Nova diretriz SBP 2026: suplementação de ferro e anemia ferropriva Sobre o artigo O documento da Sociedade Brasileira de Pediatria aborda a anemia ferropriva como um problema relevante de saúde pública, especialmente em lactentes, devido ao impacto no crescimento e no desenvolvimento neurocognitivo. A deficiência de ferro é a principal causa de anemia nessa faixa etária, podendo gerar prejuízos persistentes mesmo após correção laboratorial. No Brasil, a prevalência em crianças de 6 a 24 meses varia entre 19% e 35%. A abordagem deve ser integrada, incluindo prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado, considerando fatores nutricionais, sociais e clínicos. Métodos utilizados Trata-se de diretriz elaborada por especialistas dos Departamentos Científicos de Nutrologia e Hematologia da SBP, baseada em revisão de literatura, diretrizes internacionais (especialmente OMS) e consensos nacionais. As recomendações foram estruturadas a partir de evidências científicas atualizadas sobre metabolismo do ferro, diagnóstico, tratamento e prevenção da anemia ferropriva em pediatria. Resultados A diretriz estabelece: A deficiência de ferro evolui em três estágios: depleção de estoques, deficiência funcional e anemia ferropriva. O diagnóstico deve considerar hemoglobina, índices hematimétricos e ferritina sérica, sempre interpretada com marcadores inflamatórios. O tratamento padrão é ferro oral na dose de 3–6 mg/kg/dia de ferro elementar por 3 a 6 meses. A resposta terapêutica esperada é aumento de hemoglobina ≥1 g/dL em 30–45 dias. A prevenção inclui: Aleitamento materno exclusivo até 6 meses Introdução alimentar adequada com fontes de ferro Suplementação profilática de ferro (10–12,5 mg/dia entre 6–24 meses, conforme PNSF) Prematuros necessitam doses maiores (2–4 mg/kg/dia). Também são descritos fatores de risco importantes, como prematuridade, dieta inadequada, uso precoce de leite de vaca e baixa adesão à suplementação. Discussão A anemia ferropriva permanece prevalente apesar de políticas públicas como fortificação alimentar e suplementação. O artigo reforça que a fisiopatologia envolve não apenas ingestão inadequada, mas também fatores como biodisponibilidade do ferro, inflamação (hepcidina) e condições socioeconômicas. Destaca-se a importância do ferro no neurodesenvolvimento, especialmente na mielinização e síntese de neurotransmissores, justificando intervenções precoces. A diretriz enfatiza que estratégias isoladas são insuficientes, sendo necessária abordagem integrada entre atenção primária, nutrição e políticas públicas. Conclusão A deficiência de ferro e a anemia ferropriva são condições frequentes, porém preveníveis. O manejo adequado envolve identificação de fatores de risco, suplementação profilática, orientação alimentar e tratamento precoce. O pediatra desempenha papel central na prevenção e no impacto a longo prazo sobre desenvolvimento infantil. Insights clínicos Quando iniciar suplementação de ferro em lactentes saudáveis? A partir dos 6 meses, na dose de 10–12,5 mg/dia até 24 meses. Qual a dose terapêutica para anemia ferropriva? 3 a 6 mg/kg/dia de ferro elementar por via oral. Quando suspeitar de falha terapêutica? Ausência de aumento de Hb ≥1 g/dL após 30–45 dias. Quais exames são essenciais no diagnóstico? Hemograma, ferritina sérica e PCR. O leite de vaca é fator de risco? Sim, especialmente no primeiro ano, por baixa biodisponibilidade de ferro e risco de perdas intestinais. Prematuros precisam de suplementação diferente? Sim, 2–4 mg/kg/dia desde 30 dias de vida. A ferritina sempre reflete estoque de ferro? Não. Pode estar elevada em inflamação, devendo ser interpretada com PCR. Por que tratar precocemente? Para evitar prejuízos no neurodesenvolvimento e desempenho cognitivo. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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