[AAP 2025] Identificação e Tratamento de Transtornos Alimentares em Crianças e Adolescentes

Por Carolina Paixão Identificação e Tratamento de Transtornos Alimentares em Crianças e Adolescentes Vivemos em uma sociedade onde as pessoas se sentem livres para julgar os outros, e a medicina tem uma tradição bem estabelecida de estigmatizar pessoas com corpos maiores. Diante disso, o congresso da Academia Americana de Pediatria destacou o tema “Transtornos Alimentares em Crianças e Adolescentes”, a fim de elucidar fatores que contribuem para seu desenvolvimento, além de exemplificar um plano inicial de tratamento e um guia de abordagem básica do assunto. A palestra destacou o modelo ecológico desenvolvido em 1970 pelo Dr Bronfenbrenner (psicólogo infantil) que demonstra que as crianças são produtos do seu entorno. E, quando o assunto é transtornos alimentares (TA) infantis, também podemos utilizar esse modelo, onde os anéis ao redor da criança são as influências e fatores sociodemográficos que impactam seu desenvolvimento e como eles mudam ao longo do tempo. Modelo Ecológico de Bronfenbrenner: Imagem adaptada -  Donaldson A. Identifying and treating eating disorders in children and adolescents. Congresso da Academia Americana de Pediatria (AAP); 2025; Denver, Colorado, EUA.   Além disso, a palestrante destacou a sequência de eventos que ocorrem até o desenvolvimento do TA: Inicia-se com um distúrbio cognitivo: mudança de escola, entrar para o time de basquete… As crianças/adolescentes modificam o comportamento em torno da dieta e exercícios físicos Ocorre um reforço com as pessoas dizendo “você está tão bem” “seu corpo está lindo” “ você está mais forte” Torna-se um ciclo, resultando em: consequências médicas, emocionais, sociais e de desenvolvimento.   Risco e Disparidades Toda a juventude está em risco, mas alguns são menos propensos a serem diagnosticados/tratados: Portadores de seguro de saúde - têm cerca de um terço da probabilidade de receber tratamento recomendado para seu transtorno alimentar. Pessoas em isolamento geográfico - dificuldade de acesso a serviços de saúde. Descendência Latina e Asiática. Neurodivergência - há associações fortes entre autismo e anorexia. Pessoas em Corpos Maiores Pessoas em corpos maiores são frequentemente ignoradas: Há um risco 2 vezes maior para comportamentos de TA em comparação com colegas de peso “normal”. Fator chave: ritmo da perda de peso. Pessoas com corpos maiores podem ter uma perda de peso em velocidade mais rápida e muitas vezes são parabenizadas por isso, e não é visto como um fator preocupante. Anorexia Nervosa Atípica: o mesmo que anorexia nervosa típica, mas em um corpo maior. Diversidade de Gênero Pessoas com diversidade de gênero estão entre as de maior risco: TA entre LGBT > cisgênero. Maior acuidade de saúde emocional entre pessoas LGBTQ com TA. A Importância da Intervenção Precoce Se você vir algo, diga algo! O tempo para o tratamento é crucial para o prognóstico Estas são doenças cada vez mais comuns 9% da população dos EUA terá um TA durante a sua vida A idade média de início dos sintomas é 11 anos de idade A anorexia tem a segunda maior mortalidade entre todas as doenças mentais, atrás das mortes relacionadas aos opiáceos por exemplo, e tem um comprometimento significativo no desenvolvimento físico, social e emocional ao longo do tempo Desafios no Diagnóstico Se concordarmos que os transtornos alimentares estão em toda parte e devem ser identificados precocemente, por que o tratamento ainda é adiado (ou perdido) para tantos? Pode ser um pouco complicado diagnosticar e solicitar o envolvimento no tratamento: Pode ser difícil saber quando é um TA. Desafio de comunicação. O tratamento é exigente e o acesso é limitado. O que Pode Ajudar a Identificar o TA Mais Eficientemente? Confie no seu manual básico para pré-adolescentes/adolescentes Utilize as curvas de crescimento Peça um recordatório das últimas 24 horas sobre a dieta e exercício físico, perguntando ativamente sobre detalhes como: horário das refeições, que tipo de atividade física realiza e com que duração e frequência Pergunte sobre a imagem corporal: “como você vê seu próprio corpo?”, “como se sente com seu corpo?”, “você gostaria de mudar algo no seu corpo?”, “já tentou mudar o seu corpo?” Ferramentas de Rastreamento (Screeners): Anorexia/Bulimia Nervosa: Questionário SCOFF (não é validado para uso em crianças) ARFID: Nine-item Avoidant Restrictive Food Intake Disorder Screen. Transtorno de Compulsão Alimentar (Binge Eating Disorder): Questionário STOB. Nomeie a preocupação - diga ao paciente que você está preocupado com ele, que pensa que ele pode ter uma desordem alimentar Se TA lhe vier à mente, é preciso acompanhar - agendar consultas de retorno o mais breve possível - tempo é um dos fatores mais importantes no processo de  recuperação da desordem alimentar Critérios de Hospitalização  Instabilidade física: FC < 50 bpm durante o dia, < 45 bpm à noite. PA < 80/50 mmHg. Temperatura < 36ºC Alterações ortostáticas ( na FC > 30 para 19+ anos, e > 40 para < 19 anos) ou PA (PAS > 20, PAD > 10 mmHg). Complicação médica aguda. Má nutrição grave: < 75% da linha de base/tendência de peso anterior. Crescimento/desenvolvimento interrompido. Falha do tratamento ambulatorial. Recusa alimentar aguda. Comorbidades com complicações Abrindo a Conversa e Tratamento Dê a si mesmo o tempo necessário. A linguagem é importante. Mantenha-se na sua área de especialidade. Isto é sério Não culpe. Deve-se abordar a questão, mesmo que não seja um transtorno alimentar   Montando uma Equipe de Tratamento: O Banco de Três Pernas   O paciente e os responsáveis são o assento do banco, e o restante (nutricionista, médico responsável e profissionais da saúde mental) está lá para apoiá-los. Podem ter mais pessoas envolvidas no tratamento, portanto, o banco pode ter mais pernas do que esse da foto. Psicofarmacologia no Tratamento Existe um papel para a psicofarmacologia no tratamento?. Condição Abordagem Farmacológica Transtornos Restritivos Tratar a psicopatologia comórbida; Considerar suspender estimulantes até que o plano nutricional esteja operacional; ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina): Não impactam o ganho de peso nesta população, mas podem diminuir a taxa de recaída em pacientes com peso restaurado. Bulimia Fluoxetina pode ajudar a diminuir a compulsão/purgação; Evitar Bupropiona — diminui o limiar convulsivo. Transtornos de Compulsão Alimentar ISRS; Topiramato; Lisdexanfetamina (Venvanse) Primeiros Passos Quando Estiver

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