Diagnóstico e manejo da candidemia e candidíase invasiva em neonatos e crianças Sobre o artigo A candidemia e a candidíase invasiva (CI) acometem principalmente populações pediátricas vulneráveis, incluindo neonatos prematuros, pacientes com neoplasias hematológicas, transplantados e crianças criticamente enfermas. A apresentação clínica é inespecífica, frequentemente indistinguível de infecção bacteriana. A incidência de CI neonatal varia de 0,5–2% em países de alta renda e até 6,3% em países de baixa/média renda, com mortalidade de até 40%. As espécies mais comuns são Candida albicans e C. parapsilosis, com aumento preocupante de C. auris e resistência ao fluconazol. Métodos utilizado Trata-se de uma revisão narrativa baseada em diretrizes globais recentes, com síntese de evidências disponíveis sobre diagnóstico e tratamento da CI em pediatria e neonatologia. As recomendações são derivadas principalmente de: Diretrizes internacionais (ECMM, ISHAM, ASM) Estudos clínicos pediátricos e neonatais Meta-análises e estudos observacionais Resultados Diagnóstico Padrão-ouro: hemocultura e cultura de tecidos Sensibilidade da hemocultura ~40% PCR: utilidade moderada (boa capacidade de exclusão) T2Candida: alta sensibilidade (80–100%) e diagnóstico rápido (~3,7h) β-D-glucano: não recomendado em pediatria Neonatos: Diagnóstico ainda mais difícil devido ao baixo volume de sangue PCR pode ter boa acurácia (sensibilidade 87,5%) Avaliação de disseminação obrigatória (LCR, eco, USG, fundo de olho) Profilaxia Crianças de alto risco: fluconazol (UTI pediátrica, transplantes) Onco-hematológicos: პროფiliaxia com cobertura para fungos filamentosos (posaconazol) Neonatos de alto risco (<1000g): fluconazol reduz significativamente CI Alternativas: nistatina, lactoferrina Tratamento Princípios fundamentais: Início precoce de antifúngico Remoção de cateteres Controle de foco Primeira linha: Equinocandinas OU anfotericina B lipossomal Duração: 14 dias após hemoculturas negativas Situações específicas: SNC: anfotericina B ± flucitosina Endocardite: ≥12 semanas Neonatos: Opções equivalentes: anfotericina B, micafungina, caspofungina Fluconazol: alternativa em pacientes sem exposição prévia Ajustes farmacocinéticos necessários Discussão O manejo da CI é desafiador devido à apresentação clínica inespecífica e limitações diagnósticas, especialmente em neonatos. Métodos moleculares e testes rápidos são promissores, mas ainda com limitações práticas. Diferenças epidemiológicas globais impactam estratégias de tratamento, especialmente em países de baixa renda, onde há maior incidência, resistência antifúngica e menor acesso a recursos diagnósticos e terapêuticos. A emergência de espécies resistentes, como C. auris, reforça a importância de medidas de controle de infecção. Conclusão A candidemia e a CI em neonatos e crianças permanecem condições de alta morbimortalidade. O reconhecimento precoce de pacientes de risco, associado a diagnóstico rápido e tratamento adequado, é essencial para melhorar desfechos. Medidas de prevenção, especialmente controle de infecção hospitalar, são fundamentais e custo-efetivas. A adaptação das diretrizes à realidade local é indispensável. Insights clínicos Quando suspeitar de candidemia em neonatos? Em prematuros de muito baixo peso (<1000g), com uso de antibióticos de amplo espectro, nutrição parenteral e deterioração clínica tardia (3ª semana). Hemocultura negativa exclui candidíase invasiva? Não. Sensibilidade é baixa (~40%), sendo necessário considerar métodos complementares e contexto clínico. O β-D-glucano deve ser usado em pediatria? Não é recomendado devido ao baixo valor preditivo positivo e baixa sensibilidade. Qual o antifúngico de primeira linha? Equinocandinas ou anfotericina B lipossomal, dependendo do contexto clínico. Quando investigar disseminação em neonatos? Sempre após diagnóstico de candidemia, incluindo LCR, ecocardiograma, fundo de olho e imagem abdominal. Profilaxia com fluconazol é eficaz em neonatos? Sim, especialmente em prematuros extremos, reduz significativamente a incidência de CI. Qual a duração do tratamento da candidemia? 14 dias após negativação das hemoculturas Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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