Torção testicular intrauterina (pré-natal)

Fonte: Springer Nature Link

Torção testicular intrauterina (pré-natal) Sobre o Artigo  A torção testicular intrauterina (TTIU) é uma condição rara da torção testicular perinatal, ocorrendo antes do nascimento e geralmente manifestando-se logo após o parto. Apesar dos avanços diagnósticos, ainda não existe consenso sobre a melhor estratégia de tratamento e seguimento desses pacientes. A literatura sugere que a viabilidade testicular após TTIU é extremamente baixa, mas permanece a discussão sobre o benefício da intervenção cirúrgica precoce. O objetivo deste estudo foi analisar as características clínicas, achados de imagem, estratégias cirúrgicas e taxas de viabilidade testicular em pacientes tratados em um único centro ao longo de 12 anos. Métodos Utilizados Estudo retrospectivo de série de casos realizado em um centro terciário de cirurgia pediátrica. Foram incluídos 17 recém-nascidos submetidos à cirurgia por diagnóstico de torção testicular intrauterina entre janeiro de 2010 e 2023. Foram avaliados: Idade ao diagnóstico Tipo de parto Peso ao nascer Idade materna Presença de anomalias associadas Achados clínicos Ultrassonografia e Doppler pré-operatórios Lado acometido Técnica cirúrgica utilizada Grau e tipo de torção Complicações Achados anatomopatológicos Evolução clínica e ultrassonográfica pós-operatória A análise estatística foi realizada por métodos descritivos utilizando SPSS 20.0. Resultados Foram analisados 17 recém-nascidos com diagnóstico de TTIU. Características clínicas Idade mediana ao diagnóstico: 1 dia de vida 70,6% diagnosticados no primeiro dia após o nascimento Torção à esquerda: 58,8% Torção à direita: 41,2% Nenhum caso bilateral Principais manifestações clínicas: Edema escrotal: 52,9% Endurecimento testicular: 52,9% Equimose escrotal: 17,6% Hiperemia escrotal: 11,8% Aumento testicular: 5,9% Achados de imagem Doppler realizado em 58,8% dos pacientes Ausência de fluxo sanguíneo testicular em todos os exames Líquido peritesticular em 40% dos casos avaliados Tratamento cirúrgico Orquiectomia: 14 pacientes (82,4%) Destorção com orquiopexia: 3 pacientes (17,6%) Orquiopexia profilática contralateral: 4 pacientes (23,5%) Achados intraoperatórios Entre os casos com registro do grau de torção: 360°: 3 casos 540°: 1 caso 720°: 3 casos 810°: 1 caso 1080°: 1 caso Tipo de torção: Extravaginal: 52,9% Intravaginal: 17,6% Evolução Nenhuma complicação cirúrgica registrada Permanência hospitalar média: 2,7 dias Achados anatomopatológicos das orquiectomias: Infarto hemorrágico/necrose: 85,7% Aplasia de células germinativas: 1 caso Fragmentos inflamatórios fibromusculares: 1 caso Todos os três testículos submetidos à destorção e orquiopexia evoluíram para atrofia durante o seguimento ultrassonográfico. Discussão A TTIU permanece uma condição de difícil manejo e com prognóstico desfavorável. Os autores destacam que os fatores de risco ainda não estão completamente esclarecidos, embora tenham sido previamente associados: Diabetes gestacional Macrossomia fetal Gestação múltipla Apresentação pélvica Parto vaginal traumático O diagnóstico pré-natal é raro, sendo a maioria dos casos identificada apenas após o nascimento por exame físico e Doppler. A ultrassonografia Doppler permanece o principal método diagnóstico, especialmente quando demonstra: Ausência de fluxo testicular Heterogeneidade do parênquima Aumento do volume testicular Hidrocele contralateral Sinal do redemoinho ("whirlpool sign") Apesar da recomendação frequente de exploração cirúrgica urgente, os resultados deste estudo reforçam que a taxa de preservação testicular é extremamente baixa. Mesmo os casos submetidos à tentativa de salvamento com destorção e orquiopexia evoluíram para atrofia testicular. Os autores questionam se o momento exato da torção durante a gestação poderia influenciar a viabilidade testicular e sugerem que futuros estudos diferenciem eventos precoces e tardios intrauterinos para melhor definição prognóstica. Conclusão A torção testicular intrauterina continua sendo uma patologia rara com taxas de salvamento testicular próximas de zero. Neste estudo, nenhum testículo permaneceu viável após o seguimento, mesmo quando diagnosticado precocemente e submetido à intervenção cirúrgica urgente. Os resultados reforçam a necessidade de estudos multicêntricos para desenvolvimento de protocolos mais consistentes de diagnóstico e manejo, além da investigação do impacto do momento gestacional da torção sobre a viabilidade testicular. Insights Clínicos A torção testicular intrauterina pode ser revertida com cirurgia precoce? Neste estudo, nenhum dos testículos submetidos à destorção e orquiopexia permaneceu viável durante o seguimento, sugerindo taxa de salvamento extremamente baixa. Qual o principal achado ao Doppler? Ausência de fluxo sanguíneo testicular, encontrada em todos os pacientes submetidos ao exame. A torção ocorre mais frequentemente em qual lado? Houve discreto predomínio do lado esquerdo (58,8%), sem diferença clínica relevante. A torção bilateral foi observada? Não. Todos os casos foram unilaterais. Qual foi o procedimento cirúrgico mais realizado? Orquiectomia, realizada em 82,4% dos pacientes. A ultrassonografia pré-natal diagnostica frequentemente a doença? Não. O diagnóstico antenatal é raro e a maioria dos casos é identificada após o nascimento. Quais sinais clínicos devem aumentar a suspeita de TTIU no recém-nascido? Edema escrotal, endurecimento testicular, hiperemia, aumento testicular, equimose e massa escrotal indolor. A orquiopexia profilática contralateral foi realizada rotineiramente? Não. Foi realizada em apenas 23,5% dos casos, refletindo a preocupação dos autores com possíveis riscos ao testículo saudável. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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