Atualizações sobre BRUE na pediatria

Evento breve resolvido e inexplicado (BRUE): um novo diagnóstico com implicações para avaliação e manejo Sobre o artigo  O BRUE é definido como um episódio breve (<1 minuto), autolimitado, em lactentes menores de 1 ano, caracterizado por alteração na respiração, nível de consciência, tônus muscular ou coloração da pele, sem explicação após anamnese e exame físico completos. Trata-se de uma evolução conceitual do antigo ALTE (apparent life-threatening event), com maior especificidade diagnóstica e caráter de diagnóstico de exclusão. A diretriz da American Academy of Pediatrics (AAP) propõe estratificação em baixo e alto risco, com impacto direto na condução clínica. Métodos utilizados Trata-se de um artigo de revisão narrativa que sintetiza evidências disponíveis sobre definição, histórico, estratificação de risco, avaliação diagnóstica e manejo clínico do BRUE, incluindo diretrizes da AAP e estudos retrospectivos e prospectivos relevantes. Resultados A maioria dos casos de BRUE apresenta evolução benigna. Diagnósticos graves ocorrem em menos de 5% dos pacientes. As etiologias mais frequentes entre casos graves incluem: Convulsões Anormalidades de vias aéreas Trauma não acidental Fatores de alto risco incluem: Idade ≤60 dias Prematuridade (<32 semanas) Evento >1 minuto Episódios recorrentes Necessidade de RCP Achados preocupantes na história ou exame físico A estratificação de risco apresenta bom valor preditivo negativo (~90%). Metade dos diagnósticos graves pode ocorrer após a avaliação inicial. Discussão O BRUE representa um avanço conceitual importante ao reduzir a heterogeneidade do termo ALTE e orientar melhor a tomada de decisão clínica. Para pacientes de baixo risco, a AAP recomenda: Evitar internação rotineira Evitar exames laboratoriais e de imagem desnecessários Considerar observação breve e eletrocardiograma Para alto risco, não há diretrizes robustas baseadas em evidência, sendo recomendado: Avaliação individualizada Monitorização cardiorrespiratória Investigação direcionada conforme suspeita clínica (neurológica, cardíaca, infecciosa, metabólica, abuso) O artigo destaca ainda: Importância da anamnese detalhada e exame físico completo Necessidade de investigação de abuso infantil Variabilidade na aceitação internacional do conceito de BRUE Conclusão O BRUE é um diagnóstico mais específico e de exclusão, que permite melhor estratificação de risco e evita intervenções desnecessárias em lactentes de baixo risco. Apesar disso, há lacunas importantes no manejo de pacientes de alto risco, exigindo mais estudos para orientar a prática clínica. Insights clínicos  O que caracteriza um BRUE? Evento súbito, breve (<1 min), em lactente <1 ano, com alteração respiratória, tônus, consciência ou cor, sem causa identificável após avaliação. Quando o BRUE é considerado de alto risco? Quando há idade ≤60 dias, prematuridade, recorrência, duração prolongada, necessidade de RCP ou achados clínicos preocupantes. É necessário internar todos os pacientes com BRUE? Não. Lactentes de baixo risco não necessitam de internação rotineira. Quais exames devem ser realizados rotineiramente? Nenhum exame é recomendado de rotina em baixo risco; ECG e observação breve podem ser considerados. Qual a taxa de diagnósticos graves em BRUE? Inferior a 5%, sendo convulsões e alterações de vias aéreas as causas mais comuns. Qual a principal abordagem no alto risco? Investigação direcionada conforme suspeita clínica e possível internação para monitorização. BRUE está associado à morte súbita do lactente (SIDS)? Evidências sugerem que são condições distintas. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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