Monitorização terapêutica de infliximabe proativa e a durabilidade do tratamento na doença de Crohn pediátrica A monitorização terapêutica de infliximabe (TDM, do inglês therapeutic drug monitoring) proativa associou-se a uma durabilidade de tratamento de 96% em 1 ano e de 88% em 2 anos em crianças com doença de Crohn (DC). Em uma coorte australiana com 79 pacientes pediátricos, a necessidade de troca para outro biológico ocorreu em 9 casos, com mediana de tempo até a troca de 57 semanas. O fenótipo puramente colônico e a calprotectina fecal pós-indução acima de 305 µg/g comportaram-se como preditores independentes de falha terapêutica ao fármaco. A taxa de persistência ao infliximabe (IFX) com estratégia proativa atingiu 96% no primeiro ano e 88% aos 2 anos de seguimento em 79 pacientes com DC acompanhados na Austrália. O fenótipo de acometimento colônico isolado (L2) associou-se a maior risco de falha terapêutica ao IFX (odds ratio [OR] 9,7; intervalo de confiança de 95% [IC 95%] 2,1–43,7; p < 0,01). A necessidade de indução escalonada aumentou as chances de troca de biológico (OR 8,5; IC 95% 1,8–40,5; p = 0,01). A calprotectina fecal ao final da indução acima de 305 µg/g demonstrou sensibilidade de 100% e especificidade de 77,3% para predizer a falha ao tratamento em 2 anos. O escalonamento posológico foi necessário em 79,5% dos pacientes durante a fase de manutenção para manter os níveis séricos alvo, sendo que 40,3% desses conseguiram descalonamento posterior guiado por exames. Sobre o artigo Título original: Proactive therapeutic drug monitoring of infliximab leads to treatment durability in paediatric Crohn's disease: A single-centre Australian experience Autores: Cher Wei Chuah, Jessica Eldredge, Annabel Magoffin et al. Revista: JPGN Reports Ano: 2026 Tipo de estudo: Estudo de coorte retrospectivo unicêntrico DOI: 10.1002/jpr3.70208 Objetivo Avaliar a durabilidade e identificar os preditores clínicos e laboratoriais de perda de resposta ao infliximabe ao longo de 2 anos em crianças e adolescentes com doença de Crohn acompanhados com estratégia de monitorização terapêutica proativa. Métodos Trata-se de uma coorte retrospectiva realizada em centro único terciário no The Children's Hospital at Westmead (CHW), na Austrália. Foram incluídos pacientes pediátricos que iniciaram IFX entre 1º de janeiro de 2019 e 31 de dezembro de 2021, totalizando uma amostra de 79 pacientes. O protocolo local de monitorização terapêutica proativa mensurou os níveis séricos de IFX na semana 6 da indução (antes da terceira dose), na semana 14 (antes da quarta dose) e a cada 6 meses durante a manutenção. As metas de vale foram definidas em > 15 µg/mL na semana 6 e > 5 µg/mL na semana 14 e manutenção. O desfecho primário analisado foi a troca para um biológico de classe diferente ou da mesma classe, considerado marcador de falha terapêutica. Os desfechos secundários avaliaram a escala de Avaliação Global do Médico (PGA, do inglês physician global assessment), calprotectina fecal, albumina sérica e proteína C-reativa (PCR) na indução, ao término da indução, com 1 ano e com 2 anos. Principais resultados da monitorização terapêutica de infliximabe Dos 79 pacientes incluídos (62,0% do sexo masculino; mediana de idade no início do biológico de 13 anos [intervalo interquartil, IQR: 10–14]), 88,6% tinham comportamento não estenosante e não penetrante (B1), 64,6% apresentavam doença ileocolônica (L3) e 16,5% acometimento colônico isolado (L2). Durante a indução, 62,0% usavam metotrexato e 26,6% azatioprina; apenas 11,4% não receberam imunomodulador concomitante. A durabilidade do IFX sob monitorização proativa foi de 96% em 1 ano e de 88% aos 2 anos (descrita como 89% no texto corrido dos autores). No total, 9 pacientes necessitaram de troca de biológico (1 por não resposta primária, 7 por perda de resposta secundária e 1 por psoríase induzida por anti-TNF), com tempo mediano até a troca de 57 semanas (IQR: 38–75). A análise multivariada e univariada revelou fatores associados à falha do IFX: Fenótipo colônico (L2): OR 9,7 (IC 95%: 2,1–43,7; p < 0,01). Necessidade de indução escalonada: OR 8,5 (IC 95%: 1,8–40,5; p = 0,01). Uso concomitante de aminosalicilato (5-ASA): OR 21,3 (IC 95%: 4,3–107,7; p < 0,01). Uso concomitante de corticoide na indução: OR 4,8 (IC 95%: 1,1–21,0; p = 0,05). PGA moderada ao final da indução: OR 9,5 (IC 95%: 1,6–57,9; p = 0,03). Calprotectina fecal ao fim da indução: Um corte de 305 µg/g na curva ROC (área sob a curva de 0,88; IC 95%: 0,71–1,00) apresentou sensibilidade de 100%, especificidade de 77,3% e valor preditivo positivo de 36% para predizer a troca de biológico. Na fase de manutenção, 79,5% (62/78) dos pacientes necessitaram de escalonamento de dose para manter os alvos terapêuticos; destes, 40,3% (25/62) conseguiram descalonamento posterior guiado por níveis de vale. Não houve diferença estatisticamente significante nos níveis séricos medianos de IFX entre os pacientes que falharam e os que mantiveram o tratamento na indução (10,8 vs. 14,8 µg/mL; p = 0,62) ou ao fim da indução (4,12 vs. 6,21 µg/mL; p = 0,62). Conclusão dos autores A utilização de uma estratégia de monitorização terapêutica proativa resulta em excelente durabilidade do infliximabe aos 2 anos na doença de Crohn pediátrica. O fenótipo colônico é um preditor independente de falha ao fármaco, destacando a necessidade de terapias direcionadas específicas para esse subgrupo. O que muda na prática A aferição programada dos níveis de vale de infliximabe na semana 6 e semana 14 permite identificar precocemente a subexposição medicamentosa e orientar aumentos de dose ou redução de intervalos antes do surgimento de sintomas clínicos. Crianças com acometimento colônico isolado ou com calprotectina fecal superior a 305 µg/g ao término das 14 semanas demandam vigilância estrita, pois apresentam maior probabilidade de necessitar de troca de classe terapêutica. Adicionalmente, o monitoramento sistemático viabiliza o descalonamento seguro em parcela relevante dos pacientes que atingem níveis supra-ótimos na manutenção. Limitações O desenho retrospectivo e a realização em um único centro terciário australiano representam as principais limitações metodológicas. O número restrito de pacientes que apresentaram falha terapêutica (9 casos) limitou o poder estatístico para análises mais profundas. Por fim, o estudo decorreu durante a pandemia de COVID-19, o que gerou dados
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