Diagnóstico e Manejo da Candidemia e da Candidíase Invasiva em Neonatos e Crianças Sobre o Artigo A candidemia e a candidíase invasiva (CI) representam importantes causas de morbidade e mortalidade em neonatos prematuros, crianças imunocomprometidas, pacientes críticos e receptores de transplantes. A apresentação clínica frequentemente é indistinguível da sepse bacteriana, tornando o diagnóstico precoce um desafio. Os principais agentes etiológicos continuam sendo Candida albicans e Candida parapsilosis, embora haja crescente preocupação com o aumento de infecções por Candida auris e cepas resistentes ao fluconazol. O artigo resume as recomendações mais recentes das diretrizes globais para diagnóstico e tratamento da candidemia e candidíase invasiva na população pediátrica e neonatal. Métodos Utilizados Trata-se de uma revisão narrativa elaborada por especialistas da European Society for Paediatric Infectious Diseases (ESPID), baseada nas diretrizes globais recentemente publicadas para diagnóstico e manejo da candidíase. Os autores sintetizam evidências disponíveis sobre: Epidemiologia da candidemia pediátrica e neonatal; Métodos diagnósticos convencionais e moleculares; Estratégias de profilaxia antifúngica; Tratamento da candidemia e candidíase invasiva; Medidas de prevenção e controle de infecção. Resultados Diagnóstico em crianças Hemoculturas permanecem padrão-ouro para candidemia. A sensibilidade das hemoculturas é limitada, aproximadamente 40%. Métodos moleculares apresentam utilidade complementar. O teste T2Candida demonstrou sensibilidade entre 80% e 100% e especificidade entre 94,1% e 97,1%, com resultado em poucas horas. O beta-D-glucano sérico não é recomendado para diagnóstico de candidíase invasiva pediátrica devido ao baixo valor preditivo positivo. Diagnóstico em neonatos O quadro clínico é semelhante à sepse bacteriana tardia. A sensibilidade das hemoculturas é reduzida pela limitação de volume sanguíneo coletado. PCR pode auxiliar no diagnóstico. Beta-D-glucano sérico não é recomendado rotineiramente. Após confirmação de candidemia, recomenda-se investigação de disseminação para sistema nervoso central, olhos, coração, rins e outros órgãos. Profilaxia Crianças Fluconazol profilático pode ser considerado em: Pacientes de UTI pediátrica de alto risco; Receptores de transplante hepático; Receptores de transplante intestinal ou pancreático. Pacientes com leucemia mieloide aguda, leucemia linfoblástica de alto risco e transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas devem receber profilaxia com cobertura para fungos filamentosos, sendo o posaconazol a principal recomendação. Neonatos Fluconazol profilático é fortemente recomendado para recém-nascidos extremamente prematuros (<1000 g) em unidades com incidência de CI superior a 2% e baixa resistência ao fluconazol. Nistatina pode ser utilizada como alternativa em cenários com maior resistência. Tratamento Crianças Equinocandinas ou anfotericina B lipossomal são recomendadas como primeira linha. Tratamento deve continuar por pelo menos 14 dias após negativação das hemoculturas. Candidíase do sistema nervoso central requer anfotericina B lipossomal com ou sem flucitosina. Endocardite por Candida exige tratamento mínimo de 12 semanas. Neonatos Primeira linha: Anfotericina B desoxicolato; Anfotericina B lipossomal; Micafungina; Caspofungina. Fluconazol permanece opção válida em pacientes sem exposição prévia a azóis e em locais com baixa resistência. Discussão O principal desafio clínico continua sendo o reconhecimento precoce da doença, uma vez que seus sinais e sintomas são inespecíficos. A identificação dos pacientes de alto risco permite investigação diagnóstica e tratamento oportunos, reduzindo complicações e mortalidade. Os autores destacam diferenças epidemiológicas importantes entre países de alta renda e países de baixa e média renda, exigindo adaptação local das estratégias preventivas. Outro ponto relevante é o aumento de espécies resistentes, especialmente Candida auris e cepas de C. parapsilosis resistentes ao fluconazol, reforçando a necessidade de vigilância microbiológica e programas robustos de controle de infecção hospitalar. Conclusão A candidemia e a candidíase invasiva permanecem infecções graves em neonatos e crianças vulneráveis. O sucesso terapêutico depende de: Reconhecimento precoce dos fatores de risco; Diagnóstico rápido e preciso; Início oportuno da terapia antifúngica adequada; Remoção de dispositivos invasivos quando indicado; Controle do foco infeccioso; Implementação rigorosa de medidas de prevenção e controle de infecção. As diretrizes globais atuais fornecem um importante referencial para adaptação das condutas às diferentes realidades epidemiológicas ao redor do mundo. Insights Clínicos Quais neonatos apresentam maior risco de candidíase invasiva? Recém-nascidos extremamente prematuros, especialmente aqueles com peso inferior a 1000 g, uso prolongado de antibióticos de amplo espectro, nutrição parenteral e necessidade de procedimentos invasivos. O beta-D-glucano deve ser utilizado rotineiramente em neonatos e crianças? Não. As evidências atuais não sustentam seu uso rotineiro devido à baixa acurácia diagnóstica. Qual exame permanece como padrão-ouro para diagnóstico de candidemia? A hemocultura continua sendo o método diagnóstico padrão-ouro. Quando investigar acometimento disseminado em neonatos? Sempre que houver diagnóstico de candidemia, incluindo avaliação oftalmológica, ecocardiograma, punção lombar, ultrassonografia abdominal e neuroimagem quando indicado. Qual é a terapia antifúngica inicial recomendada para candidemia pediátrica? Equinocandinas ou anfotericina B lipossomal são as opções preferenciais de primeira linha. Quanto tempo deve durar o tratamento da candidemia? Pelo menos 14 dias após documentação de clearance da corrente sanguínea por meio de hemoculturas negativas. Quando indicar profilaxia com fluconazol em neonatos? Em unidades neonatais com incidência de candidíase invasiva superior a 2% e baixa resistência ao fluconazol, especialmente para recém-nascidos com peso inferior a 1000 g. Qual é a principal preocupação epidemiológica atual relacionada à Candida? O aumento global de infecções por Candida auris e o crescimento da resistência ao fluconazol em algumas espécies de Candida. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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