Associação entre retinopatia da prematuridade e anormalidades cerebrais estruturais em RNPT

Fonte: The Journal of Pediatrics

Retinopatia da Prematuridade e Risco de Anormalidades Estruturais no Encéfalo em RN Prematuros ≤32 Semanas Avaliados por Ressonância Magnética na Idade de Termo Sobre o artigo  A retinopatia da prematuridade (ROP) é uma condição vasoproliferativa da retina que pode causar deficiência visual grave e cegueira. Além do impacto ocular, estudos recentes sugerem que a ROP, especialmente nas formas severas, está associada a desfechos neurodesenvolvimentais adversos. Este estudo teve como objetivo avaliar se há uma associação entre a presença de ROP e alterações estruturais cerebrais detectadas por ressonância magnética (RM) na idade equivalente ao termo, utilizando um escore validado (Kidokoro) em uma coorte regional de recém-nascidos prematuros. Métodos utilizados Estudo prospectivo com 395 recém-nascidos com idade gestacional ≤32 semanas, recrutados de cinco UTIs neonatais da região de Cincinnati (EUA) entre setembro de 2016 e novembro de 2019. Todos os pacientes foram submetidos à triagem e diagnóstico de ROP conforme diretrizes internacionais. Aos 39–44 semanas de idade pós-menstrual, foi realizada RM sem sedação, analisada por um único neurorradiologista utilizando o escore Kidokoro, que quantifica anormalidades cerebrais em 4 regiões: substância branca, córtex, núcleos da base e cerebelo. Modelos de regressão linear múltipla foram utilizados para investigar a associação entre ROP (qualquer grau e grave) e o escore global de anormalidade cerebral, ajustando para fatores de confusão. Resultados 33,9% (134/395) dos lactentes desenvolveram ROP; desses, 14,2% (19/134) apresentaram ROP grave.  A presença de qualquer ROP foi associada a um aumento de 1,5 pontos no escore global de anormalidade cerebral (IC 95%: 0,3–2,8).  A ROP grave associou-se a um aumento de 2,3 pontos (IC 95%: 0,1–4,5).  As alterações mais fortemente associadas à ROP foram encontradas no cerebelo e nos núcleos da base (deep gray matter).  Não houve associação significativa com anormalidades na substância branca ou córtex.  Resultados semelhantes foram encontrados na subanálise com lactentes <30 semanas de idade gestacional, com significância mantida apenas para ROP grave.  Discussão O estudo sugere que a ROP, especialmente em sua forma grave, está independentemente associada a anormalidades estruturais cerebrais difusas aos exames de RM na idade de termo. As regiões mais afetadas — cerebelo e núcleos da base — são conhecidas por sua importância no desenvolvimento neurocognitivo e visual. Três possíveis mecanismos fisiopatológicos comuns para ROP e lesão cerebral foram propostos: hiperóxia, deficiência de IGF-1 e inflamação sistêmica. Essas evidências reforçam a hipótese de que a ROP pode refletir um marcador de lesão cerebral difusa na prematuridade e não apenas uma condição oftalmológica isolada. Conclusão A ROP, especialmente em sua forma grave, está associada a anormalidades estruturais cerebrais aos exames de RM na idade de termo em lactentes prematuros. Essas alterações podem representar os correlatos estruturais das deficiências neurodesenvolvimentais observadas clinicamente. O estudo enfatiza a importância de investigar mecanismos patofisiológicos comuns à ROP e às lesões cerebrais da prematuridade, visando estratégias de prevenção e intervenção precoce. Insights clínicos Toda ROP está associada a lesão cerebral? Não necessariamente. O estudo encontrou associação significativa apenas para ROP grave nas análises restritas a RN com <30 semanas. Quais áreas cerebrais são mais afetadas pela ROP? Principalmente o cerebelo e os núcleos da base (deep gray matter). Existe relação entre ROP e lesão na substância branca? Não foi encontrada associação estatisticamente significativa entre ROP (qualquer grau) e alterações na substância branca. A gravidade da ROP influencia o grau de anormalidade cerebral? Sim. A ROP grave foi associada a escores mais altos de anormalidade cerebral, mesmo após ajuste para confundidores. Esses achados têm impacto clínico direto? Sim. A associação entre ROP e alterações cerebrais estruturais pode explicar déficits visuais e cognitivos observados em longo prazo, indicando a necessidade de vigilância e intervenção precoce em prematuros com ROP, sobretudo grave. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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