Fraturas em Crianças com Paralisia Cerebral: Revisão Sistemática

Fonte: American Academy of Pediatrics

Fraturas em Crianças com Paralisia Cerebral: Revisão Sistemática Sobre o artigo  A paralisia cerebral (PC) é uma das principais causas de deficiência física na infância e está associada a alterações do desenvolvimento musculoesquelético e redução da resistência óssea. Crianças com PC, especialmente nos níveis III a V do GMFCS, apresentam maior risco de fraturas por fragilidade, frequentemente relacionadas a baixa densidade mineral óssea (DMO), limitação de mobilidade, epilepsia e desnutrição. As fraturas nessa população podem ocorrer precocemente, persistir ao longo da vida e gerar impacto importante na qualidade de vida, hospitalizações e complicações clínicas, incluindo aumento do risco de pneumonia e maior utilização de serviços de saúde. O objetivo desta revisão sistemática foi identificar taxas de fratura, localizações anatômicas mais acometidas e fatores de risco associados em crianças com PC GMFCS III-V. Métodos utilizados Revisão sistemática conduzida conforme as diretrizes PRISMA e registrada no PROSPERO. Foram pesquisadas cinco bases de dados: MEDLINE, Embase, CINAHL, Web of Science e PsycINFO, com busca atualizada até novembro de 2024. Critérios de inclusão: Crianças menores de 18 anos com paralisia cerebral GMFCS III-V; Estudos observacionais, coortes, caso-controle e estudos experimentais; Estudos que reportassem incidência, prevalência, localização ou fatores de risco para fraturas. Foram incluídos 30 estudos após triagem de 2220 publicações. A qualidade metodológica foi avaliada pela Newcastle Ottawa Scale (NOS). Não foi realizada metanálise devido à heterogeneidade metodológica entre os estudos. Resultados Foram incluídos 30 estudos envolvendo crianças e adolescentes com PC predominantemente GMFCS IV-V. Taxa e prevalência de fraturas Taxa de fraturas variou entre 2,2 e 4,8 fraturas por 100 crianças-ano; Prevalência ao longo da vida variou entre 9,4% e 15,5%; Crianças não deambuladoras apresentaram maior risco de fraturas do que crianças deambuladoras. Localização das fraturas 74,7% das fraturas ocorreram em membros inferiores; O fêmur foi o osso mais acometido, representando 54,1% das fraturas de membros inferiores; Fraturas distais de fêmur foram particularmente frequentes; Crianças GMFCS V apresentaram maior incidência de fraturas de membros inferiores e maior necessidade de tratamento cirúrgico. Mecanismo das fraturas A maioria das fraturas foi relacionada a traumas de baixa energia, incluindo: Movimentação durante cuidados diários; Transferências; Sessões de fisioterapia; Convulsões. Principais fatores de risco identificados Forte evidência Baixa densidade mineral óssea; Epilepsia; Alterações nutricionais e desequilíbrio ponderal. Evidência moderada Uso de anticonvulsivantes; Restrição de suporte de peso; Dificuldades alimentares; História prévia de fratura; Idade mais avançada. Discussão A revisão confirma que crianças com PC GMFCS III-V apresentam importante fragilidade óssea e elevada predisposição a fraturas de baixa energia, principalmente em membros inferiores. A baixa DMO foi consistentemente associada ao aumento do risco de fraturas, sugerindo que a fragilidade óssea é um componente central da fisiopatologia. Epilepsia e uso prolongado de anticonvulsivantes também desempenham papel importante, provavelmente por alterações no metabolismo do cálcio e da vitamina D. Aspectos nutricionais mostraram forte impacto clínico. Tanto desnutrição quanto excesso de gordura corporal associaram-se a maior risco de fraturas, possivelmente devido à pior qualidade óssea e muscular. A limitação de atividades com suporte de peso e a ausência de dispositivos ortostáticos foram associadas ao aumento do risco de fratura, reforçando a importância de estratégias de mobilização e fisioterapia motora. Os autores destacam ainda a necessidade de protocolos padronizados de prevenção de fraturas nessa população. Conclusão Crianças com paralisia cerebral GMFCS III-V apresentam alto risco de fraturas por fragilidade, especialmente em membros inferiores e fêmur distal. Os principais fatores associados incluem: Baixa densidade mineral óssea; Epilepsia; Uso de anticonvulsivantes; Limitação de carga; Dificuldades nutricionais. Estratégias preventivas devem incluir: Otimização nutricional; Controle adequado das crises convulsivas; Estímulo à carga óssea e ortostatismo; Monitorização da saúde óssea com DXA quando indicado. Os autores reforçam a necessidade de desenvolvimento de diretrizes clínicas e ferramentas de estratificação de risco para prevenção de fraturas em crianças com PC. Insights clínicos  Crianças com paralisia cerebral têm maior risco de fraturas? Sim. Crianças GMFCS III-V apresentam prevalência elevada de fraturas, principalmente em membros inferiores e associadas à fragilidade óssea. Qual é o principal fator de risco para fraturas nessa população? A baixa densidade mineral óssea foi o fator de risco mais consistentemente associado ao aumento do risco de fraturas. Qual osso é mais acometido? O fêmur, especialmente sua porção distal, foi o local mais frequentemente acometido. A epilepsia aumenta o risco de fraturas? Sim. Crianças com epilepsia apresentaram risco significativamente maior de fraturas. O uso de anticonvulsivantes influencia a saúde óssea? Sim. O uso prolongado de anticonvulsivantes esteve associado a maior risco de fraturas e alterações do metabolismo ósseo. A limitação de carga influencia o risco? Sim. A ausência de suporte de peso e menor ortostatismo aumentaram o risco de fragilidade óssea e fraturas. Quais medidas preventivas são sugeridas? Nutrição adequada, estímulo à carga óssea, fisioterapia motora, controle de epilepsia e monitorização da DMO. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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