O Papel De Emergencista Pediátrico Em Urgências Trombóticas Na Criança: uma nova fronteira

Fonte: Congresso Mundial de Urgências e Emergências Pediátricas

O Papel De Emergencista Pediátrico Em Urgências Trombóticas Na Criança: uma nova fronteira Os eventos trombóticos na infância vêm ganhando maior reconhecimento clínico, impulsionados tanto pelo aumento da suspeição quanto pela melhoria das ferramentas diagnósticas. Dados de coortes internacionais demonstram uma distribuição etária bimodal, com maior incidência em menores de 1 ano e em adolescentes . Esse padrão reforça a necessidade de atenção em extremos de idade, frequentemente associados a contextos clínicos distintos. Paralelamente, observa-se uma tendência crescente ao uso de estratégias terapêuticas mais invasivas, incluindo fibrinólise sistêmica, intervenções por cateter e, em menor proporção, dispositivos como filtros de veia cava. Esse movimento reflete não apenas maior gravidade dos casos identificados, mas também maior capacidade de intervenção. Tromboembolismo pulmonar: Embora o modelo clássico do tromboembolismo pulmonar envolva a migração de trombos provenientes de trombose venosa profunda, a pediatria apresenta um espectro mais amplo de etiologias. Entre elas, destacam-se os eventos “in situ”, nos quais o trombo se forma diretamente na circulação pulmonar, frequentemente associados a estados de hipercoagulabilidade, cardiopatias congênitas ou infecções recentes. Outros subtipos incluem causas sépticas, gordurosas, tumorais e por corpo estranho, ampliando a complexidade diagnóstica. Dados recentes sugerem que os eventos “in situ”, especialmente em lactentes com cardiopatias congênitas, estão associados a maior gravidade e pior prognóstico . A abordagem atual baseia-se na estratificação de risco. Pacientes em choque demandam intervenções imediatas, como trombólise ou abordagem cirúrgica. Já em casos estáveis, a conduta tende a ser mais conservadora e escalonada, guiada por risco e fenótipo clínico. Síndrome da veia cava superior: A síndrome da veia cava superior na pediatria apresenta etiologia variada, com predomínio de causas oncológicas e cardíacas. Trata-se de uma condição de alta morbidade, com mortalidade significativa, podendo chegar a 20% dos casos . O manejo frequentemente envolve combinação de terapias, incluindo anticoagulação e fibrinólise, seja sistêmica ou por cateter. A sobreposição de modalidades terapêuticas reflete a complexidade dos casos e a necessidade de abordagem individualizada. Doença de Kawasaki e risco trombótico: Na doença de Kawasaki, a estratificação por subgrupos tem permitido melhor compreensão do risco cardiovascular. Pacientes mais jovens apresentam maior risco de desenvolver aneurismas de artérias coronárias, mesmo quando tratados adequadamente. Nas situações de infarto agudo do miocárdio associado à doença, as diretrizes mais recentes recomendam abordagem semelhante à do adulto, com reperfusão precoce e uso intensivo de terapia antitrombótica, incluindo combinações de anticoagulantes e antiplaquetários. Anticoagulação na pediatria: O uso de anticoagulantes orais diretos DOACs tem crescido na pediatria, especialmente em contextos como câncer e cardiopatias. Estudos recentes sugerem perfil de segurança aceitável, embora ainda haja necessidade de maior robustez de dados em cenários do “mundo real” . Essa expansão terapêutica representa uma mudança importante no manejo, oferecendo alternativas mais práticas em comparação aos esquemas tradicionais. AVC isquêmico: O acidente vascular cerebral isquêmico, embora menos frequente em crianças, possui impacto significativo, sendo uma das principais causas de mortalidade e morbidade neurológica. A recorrência pode ocorrer em até um terço dos pacientes nos primeiros anos após o evento . O diagnóstico é desafiador, uma vez que diversas condições podem mimetizar AVC na infância. Por isso, o uso de ferramentas simples de triagem, como o mnemônico B.E. F.A.S.T., é fundamental para reconhecimento precoce. As janelas terapêuticas seguem princípios semelhantes aos do adulto, com trombólise e trombectomia em tempos bem definidos, embora com particularidades relacionadas à idade e ao tamanho dos dispositivos. O papel multidisciplinar A complexidade dos eventos trombóticos pediátricos exige integração entre múltiplas especialidades. Modelos como os Pulmonary Embolism Response Teams PERT) e os protocolos de “Código Stroke” demonstram o impacto positivo de equipes organizadas e treinadas. Experiências internacionais mostram que a priorização diagnóstica, com acesso rápido a imagem avançada e tomada de decisão conjunta, melhora desfechos. No entanto, destaca-se a alta taxa de diagnósticos diferenciais, reforçando a importância da avaliação clínica criteriosa . Mensagem final: os eventos trombóticos na pediatria representam um campo em expansão, marcado por maior reconhecimento, avanços diagnósticos e novas possibilidades terapêuticas. O desafio está em equilibrar rapidez na tomada de decisão com precisão diagnóstica, sempre apoiado por uma abordagem multidisciplinar. Reconhecer precocemente, estratificar risco e individualizar o tratamento são passos essenciais para melhorar o prognóstico dessas crianças. Take Home Messages: A palestra aborda a atuação da emergência pediátrica diante de eventos trombóticos em crianças e adolescentes, enfatizando cenários de alta relevância no pronto-socorro: tromboembolismo pulmonar TEP , síndrome da veia cava superior SVCS , infarto do miocárdio associado à doença de Kawasaki e acidente vascular cerebral isquêmico AVCI) pediátrico. Bancos de dados canadense 137 pacientes em 2,5 anos) e suíço  2.000 casos em 20 anos, 0 19 anos) mostram dois picos de eventos: 1 ano e adolescência. Sobre o TEP foram discutidos subtipos etiológico: in situ, séptico, gorduroso, por corpo estranho ou tumoral, sendo o in situ (trombo formado na artéria pulmonar por hipercoagulabilidade), é aquele que apresenta maior severidade, associado a piora da sobrevida. Ainda sobre TEP há uma nova classificação de risco (baixo, intermediário, alto), que substitui a antiga e impacta diretamente o prognóstico e a sobrevida dos pacientes. Na Síndrome de Veia Cava Superior 47% dos casos em uma revisão de 135 pacientes, é de origem oncológica, seguido da cardíaca com 31% dos casos. No tratamento há uma alta frequência de uso de fibrinolíticos Sistêmico ou por cateter) frequentemente combinados com anticoagulação, e a mortalidade é elevada. Doença de Kawasaki e os 4 clusters: fígado, neutrofilia, linfonodopatia cervical e jovem. O grupo de jovens é o que apresenta maior risco de aneurisma de artéria coronária, mesmo com uso de imunoglobulina humana intravenosa, corticoide e imunobiológicos. O AVC isquêmico é a 10a causa de mortalidade pediátrica, com mortalidade de 5 a 10%. A recorrência até 1 em 3 nos 2 anos após o primeiro evento. Times multidisciplinares PERT e Código STROKE ajudam a estabelecer a elegibilidade e manejo agudo. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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