Uso de hormônio do crescimento (rhGH) em crianças e adolescentes atletas

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria

Uso de hormônio do crescimento (rhGH) em crianças e adolescentes atletas Sobre o artigo  O documento científico da Sociedade Brasileira de Pediatria discute o uso do hormônio de crescimento recombinante (rhGH) em crianças e adolescentes atletas, abordando suas indicações médicas legítimas, possíveis benefícios metabólicos e estaturais, riscos associados ao uso inadequado e implicações éticas e esportivas relacionadas ao doping. O texto destaca o aumento da procura pelo rhGH em esportes competitivos juvenis e reforça a necessidade de regulamentação e orientação médica adequada. Métodos utilizados Trata-se de um documento científico elaborado pelo Departamento Científico de Endocrinologia da Sociedade Brasileira de Pediatria em conjunto com especialistas em medicina esportiva. O texto baseia-se em revisão narrativa da literatura científica, diretrizes internacionais da World Anti-Doping Agency (WADA), normas da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) e referências atuais sobre terapia com hormônio de crescimento em pediatria e medicina esportiva. Resultados O hormônio do crescimento apresenta efeitos anabólicos importantes, promovendo aumento da massa magra, estímulo do crescimento linear, modulação cardiovascular e alterações metabólicas relacionadas à utilização de lipídios e glicose. Embora o exercício físico aumente fisiologicamente a secreção de GH, as evidências científicas sobre benefício do rhGH na melhora da performance esportiva em indivíduos sem deficiência hormonal permanecem limitadas. Estudos revisados demonstraram aumento de massa magra, porém sem melhora significativa de força muscular. Além disso, foram relatados efeitos adversos como edema, maior produção de lactato e aumento de lesões musculoesqueléticas. O documento reforça que o rhGH é considerado substância proibida pela WADA, sendo classificado como doping tanto em adultos quanto em crianças e adolescentes atletas. Entretanto, existem exceções mediante Autorização de Uso Terapêutico (AUT) em situações clínicas específicas, como deficiência de GH e síndrome de Turner. Foram detalhados os critérios necessários para obtenção da AUT, incluindo avaliação endocrinológica especializada, exames laboratoriais, documentação médica completa e justificativa terapêutica. O texto também descreve as possíveis sanções esportivas e legais relacionadas ao uso irregular do rhGH, incluindo suspensão de atletas, perda de resultados competitivos e punições para médicos e profissionais envolvidos em facilitação de doping. Discussão O documento destaca que a expansão das indicações do rhGH para condições sem deficiência hormonal gerou importante debate ético, especialmente no contexto esportivo competitivo. O uso do hormônio para ganho estatural ou melhora de desempenho em indivíduos sem indicação médica clara pode representar vantagem competitiva injusta e exposição desnecessária a riscos clínicos. A baixa estatura idiopática representa uma área particularmente controversa, pois alguns países autorizam tratamento com rhGH mesmo sem deficiência hormonal comprovada. Nesse contexto, especialistas internacionais propuseram limites terapêuticos visando evitar que o tratamento ultrapasse objetivos médicos e passe a configurar benefício competitivo indevido. Os autores reforçam ainda a importância da educação precoce de atletas, familiares, treinadores e profissionais de saúde sobre os riscos do doping e os potenciais efeitos adversos associados ao uso indiscriminado de substâncias ergogênicas. Conclusão O rhGH possui papel terapêutico fundamental em pacientes pediátricos com deficiência comprovada de hormônio de crescimento e em condições específicas reconhecidas, como síndrome de Turner. Entretanto, seu uso para melhora de performance esportiva ou ganho estatural sem indicação médica adequada configura doping no esporte competitivo. As evidências atuais não demonstram benefício consistente do rhGH sobre desempenho atlético em indivíduos sem deficiência hormonal, enquanto os riscos clínicos e implicações éticas permanecem relevantes. O documento recomenda rigoroso controle médico, observância das normas antidopagem e educação contínua para prevenção do uso abusivo da substância em crianças e adolescentes atletas. Insights clínicos  O uso de rhGH melhora a performance esportiva em atletas sem deficiência hormonal? As evidências científicas atuais não demonstram melhora consistente da força ou desempenho esportivo em indivíduos sem deficiência de GH. Há aumento de massa magra, porém sem benefício funcional claro. O rhGH é considerado doping em crianças e adolescentes? Sim. O rhGH é listado como substância proibida pela WADA e pela ABCD, sendo considerado doping quando utilizado sem indicação médica legítima. Em quais situações o uso de rhGH pode ser permitido em atletas pediátricos? Em casos de condições médicas reconhecidas, como deficiência de GH e síndrome de Turner, mediante concessão de Autorização de Uso Terapêutico (AUT). Quais exames são necessários para solicitação de AUT? São necessários avaliação endocrinológica especializada, IGF-1, avaliação da função hipofisária, ressonância magnética hipotálamo-hipofisária e testes de estímulo do GH em casos selecionados. Quais riscos estão associados ao uso inadequado de rhGH? Os principais riscos incluem edema, aumento de lesões musculares, alterações metabólicas e possível estímulo precoce à cultura de doping em jovens atletas. Médicos podem sofrer sanções por prescrição inadequada de rhGH? Sim. O Código Brasileiro Antidopagem prevê sanções para profissionais envolvidos em facilitação ou prescrição indevida de substâncias proibidas. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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