Sepse e Choque Séptico: o que há de novo A palestra aborda a sepse e o choque séptico pediátrico, destacando a evolução de sua definição desde critérios baseados em SIRS até um enfoque na disfunção orgânica, utilizando o Phoenix Sepsis Score. Ressalta-se que a detecção precoce é a principal barreira nos departamentos de emergência, especialmente em contextos com recursos limitados, como na América Latina, e que muitas mortes infantis poderiam ser evitadas com medidas simples. Para isso, está sendo validada uma nova ferramenta de detecção precoce adaptada ao contexto latino-americano, desenvolvida por consenso de especialistas (metodologia Delphi), que incorpora a preocupação dos cuidadores, sinais clínicos, fatores de risco e aspectos operacionais. São analisadas estratégias de reanimação, comparando fluidos balanceados (como Ringer lactato) com solução salina a 0,9%, recomendando-se os primeiros devido ao menor risco de acidose, hipercloremia e nefrotoxicidade. Discute-se o ensaio em larga escala PROMPT BOLUS, que compara ambas as soluções e cujos resultados serão publicados em breve. As novas recomendações da Surviving Sepsis Campaign, adaptadas nos consensos latino-americanos LACEP, LASIF 2022 e diretrizes 2026 , propõem pacotes de medidas para reconhecimento e tratamento, defendendo um manejo mais restritivo e individualizado da fluidoterapia. Sugere-se limitar bolos em pacientes não hipotensos ou em cenários sem UTI disponível, e introduz-se a recomendação de uso precoce de inotrópicos (epinefrina, norepinefrina) diante de sinais de sobrecarga hídrica ou resposta inadequada aos fluidos, mesmo antes de atingir os limites convencionais de volume. Estudos recentes apoiam essa tendência para reduzir mortalidade e sobrecarga volêmica, destacando a importância da reavaliação clínica contínua. Definição teórica e evolução: A sepse é um síndrome de disfunção orgânica potencialmente fatal causada por uma resposta desregulada à infecção. O choque séptico é uma subcategoria com alterações circulatórias, celulares e metabólicas, associada a maior mortalidade. As novas diretrizes introduzem conceitos como “sepse provável” ou “choque séptico suspeito”, úteis na emergência. Critérios de Phoenix e sua aplicação: Em 2024, um consenso internacional estabeleceu os critérios de Phoenix, que avaliam disfunção em quatro sistemas: respiratório, cardiovascular, neurológico e coagulação. Define-se sepse como infecção com pontuação ≥2, e choque séptico quando há pelo menos 1 ponto de comprometimento cardiovascular. Desafios no diagnóstico em urgências: A aplicação dos critérios de Phoenix é desafiadora na emergência devido ao grande volume de pacientes e ao fato de serem mais aplicáveis em fases mais avançadas da doença. O reconhecimento precoce é a principal barreira. Sintomas em crianças (febre, taquicardia, taquipneia) são inespecíficos, dificultando o diagnóstico. Deve-se confiar no julgamento clínico e em sinais como alteração do nível de consciência e hipoperfusão. Ferramentas de detecção precoce: A Surviving Sepsis Campaign recomenda ferramentas adaptadas ao contexto local. Uma nova ferramenta para a América Latina Delphi integra: Preocupação dos cuidadores (gut feeling) Sinais clínicos (incluindo o Triângulo de Avaliação Pediátrica) Fatores de risco/comorbidades Operacionalização para ativar “código sepse” Um estudo no Paraguai mostrou sensibilidade de 80% e especificidade de 99%. Fenótipos e variabilidade: a apresentação varia conforme idade, comorbidades e agente etiológico. Existem diferentes fenótipos inflamatórios que convergem para inflamação descontrolada e síndrome de ativação macrofágica. Manejo e Tratamento do Choque Séptico Pediátrico: Fluidoterapia: tipo e individualização: Recomenda-se cristaloides balanceados Ringer lactato) em vez de soro fisiológico 0,9%, devido ao menor risco de acidose hiperclorêmica, lesão renal e mortalidade. O estudo PROMPT BOLUS está avaliando essa comparação. Administração de fluidos e limitações: Tendência atual: administrar menos volume. Excesso pode causar vasodilatação, hipotensão e sobrecarga hídrica. Sem UTI: evitar bolos se não hipotenso; máximo 40 ml/kg Com UTI: até 60 ml/kg Reavaliar após cada bolo (fundamental) Uso de inotrópicos: início precoce. Epinefrina → choque frio (disfunção miocárdica); Norepinefrina → choque quente (vasoplegia). Podem ser iniciados antes mesmo de atingir 40 ml/kg. Estudos Paraguai, Bolívia, Índia) mostram redução de mortalidade e sobrecarga hídrica. Take Home Messages: O reconhecimento precoce é a principal barreira. Triângulo de avaliação pediátrica deve ser utilizada na área de triagem do pronto-socorro pediátrico. A preocupação dos cuidadores e a intuição clínica do médico devem ser consideradas entre as variáveis incluídas na ferramenta. Soluções balanceadas parecem ser mais seguras e fisiológicas, com potencial de melhores desfechos clínicos em comparação ao SF 0,9%, especialmente em pacientes críticos. A evidência crescente respalda uma mudança de paradigma no manejo do choque séptico pediátrico: menos fluidos e início mais precoce de inotrópicos para melhorar os desfechos. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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