Faltering weight: diretriz AAP/NASPGHAN substitui failure to thrive e desaconselha a investigação de rotina

Fonte: aap experience 2026

Cobertura NeoPedHub · AAP Experience 2026, San Diego · Sessão de 2 de outubro de 2026 Por Drª Jasmin Pacheco (CRM 521291114), Drª Maria Paula Aquino (CRM 521285629) e equipe NeoPed HUB. Em resumo: a diretriz de prática clínica da American Academy of Pediatrics e da NASPGHAN, apresentada no AAP Experience 2026 em San Diego, substitui o termo “failure to thrive” por “faltering weight”, define o quadro em z-escores e recomenda não solicitar exames diagnósticos nem endoscopia na avaliação inicial da criança sem achados que indiquem avaliação focal. O aumento da oferta de calorias recebeu recomendação forte. O que é faltering weight? Faltering weight é o termo adotado pela AAP e pela NASPGHAN no lugar de failure to thrive, o déficit ponderal. Basta um destes critérios: Peso para comprimento ou IMC para idade abaixo de −1,65 z-escore (percentil 5). Em menores de 2 anos, velocidade de ganho ponderal abaixo de −2 z-escore para a idade. Queda de 1 z-escore ou mais no peso, no peso para comprimento ou no IMC. Como medir a criança corretamente? Dois dos três critérios dependem do comprimento ou da estatura, por isso a diretriz detalha a técnica: Até os 23 meses: comprimento deitado, em infantômetro. A partir dos 2 anos: estatura em estadiômetro. Peso em balança digital, sem roupa nos menores de 2 anos. Quando investigar a criança com faltering weight? Sem sinais, sintomas ou achados que indiquem avaliação focal, a recomendação é forte contra exames diagnósticos e contra endoscopia na rotina inicial. Com esses achados, ou com faltering weight persistente, a diretriz sugere investigar. Nesses casos, a endoscopia deve incluir biópsia, e o encaminhamento, quando necessário, deve ser ao gastroenterologista pediátrico. Qual é a conduta recomendada? O aumento da oferta de calorias e energia recebeu recomendação forte. A diretriz sugere não usar o nível socioeconômico como fator de risco atribuído ao diagnóstico, mas incentiva a vigilância de determinantes sociais de saúde em todas as consultas. E nas populações especiais? Na discussão, o palestrante orientou cautela em crianças grandes para a idade gestacional e em síndromes genéticas. Na paralisia cerebral com GMFCS 4 e 5, a orientação foi usar curvas específicas baseadas apenas no peso. O que muda no consultório Adotar o termo faltering weight. Usar z-escores antropométricos na avaliação do crescimento. Reservar exames e endoscopia para a criança com achados que indiquem avaliação focal ou com faltering weight persistente. Limitações Todas as recomendações apresentadas, inclusive as fortes, apoiam-se em evidência de muito baixa certeza. O material da aula não traz metas calóricas. O algoritmo, as tabelas de velocidade de ganho ponderal e os demais recursos de implementação estão na página da diretriz. Perguntas frequentes Faltering weight é o mesmo que failure to thrive? É o termo que substitui failure to thrive na diretriz AAP/NASPGHAN. Além do nome, muda a definição, que passa a ser feita por z-escores. Qual o ponto de corte de z-escore para faltering weight? Peso para comprimento ou IMC para idade abaixo de −1,65 z-escore (percentil 5). Em menores de 2 anos, também conta a velocidade de ganho ponderal abaixo de −2 z-escore, e em qualquer idade, a queda de 1 z-escore ou mais. Precisa pedir exames na criança com faltering weight? Na avaliação inicial, sem sinais, sintomas ou achados que indiquem avaliação focal, não. A diretriz faz recomendação forte contra exames diagnósticos e endoscopia de rotina nesse cenário. A diretriz traz meta calórica? O material da aula não traz metas calóricas. A recomendação forte é aumentar a oferta de calorias e energia, e os recursos de implementação estão na página da diretriz. Fontes Aula “Faltering Weight”, AAP Experience 2026: National Conference & Exhibition, San Diego, 2 de outubro de 2026 (anotações e slides). AAP. Clinical Practice Guideline for Diagnosis and Management of Faltering Weight. Texto da diretriz: doi.org/10.1542/peds.2025-075764. Leia também: Food is Medicine: insegurança alimentar na infância · Testes genéticos: quando pedir exoma em trio A aula completa, em vídeo, chega em breve.

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