Impacto da prematuridade na qualidade de vida autorreferida na idade adulta: coorte nacional sueca prospectiva de indivíduos com extremo baixo peso ao nascer Sobre o artigo Avanços no cuidado neonatal nas décadas de 1980–1990 aumentaram a sobrevida de recém-nascidos extremamente prematuros e com extremo baixo peso ao nascer (ELBW ≤1000 g). No entanto, esses indivíduos permanecem sob maior risco de morbidades físicas e neuropsiquiátricas a longo prazo, incluindo paralisia cerebral, epilepsia, déficits sensoriais, dificuldades cognitivas e transtornos psiquiátricos. Apesar dessas complicações, o impacto na qualidade de vida relacionada à saúde (HRQoL) na vida adulta ainda é incerto, especialmente com base em autorrelato. Estudos prévios apresentam resultados inconclusivos, reforçando a necessidade de avaliação em adultos. O objetivo do estudo foi avaliar saúde física, mental e HRQoL em adultos nascidos com ELBW, comparando-os a controles nascidos a termo. Métodos utilizados Estudo prospectivo de coorte nacional sueca incluindo indivíduos nascidos entre 1990–1992 com peso ≤1000 g (n=201) e grupo controle pareado (n=327). Idade na avaliação: 26–29 anos Coleta de dados: Questionários online (incluindo SF-36v2 para HRQoL) Registros nacionais de saúde (diagnósticos ICD-9/10) Desfechos principais: Componentes físico (PCS) e mental (MCS) do SF-36 Análises: Comparações entre grupos Regressões lineares multivariadas Análise de interação com comorbidades Definições importantes: NDD: presença de paralisia cerebral, deficiência intelectual ou déficits sensoriais HRQoL: escore padronizado (média 50; DP 10) Resultados Participação: ELBW: 201/345 (58%) Controles: 327/1259 (26%) Saúde física e mental: Maior prevalência de: Paralisia cerebral Epilepsia Asma Deficiências auditivas e visuais Maior prevalência de transtornos do neurodesenvolvimento: TEA TDAH Deficiência intelectual Transtornos de humor: sem diferença significativa Qualidade de vida (HRQoL): Sem diferença significativa entre ELBW e controles: PCS: semelhante entre grupos MCS: semelhante entre grupos Ambos os grupos apresentaram escores mentais abaixo da média populacional Fatores associados à pior HRQoL: PCS: menor idade gestacional e paralisia cerebral MCS: TEA e transtornos de ansiedade Interação com comorbidades: ELBW com mesma carga de comorbidades apresentaram pior componente mental que controles Discussão Apesar da maior carga de morbidades físicas e mentais, adultos nascidos com ELBW não percebem pior qualidade de vida quando comparados a indivíduos nascidos a termo. Possíveis explicações: Adaptação funcional ao longo da vida Diferença entre limitação objetiva e percepção subjetiva Instrumentos como o SF-36 avaliam impacto funcional, não necessariamente déficits estruturais Achados relevantes: Morbidades neonatais não previram HRQoL na vida adulta Comorbidades psiquiátricas (especialmente ansiedade e TEA) tiveram maior impacto na qualidade de vida Existe possível viés de seleção, com menor participação de indivíduos mais comprometidos Conclusão Adultos nascidos com extremo baixo peso apresentam maior prevalência de doenças físicas e mentais, porém relatam qualidade de vida semelhante à população geral. Isso sugere que esses indivíduos podem não perceber suas limitações como impactantes no funcionamento diário, destacando a importância da avaliação subjetiva na prática clínica e no seguimento de prematuros extremos. Insights clínicos Adultos nascidos com ELBW têm pior qualidade de vida? Não. Apesar de mais comorbidades, a qualidade de vida autorreferida é semelhante à população geral. Quais condições mais impactam a qualidade de vida mental? Transtorno do espectro autista e ansiedade são os principais fatores associados a pior MCS. A prematuridade extrema afeta a qualidade de vida física na vida adulta? Apenas em subgrupos específicos, especialmente aqueles com paralisia cerebral ou menor idade gestacional. Morbidades neonatais predizem qualidade de vida futura? Não houve associação significativa com HRQoL na vida adulta. Como interpretar HRQoL normal em pacientes com múltiplas comorbidades? Sugere adaptação funcional e dissociação entre doença objetiva e percepção subjetiva de saúde. O que isso muda na prática clínica? Reforça a importância de incluir avaliação subjetiva de qualidade de vida no seguimento de prematuros, além de indicadores clínicos tradicionais. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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