Fatores Prognósticos para Neoplasia Colorretal Avançada na Doença Inflamatória Intestinal: Revisão Sistemática e Metanálise O risco de neoplasia colorretal avançada DII (advanced colorectal neoplasia - aCRN) é maior em pacientes com colite extensa, com odds ratio (OR) univariada de 2,43 (IC 95%, 2,01-2,93) em comparação à colite distal. Uma metanálise com 164 estudos identificou 13 fatores de risco e 5 fatores protetores para lesões de alto grau e adenocarcinoma invasor em pessoas com doença inflamatória intestinal (DII). O trabalho estabeleceu níveis de evidência para orientar protocolos individuais de rastreamento endoscópico. A colite extensa foi o único preditor de risco com nível de evidência forte no modelo univariado (OR 2,43; IC 95%, 2,01-2,93). A displasia de baixo grau (low-grade dysplasia - LGD) apresentou associação expressiva com neoplasia avançada subsequente (OR 10,85; IC 95%, 5,13-22,97), com nível de evidência moderado. A coexistência de colangite esclerosante primária (primary sclerosing cholangitis - PSC) associou-se a maior ocorrência de neoplasia colorretal avançada (OR 4,14; IC 95%, 2,85-6,01). Uso de ácido 5-aminossalicílico (5-ASA) e tiopurinas apresentou associação protetora univariada moderada (OR 0,53; IC 95%, 0,39-0,72 e OR 0,55; IC 95%, 0,37-0,82, respectivamente). A vigilância colonoscópica associou-se a menores chances de neoplasia colorretal avançada (OR univariada 0,39; IC 95%, 0,23-0,66 e OR multivariada 0,43; IC 95%, 0,26-0,70). Sobre o artigo Título original: Prognostic Factors for Advanced Colorectal Neoplasia in Inflammatory Bowel Disease: Systematic Review and Meta-analysis Autores: Anouk M. Wijnands, Michiel E. de Jong, Maurice W. M. D. Lutgens et al. Revista: Gastroenterology Ano: 2021 Tipo de estudo: Revisão sistemática e metanálise DOI: 10.1053/j.gastro.2020.12.036 Objetivo Identificar e quantificar os fatores prognósticos clínicos, demográficos, endoscópicos, histológicos e farmacológicos para o desenvolvimento de neoplasia colorretal avançada (displasia de alto grau ou câncer colorretal) em pacientes com doença inflamatória intestinal. Métodos Desenho: Revisão sistemática e metanálise conduzida segundo as diretrizes MOOSE e registrada no PROSPERO (CRD42019141345). A avaliação de viés foi feita pelo instrumento QUIPS. Foram estruturados modelos de efeitos aleatórios para univariadas e multivariadas (OR e hazard ratio - HR), além de uma síntese restrita a estudos de boa qualidade (baixo risco de viés e exclusão de proctite isolada na colite ulcerativa ou afecção puramente ileal na doença de Crohn). População: Pacientes diagnosticados com colite ulcerativa (CU) ou doença de Crohn (DC) com acometimento colônico. Países: Centros distribuídos na Europa (83 estudos), América do Norte (44), Ásia (29), Austrália/Nova Zelândia (4), África (2) e América do Sul (2). Período: Busca realizada em 10 de julho de 2019 nas bases PubMed e Embase. Tamanho da amostra: 164 estudos observacionais (120 coortes e 44 casos-controles), permitindo a análise agrupada de 31 fatores prognósticos potenciais. Desfechos avaliados: Ocorrência de neoplasia colorretal avançada (aCRN), definida pelo artigo como displasia de alto grau (high-grade dysplasia - HGD) ou câncer colorretal (colorectal cancer - CRC). O que o estudo mostrou sobre neoplasia colorretal avançada DII Fatores de risco identificados Extensão da doença: Evidência forte na análise univariada para colite extensa comparada a colite distal na colite ulcerativa (OR 2,43; IC 95%, 2,01-2,93; I2=0%I^2 = 0\%I2=0%; 40 estudos) e HR agrupado de 3,48 (IC 95%, 1,58-7,65; 3 estudos). Displasia prévia de baixo grau: Evidência moderada na análise univariada (OR 10,85; IC 95%, 5,13-22,97; 8 estudos) e HR multivariado de 3,67 (IC 95%, 2,23-6,06; 4 estudos). Estenose colônica (stricture): Evidência moderada univariada combinando CU e DC (OR 7,78; IC 95%, 3,74-16,18; 5 estudos), com OR multivariado de 8,42 (IC 95%, 3,85-18,42; 1 estudo). Colangite esclerosante primária concomitante: Evidência moderada na análise univariada (OR 4,14; IC 95%, 2,85-6,01; 33 estudos) e HR multivariado de 2,77 (IC 95%, 1,76-4,38; 4 estudos). Pólipos pós-inflamatórios (PIPs): Evidência moderada univariada (OR 3,29; IC 95%, 2,41-4,48; 5 estudos), embora nos modelos de HR não tenha atingido significância estatística (HR univariado 1,67; IC 95%, 0,99-2,82). Histórico familiar de câncer colorretal: Evidência moderada univariada (OR 2,62; IC 95%, 1,93-3,57; I2=0%I^2 = 0\%I2=0%; 15 estudos) e HR multivariado de 2,42 (IC 95%, 1,14-5,16; 2 estudos). Tipo de DII: Maior risco em colite ulcerativa comparada a doença de Crohn com acometimento colônico (OR univariado 1,50; IC 95%, 1,09-2,06; 7 estudos; evidência moderada). Inflamação histológica: Evidência fraca no modelo multivariado (HR 2,51; IC 95%, 1,75-3,61; 3 estudos). Outros fatores com evidência fraca: Qualquer displasia sem grau especificado (OR univariado 10,70; IC 95%, 4,60-24,87), ressecção segmentar de cólon (HR univariado 6,46; IC 95%, 1,32-31,61), aneuploidia de DNA (OR univariado 5,17; IC 95%, 2,28-11,71), sexo masculino (OR univariado 1,27; IC 95%, 1,12-1,44) e idade por ano de aumento (HR univariado 1,031; IC 95%, 1,017-1,046). Fatores com associação protetora Colonoscopia de vigilância: Evidência moderada univariada (OR 0,39; IC 95%, 0,23-0,66; 6 estudos) e OR multivariado de 0,43 (IC 95%, 0,26-0,70; 4 estudos). Uso de 5-ASA: Evidência moderada univariada (OR 0,53; IC 95%, 0,39-0,72; 20 estudos) e OR multivariado de 0,51 (IC 95%, 0,39-0,66; 6 estudos). Uso de tiopurinas: Evidência moderada univariada (OR 0,55; IC 95%, 0,37-0,82; 19 estudos) e HR univariado de 0,55 (IC 95%, 0,33-0,90; 5 estudos). Tabagismo: Evidência moderada univariada (OR 0,66; IC 95%, 0,49-0,88; 14 estudos, primariamente em CU). Uso de estatinas: Evidência fraca na análise multivariada (OR 0,39; IC 95%, 0,22-0,70; 2 estudos). Conclusão dos autores Os autores concluíram que foram identificados 13 fatores de risco e 5 fatores protetores para neoplasia colorretal avançada em pacientes com doença inflamatória intestinal, a partir de análises agrupadas univariadas e multivariadas. Esses dados fornecem a base teórica e quantitativa para o desenvolvimento futuro de sistemas aprimorados de estratificação de risco para rastreamento de câncer colorretal na DII. O que muda na prática A identificação de extensão anatômica ampla, histórico de displasia de baixo grau, estenose e colangite esclerosante primária deve direcionar a vigilância colonoscópica para intervalos mais rigorosos em virtude do risco aumentado de neoplasia colorretal avançada. O controle continuado da inflamação da mucosa intestinal correlaciona-se com redução do risco neoplásico, alinhando-se à associação protetora observada com o uso de 5-ASA e tiopurinas. Marcadores antes encarados isoladamente, como pólipos pós-inflamatórios, devem ser ponderados em conjunto com a carga inflamatória tecidual do paciente. Limitações A maioria das pesquisas incluídas possuía
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