Desfecho neurodesenvolvimental após correção aberta de hérnia diafragmática congênita com e sem suporte de ECMO: estudo prospectivo longitudinal Sobre o artigo O estudo aborda os desfechos neurodesenvolvimentais (ND) em crianças com hérnia diafragmática congênita (HDC), uma condição associada a hipoplasia pulmonar e hipertensão pulmonar persistente. Com a redução da mortalidade, as sequelas de longo prazo, especialmente cognitivas, motoras e de linguagem, tornaram-se foco central. Fatores como uso de ECMO, hérnia hepática intratorácica e necessidade de patch estão associados a piores desfechos. A avaliação longitudinal é essencial devido à variabilidade dos déficits ao longo do tempo. Métodos utilizados Estudo prospectivo longitudinal incluindo neonatos submetidos à correção aberta de HDC entre 2009 e 2018 em centro único. Os pacientes foram acompanhados até março de 2022. Foram realizadas avaliações padronizadas do neurodesenvolvimento dos 6 meses até 6 anos utilizando: Bayley Scales of Infant Development (BSID-III) ET 6-6 e ET 6-6-R Desfechos avaliados: cognição, linguagem e função motora. Análise estatística incluiu regressão logística univariada e multivariada para identificação de fatores de risco. Resultados Foram incluídos 278 pacientes (130 com ECMO e 148 sem ECMO), totalizando 784 avaliações. Principais achados: Atrasos cognitivos foram mais frequentes no grupo ECMO, especialmente nos primeiros anos. Não houve diferenças significativas entre grupos para linguagem e função motora. A maioria dos atrasos foi leve e diminuiu ao longo do tempo. Mais de 85% das crianças apresentaram desenvolvimento normal aos 6 anos. Fatores de risco identificados: Reoperação no primeiro ano associada a pior cognição, linguagem expressiva e função motora FETO e uso de patch abdominal associados a atraso motor aos 4 anos Gravidade da doença (ex: fígado intratorácico, necessidade de ECMO) associada a piores desfechos Outros achados: Maior tempo de ventilação, internação e complicações no grupo ECMO Alterações em neuroimagem mais frequentes em pacientes com ECMO Discussão O estudo demonstra que, embora atrasos no neurodesenvolvimento sejam comuns nos primeiros anos de vida em pacientes com HDC, há melhora progressiva ao longo do tempo. O ECMO está associado a maior risco de atraso cognitivo precoce, mas não impacta significativamente linguagem e função motora a longo prazo. Fatores relacionados à gravidade da doença e intervenções cirúrgicas (como reoperações e uso de patch) têm impacto relevante nos desfechos. Os resultados reforçam a importância de: Seguimento longitudinal estruturado Intervenção precoce Otimização da técnica cirúrgica Conclusão A maioria das crianças com HDC apresenta desenvolvimento neuropsicomotor normal até a idade escolar. O uso de ECMO está associado a atrasos cognitivos precoces, mas não compromete significativamente os desfechos globais a longo prazo. Fatores clínicos e cirúrgicos influenciam o risco de atraso, destacando a importância de abordagem multidisciplinar e seguimento sistemático. Insights clínicos O ECMO piora o neurodesenvolvimento a longo prazo? Não de forma global. Está associado a atraso cognitivo precoce, mas a maioria das crianças evolui para normalidade até a idade escolar. Qual domínio é mais afetado inicialmente? A função motora é a mais comprometida nos primeiros meses, seguida da linguagem e cognição. Quais fatores aumentam risco de atraso? Reoperações no primeiro ano, maior gravidade da HDC, uso de patch e intervenções como FETO. Os atrasos são permanentes? Na maioria dos casos, não. Há melhora progressiva com o tempo. Qual a implicação prática para o pediatra/neonatologista? Seguimento longitudinal estruturado é essencial, mesmo em pacientes com evolução inicial favorável. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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