Midazolam como premedicação para administração menos invasiva de surfactante: auditoria prospectiva de centro único Sobre o artigo A técnica de administração menos invasiva de surfactante (LISA) é amplamente utilizada no tratamento da síndrome do desconforto respiratório neonatal, reduzindo a necessidade de ventilação mecânica e o risco de displasia broncopulmonar. No entanto, há controvérsias quanto ao uso rotineiro de sedação/analgesia antes do procedimento, e o fármaco ideal ainda não foi definido. O midazolam passou a ser utilizado como premedicação em substituição ao fentanil em um centro terciário, motivando a avaliação de sua eficácia e segurança em curto prazo. Métodos utilizados Auditoria prospectiva realizada em uma UTI neonatal terciária no Reino Unido entre julho de 2019 e dezembro de 2024. Foram incluídos neonatos submetidos à LISA com uso rotineiro de midazolam (50–100 µg/kg IV) administrado 2–5 minutos antes do procedimento. Foram analisados: Taxa de sucesso do procedimento (cateterização e administração de surfactante) Estabilidade fisiológica Eventos adversos (bradicardia, apneia, dessaturação, refluxo) Necessidade de intubação em até 24 horas Dados foram coletados prospectivamente por meio de formulários padronizados preenchidos imediatamente após cada procedimento. Resultados Foram analisados 120 neonatos (idade gestacional mediana: 32 semanas). Principais achados: Taxa de sucesso do procedimento: 99,2% Redução da FiO₂ após 1 hora do procedimento Intubação em até 24h: 7,6% Eventos adversos: Dessaturação <80%: 47,1% Apneia: 24,4% Bradicardia: 16,0% Refluxo de surfactante: 18,5% A maioria dos procedimentos foi realizada com uma única tentativa (74,2%). Discussão O uso de midazolam como premedicação para LISA demonstrou alta taxa de sucesso e perfil de segurança aceitável, com incidência relativamente baixa de instabilidade fisiológica. Comparado a outras estratégias (como ausência de sedação ou uso de propofol), os resultados sugerem desempenho favorável, especialmente em termos de sucesso técnico. Entretanto, o estudo apresenta limitações, incluindo definição subjetiva de sucesso e ausência de comparação direta com outros fármacos. Além disso, preocupações sobre possíveis efeitos neurodesenvolvimentais do midazolam em prematuros devem ser consideradas. Conclusão O midazolam, na dose de 50–100 µg/kg, mostrou-se uma opção eficaz e relativamente segura como premedicação para LISA, com alta taxa de sucesso e eventos adversos manejáveis. O fármaco surge como candidato promissor para estudos comparativos futuros, incluindo avaliação de desfechos em longo prazo. Insights clínicos O midazolam melhora a taxa de sucesso do LISA? Sim, o estudo demonstrou taxa de sucesso de 99,2%, sugerindo forte associação com eficácia do procedimento. Qual é o risco de instabilidade respiratória com midazolam? Eventos como dessaturação (47,1%) e apneia (24,4%) ocorreram, mas foram geralmente manejáveis. O uso de midazolam reduz necessidade de ventilação invasiva? Apenas 7,6% necessitaram intubação em 24 horas, indicando possível benefício clínico. Midazolam é superior a outras opções? Ainda não há evidência definitiva; estudos comparativos são necessários. Existe preocupação com efeitos a longo prazo? Sim, há preocupação com possíveis impactos no neurodesenvolvimento, especialmente em prematuros. Deve-se usar sedação rotineira no LISA? A decisão permanece controversa; este estudo apoia o uso, mas não define recomendação universal. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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