Equipe multiprofissional realizando reanimação neonatal e ventilação com pressão positiva em recém-nascido em sala de parto

Reanimação neonatal 2025: novas diretrizes e ventilação

Fonte: Journal of Perinatology

Diretrizes de reanimação neonatal 2025: foco em ventilação fisiológica e precisão na sala de parto As diretrizes de reanimação neonatal 2025 refinam a prática clínica ao priorizar a avaliação fisiológica contínua, mantendo o clampeamento tardio de cordão umbilical por pelo menos 60 s em recém-nascidos sem necessidade de reanimação imediata. O documento reforça que a bradicardia persistente decorre principalmente de aeração pulmonar inadequada e exige otimização deliberada da ventilação antes de qualquer escalonamento terapêutico. Em vez de focar na progressão algorítmica rígida do mnemônico MR SOPA, a atualização orienta a identificação e a correção ativa de causas específicas de falha ventilatória. Pontos-chave O clampeamento tardio de cordão umbilical por no mínimo 60 s segue recomendado para neonatos que não precisam de reanimação imediata, com maior cautela contra a ordenha de cordão intacto em prematuros extremos devido ao risco de hemorragia intraventricular. A ventilação pulmonar continua como o pilar central na sala de parto, priorizando a titulação de pressões pela resposta fisiológica e a prevenção de volumes correntes excessivos. O uso precoce do eletrocardiograma (ECG) recebe respaldo explícito para a aferição rápida e precisa da frequência cardíaca em neonatos que necessitam de intervenção. A máscara laríngea ganha relevância clínica expandida, sendo apontada não apenas como via aérea alternativa, mas como potencial interface primária para ventilação em recém-nascidos com 34 semanas de idade gestacional ou mais. A relação de compressão e ventilação de 3:1 é mantida para manobras avançadas, as quais só devem ser iniciadas após a otimização efetiva da via aérea. Sobre o artigo Título original: From principles to precision: interpreting the 2025 Neonatal Resuscitation Guidelines Autores: Simona Pesce, Maria Scavone e Luisiana Stolfi Revista: Journal of Perinatology Ano: 2026 Tipo de estudo: Editorial analítico / Comentário de diretriz DOI: 10.1038/s41372-026-02665-2 Objetivo Analisar criticamente como a atualização das diretrizes internacionais de reanimação neonatal de 2025 remodela a priorização clínica na sala de parto, destacando as mudanças conceituais desde 2020 e as condutas que foram deliberadamente mantidas. Métodos O documento consiste em um editorial clínico baseado na síntese e interpretação das diretrizes de reanimação neonatal de 2025 elaboradas pelo International Liaison Committee on Resuscitation (ILCOR), pela American Heart Association (AHA) e pela American Academy of Pediatrics (AAP). Os autores, vinculados à Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Regional "San Carlo" em Potenza, Itália, avaliaram revisões sistemáticas de evidências sobre manejo de cordão, ventilação, monitorização da frequência cardíaca e cuidados pós-reanimação. Principais recomendações sobre a reanimação neonatal 2025 Manejo do cordão umbilical: manutenção do clampeamento tardio por pelo menos 60 s para neonatos que não necessitam de suporte imediato ao nascimento. Adota-se postura mais cautelosa em relação à ordenha do cordão umbilical intacto (intact cord milking), especialmente em prematuros extremos, frente a evidências de maior risco de hemorragia intraventricular. Ventilação com pressão positiva (VPP): as pressões inspiratórias iniciais seguem as referências prévias, mas enfatiza-se a titulação guiada pela resposta fisiológica para evitar volumes correntes excessivos e lesões induzidas no pulmão e no cérebro de prematuros. As etapas corretivas deixam de focar estritamente na sequência mnemônica MR SOPA para focar na identificação de causas específicas de ineficácia. Pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP): recomendada para prematuros em respiração espontânea com desconforto respiratório, com atenção redobrada aos riscos de pneumotórax em recém-nascidos mais maduros. Oferta de oxigênio inicial: o texto reconhece a necessidade frequente de iniciar fração inspirada de oxigênio (FiO2FiO_2FiO2​) acima de 21% em recém-nascidos muito prematuros para alcançar as metas de saturação preconizadas. Monitorização da frequência cardíaca: recomendação explícita da utilização precoce de eletrocardiografia (ECG), fornecendo detecção mais ágil e fidedigna do ritmo em relação à ausculta isolada. Vias aéreas avançadas e compressões: compressões torácicas são indicadas estritamente após a otimização da ventilação, com conservação da relação de 3:1. Métodos como compressões contínuas sob insuflação mantida permanecem classificados como investigacionais. A máscara laríngea é destacada inclusive como possível interface primária de ventilação para pacientes com idade gestacional ≥34\ge 34≥34 semanas. Cuidado pós-reanimação: reforço da vigilância estruturada contra lesões secundárias, monitorando ativamente hipoglicemia, alterações neurológicas, instabilidade respiratória e aplicação criteriosa de hipotermia terapêutica. Conclusão dos autores As diretrizes de 2025 refinam, em vez de redefinir, a prática de ressuscitação neonatal. A contribuição do documento reside em priorizações mais nítidas, maior consciência fisiológica e diferenciação transparente entre recomendações baseadas em evidências e lacunas de conhecimento não resolvidas. Na prática, a orientação não é fazer mais intervenções, mas reavaliar precocemente, otimizar a ventilação de modo deliberado e escalar condutas apenas se a resposta fisiológica for inadequada. O que muda na prática O neonatologista deve focar a transição em sala de parto no ajuste refinado da ventilação pulmonar antes de adotar medidas invasivas ou medicamentosas. O preparo da equipe precisa integrar fatores humanos, comunicação prévia com a obstetrícia e monitorização por ECG precoce para guiar as condutas. Além disso, a ordenha de cordão intacto em prematuros extremos deve ser evitada fora de protocolos rigorosos de pesquisa clínica. Limitações Trata-se de um artigo editorial reflexivo, sem dados primários próprios ou desenho de ensaio clínico. Os autores apontam heterogeneidade persistente nas evidências científicas atuais, especialmente quanto à titulação de oxigênio, manejo de via aérea durante massagem cardíaca e desfechos a longo prazo. Falta de superioridade comprovada entre diferentes técnicas de ventilação por pressão positiva em ensaios clínicos robustos. Perguntas frequentes O que mudou no clampeamento de cordão na reanimação neonatal 2025? O clampeamento tardio de cordão por pelo menos 60 s continua indicado para recém-nascidos sem necessidade de intervenção imediata. No entanto, a diretriz adotou maior cautela contra a ordenha de cordão intacto em prematuros extremos devido à associação com aumento do risco de hemorragia intraventricular. A sequência mnemônica MR SOPA foi abandonada na reanimação neonatal 2025? A sequência mnemônica não foi descartada, mas o algoritmo de 2025 priorizou a identificação de causas fisiológicas específicas de falha de ventilação. O objetivo clínico é incentivar a resolução do problema ventilatório antes de progredir para etapas avançadas de ressuscitação. Quando indicar o ECG na sala de parto segundo as novas diretrizes? A ausculta continua aceita na avaliação inicial,

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