Aquisição da linguagem expressiva e receptiva em crianças nascidas pré-termo

Desenvolvimento da linguagem expressiva e receptiva em crianças pré-termo versus a termo: uma meta-análise Sobre o artigo O nascimento pré-termo está associado a maior risco de atraso no desenvolvimento da linguagem, o que pode impactar a cognição, socialização e desempenho acadêmico. Embora estudos individuais mostrem diferenças no desenvolvimento linguístico entre crianças pré-termo e a termo, os achados são heterogêneos. Esta meta-análise teve como objetivo comparar sistematicamente o desempenho em linguagem expressiva e receptiva entre esses dois grupos, com foco nos primeiros 3 anos de vida. Métodos utilizados Foram incluídos estudos publicados até 2023 que compararam crianças pré-termo (nascidas <37 semanas) e a termo (≥37 semanas) quanto ao desempenho em linguagem expressiva e/ou receptiva, medido por instrumentos padronizados. A meta-análise seguiu diretrizes PRISMA e utilizou modelos de efeitos aleatórios. Subanálises foram conduzidas de acordo com idade da avaliação, idade gestacional ao nascimento, tipo de linguagem (expressiva vs. receptiva) e tipo de medida (observacional vs. parental). Resultados Foram incluídos 30 estudos com mais de 4.000 participantes. Crianças pré-termo apresentaram desempenho significativamente inferior em linguagem expressiva (diferença média padronizada [DMP] = −0,54) e receptiva (DMP = −0,38) em comparação às nascidas a termo. As diferenças foram maiores em avaliações aos 12–24 meses. Crianças nascidas muito pré-termo (<32 semanas) mostraram maior comprometimento em ambas as áreas linguísticas. As medidas observacionais revelaram déficits mais consistentes do que as relatadas pelos pais. Houve alta heterogeneidade entre os estudos, parcialmente explicada pelas diferenças nos instrumentos utilizados e nas idades gestacionais. Discussão A análise confirma que crianças nascidas pré-termo, especialmente muito pré-termo, apresentam riscos substanciais de atraso no desenvolvimento da linguagem. O déficit em linguagem expressiva foi mais acentuado do que na linguagem receptiva, possivelmente refletindo maior complexidade cognitiva e motora envolvida. A detecção precoce é essencial para intervenção oportuna, principalmente nos primeiros dois anos de vida — janela crítica para o neurodesenvolvimento. Conclusão Crianças pré-termo apresentam atraso significativo no desenvolvimento da linguagem expressiva e receptiva, com impacto mais evidente entre 1 e 2 anos. A triagem e o acompanhamento sistemático desses marcos do desenvolvimento são fundamentais para reduzir déficits a longo prazo.   Insights clínicos Crianças pré-termo têm risco aumentado de atraso de linguagem? Sim, especialmente em linguagem expressiva, com impacto observado já no primeiro ano. O risco é maior em prematuros extremos? Sim. Crianças nascidas antes de 32 semanas apresentam déficits mais marcantes. A linguagem receptiva também é afetada? Sim, mas em menor grau do que a linguagem expressiva. Como os dados foram medidos? Por testes padronizados, tanto observacionais quanto relatados pelos pais, sendo os primeiros mais sensíveis aos déficits. Qual a implicação clínica desses achados? Recomenda-se triagem precoce e acompanhamento contínuo do desenvolvimento linguístico em todos os bebês nascidos pré-termo. Para ver mais conteúdos como este, clique aqui.

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