Leite Materno e Rebote de Adiposidade em Prematuros: O Que o Estudo Revela 40,6% dos bebês com Extremo Baixo Peso ao Nascer desenvolvem rebote precoce de adiposidade antes dos 5 anos — e o uso de fórmula na alta hospitalar é o principal fator de risco independente identificado. Um estudo retrospectivo longitudinal investigou a prevalência do Rebote Precoce de Adiposidade (EAR) e seus fatores associados em bebês nascidos com Extremo Baixo Peso ao Nascer (EBPN) — aqueles com peso inferior a 1.000 g — acompanhados por até 10 anos. Os achados reforçam o papel do aleitamento materno como fator protetor e alertam para um risco metabólico adicional nesta população vulnerável. O Que é o Rebote de Adiposidade? O Rebote de Adiposidade (AR) é o momento em que o Índice de Massa Corporal (IMC) de uma criança atinge seu ponto mais baixo e começa a subir novamente. Normalmente, esse fenômeno ocorre entre os 5 e 7 anos de idade. Quando esse aumento acontece antes dos 5 anos, é classificado como "precoce" (EAR) e está diretamente ligado ao risco de obesidade e síndrome metabólica futuramente. Principais Achados do Estudo Os resultados mostram uma trajetória de crescimento preocupante para bebês EBPN: Alta Prevalência: 40,6% dos bebês EBPN apresentaram rebote precoce (antes dos 5 anos) e 21,5% apresentaram antes mesmo dos 4 anos. Risco de Obesidade: Crianças com EAR tiveram IMC significativamente maior e maior prevalência de sobrepeso e obesidade aos 6, 7 e 10 anos em comparação ao grupo com rebote no tempo normal. Pressão Arterial: Aos 4 anos de idade, as crianças com EAR apresentaram valores de pressão arterial sistólica significativamente mais altos. Fator de Risco: O uso de fórmula infantil (exclusiva ou parcial) no momento da alta hospitalar foi o único fator independentemente associado a um maior risco de EAR. Leite Materno como Fator Protetor O estudo destaca que o tipo de alimentação na alta da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) é crucial. O aleitamento materno exclusivo atua modulando o padrão de crescimento inicial e está associado a um menor risco de desenvolver o rebote precoce de adiposidade quando comparado ao uso de fórmulas infantis. Incentivar o leite humano é, portanto, uma estratégia preventiva contra doenças metabólicas futuras. Recomendações para o Acompanhamento Para mitigar os riscos metabólicos em bebês que já nascem em situação de extrema vulnerabilidade, os especialistas recomendam: Monitoramento Prolongado: Acompanhar o crescimento e as mudanças de IMC em programas de seguimento (follow-up) até, pelo menos, a idade escolar. Promoção do Aleitamento: Apoiar o uso de leite humano tanto durante a internação quanto após a alta. Vigilância Metabólica: Atenção especial aos sinais de ganho de peso excessivo ou precoce em crianças que não receberam leite materno exclusivo. Perguntas Frequentes (FAQ) O que é o Rebote de Adiposidade (AR)? É o ponto de inversão na curva do IMC, onde o índice para de cair e começa a subir, o que geralmente ocorre entre os 5 e 7 anos. Por que o rebote "precoce" é perigoso para o prematuro? Ocorre quando o IMC sobe antes dos 5 anos, sinalizando um risco aumentado de obesidade, hipertensão e síndrome metabólica na vida adulta. O uso de fórmula infantil aumenta o risco de obesidade? Sim, o estudo identificou o uso de fórmula na alta como o único fator de risco independente para o rebote precoce de adiposidade nesta coorte. Até quando um bebê EBPN deve ser monitorado? Recomenda-se o acompanhamento rigoroso do IMC e da pressão arterial pelo menos até a idade escolar. Qual a porcentagem de bebês EBPN que apresentam o rebote precoce? Cerca de 40,6% dos bebês de extremo baixo peso no estudo apresentaram o fenômeno antes dos 5 anos. 💡 Este conteúdo é baseado em evidências científicas e destinado a profissionais de saúde. Não substitui a avaliação clínica individualizada. O acompanhamento por equipe multiprofissional especializada em neonatologia e nutrição pediátrica é essencial para bebês de extremo baixo peso na UTIN Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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