Prevalência de insuficiência alimentar em subgrupos de crianças com necessidades especiais de saúde

Fonte: The Journal of Pediatrics

Prevalência de insuficiência alimentar em subgrupos de crianças com necessidades especiais de saúde Sobre o artigo  A insuficiência alimentar é um importante determinante de saúde, associada a piores desfechos físicos, mentais e acadêmicos em crianças. Nos Estados Unidos, cerca de 14 milhões de crianças viviam em domicílios com insuficiência alimentar em 2023. Crianças com necessidades especiais de saúde (CSHCN) representam um grupo vulnerável, com maior risco devido a demandas médicas e custos adicionais. Entretanto, essa população é heterogênea, incluindo subgrupos com diferentes níveis de complexidade clínica, como uso de medicação, maior utilização de serviços e limitações funcionais. O estudo busca avaliar como esses subgrupos se relacionam com a insuficiência alimentar, considerando também o impacto da renda e tendências temporais recentes. Métodos utilizados Estudo transversal baseado nos dados do National Survey of Children’s Health (NSCH) de 2016 a 2023. Amostra: 322.004 crianças (representando ~69 milhões após ponderação) Classificação dos grupos: Sem necessidades especiais Uso apenas de medicação Uso elevado de serviços de saúde Limitações funcionais Desfecho: insuficiência alimentar (incluindo formas marginal a grave) Análise: Regressão logística multivariada (odds ratio ajustado) Avaliação de interação com renda (≤ ou >200% do nível federal de pobreza) Modelos lineares para tendências temporais Covariáveis incluíram fatores sociodemográficos, renda, seguro de saúde e escolaridade parental. Resultados Aproximadamente 20% das crianças tinham necessidades especiais de saúde 31,5% da amostra vivia em domicílios com insuficiência alimentar Comparado a crianças sem necessidades especiais: Uso apenas de medicação: aOR 1,31 Uso elevado de serviços: aOR 1,54 Limitações funcionais: aOR 1,97 Probabilidade estimada de insuficiência alimentar: Sem necessidades especiais: 29,6% Limitações funcionais: 42,4% Interação com renda: Efeito sinérgico significativo entre pobreza e limitações funcionais Maior impacto combinado nesses pacientes Tendência temporal: Redução da insuficiência alimentar entre 2016–2021 Aumento entre 2021–2023 (exceto sem mudança significativa no grupo com limitações funcionais) Discussão O estudo demonstra heterogeneidade importante dentro das crianças com necessidades especiais de saúde. Crianças com limitações funcionais apresentam o maior risco, possivelmente devido a: Maior custo médico direto Maior uso de serviços de saúde Sobrecarga financeira familiar A pobreza amplifica esse risco de forma superaditiva, especialmente nesse subgrupo. Os achados sugerem que políticas públicas generalistas podem não ser suficientes, sendo necessário foco específico em crianças com limitações funcionais. Além disso, mudanças recentes em políticas sociais (como fim de benefícios relacionados à pandemia) podem ter contribuído para o aumento recente da insuficiência alimentar. Conclusão Crianças com necessidades especiais de saúde apresentam maior risco de insuficiência alimentar, com destaque para aquelas com limitações funcionais. A interação com pobreza intensifica significativamente esse risco, indicando a necessidade de estratégias direcionadas e integração entre sistemas de saúde e suporte social. Insights clínicos  Quais crianças têm maior risco de insuficiência alimentar? Crianças com limitações funcionais apresentam o maior risco, quase o dobro em relação às sem necessidades especiais. O uso de medicação isolado já aumenta o risco? Sim, mesmo crianças que apenas utilizam medicação apresentam aumento significativo do risco. Qual o papel da pobreza nesse contexto? A pobreza atua como modificador de efeito, potencializando o risco principalmente em crianças com limitações funcionais. Houve mudança recente na tendência de insuficiência alimentar? Sim. Houve redução até 2021 e aumento subsequente até 2023, possivelmente relacionado ao fim de políticas sociais da pandemia. Qual a implicação prática para o pediatra? É fundamental rastrear insegurança alimentar especialmente em crianças com necessidades especiais, principalmente aquelas com limitações funcionais e em famílias de baixa renda. Estratégias clínicas podem reduzir esse risco? Sim. Encaminhamento para programas sociais, integração com assistência social e identificação precoce são medidas essenciais. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

Faça login para acessar o conteúdo
ou cadastre-se.ESQUECI MINHA SENHA

Compartilhe esse conteúdo

LinkedIn
Twitter
Facebook
WhatsApp

Posts relacionados

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Este site é feito exclusivamente para profissionais de saúde.