide por mês para escalonar e a abordagem da urticária foram apresentados como orientação dos palestrantes. Perguntas frequentes Criança com dermatite atópica deve fazer dieta de exclusão? Não sem indicação. Segundo a aula do AAP 2026, excluir alimentos em pacientes não selecionados não traz benefício e pode induzir alergia grave. Tirar um alimento da dieta pode causar alergia? Pode. Em uma revisão de 298 crianças que evitaram alimentos antes tolerados para tratar o eczema, 19% tiveram reação IgE-mediada aguda na reintrodução, e 30% dessas reações foram anafilaxia. Quando a dermatite atópica precisa de tratamento mais forte? Quando a criança precisa de corticoide tópico por mais de 2 semanas no mês, segundo os palestrantes. É o sinal para escalonar o tratamento. Como diagnosticar dermatite de contato na criança? O padrão-ouro é o teste de contato. No consultório, o teste da dimetilglioxima ajuda a identificar níquel em objetos. Fontes Aula “Pediatric Skin Allergies”, AAP Experience 2026: National Conference & Exhibition, San Diego, 5 de outubro de 2026 (anotações e slides). Chang A, Robison R, Cai M, Singh AM. Natural history of food-triggered atopic dermatitis and development of immediate reactions in children. J Allergy Clin Immunol Pract. 2016;4:229-236. Rustad A, Nickles M, Lio PA. Are We What We Eat? Practical Dermatology. 2021;May:42-46. O’Connor M, Lio P. Feeding the Skin? J Clin Aesthet Dermatol. 2026 (citado nos slides). Leia também: Dermatite atópica: potência do corticoide por área · Atualizações em pediatria: introdução precoce do amendoim e mais A aula completa, em vídeo, chega em breve.

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