Cobertura NeoPedHub · AAP Experience 2026, San Diego · Fórum de obesidade, painel 1, 2 de outubro de 2026 Por Drª Jasmin Pacheco (CRM 521291114), Drª Maria Paula Aquino (CRM 521285629) e equipe NeoPed HUB. Em resumo: entre crianças e adolescentes inscritos em um programa norte-americano de prescrição de alimentos frescos, 76,5% dos que tinham IMC registrado apresentavam obesidade e 50,0%, obesidade grave. O dado foi apresentado em 2 de outubro, no painel Food is Medicine do fórum de obesidade do AAP Experience 2026, em San Diego. O painel reuniu dois trabalhos sobre o alimento como parte do cuidado: um na clínica, outro na escola. Qual o risco cardiometabólico de crianças em programas de acesso a alimentos? A coorte retrospectiva de Nicole Miller (Duke) vinculou os registros do programa ao prontuário eletrônico de participantes de 3 a 18 anos, entre março de 2020 e dezembro de 2024. Os achados foram: Excesso de peso: 86,3%. Obesidade: 76,5%, sendo 50,0% obesidade grave. A1c na faixa de pré-diabetes: 33,6% (n = 110). HDL baixo: 34,5% (n = 84). Triglicerídeos limítrofes ou altos: 44,5% (n = 36). ALT elevada: 9,8% (n = 123). Os percentuais referem-se apenas a quem tinha cada dado registrado. Hortas escolares ajudam a prevenir a obesidade? A revisão sistemática com metanálise de Sasrika Rajan reuniu 10 estudos e 14.883 crianças e adolescentes de 8 países. Os efeitos mais consistentes foram psicossociais: redução da neofobia alimentar e aumento da autoeficácia e do conhecimento em nutrição. O consumo de frutas e vegetais mostrou tendência favorável, sem significância estatística (SMD +0,15; IC 95% −0,02 a 0,32; p = 0,08; I² = 63,6%). O efeito agregado sobre o IMC foi modesto e heterogêneo. A autora descreveu as hortas como componente comportamental escalável da prevenção, e não como intervenção para reduzir o IMC no curto prazo. O que muda no consultório Os dois trabalhos apontam na mesma direção: a recomendação alimentar precisa considerar o acesso. A autora do estudo de coorte propôs: Rastrear insegurança alimentar de rotina. Conectar as famílias a programas de acesso a alimentos. Perguntar, antes de orientar, se a família consegue seguir o que foi recomendado. Limitações Os dados da coorte são descritivos e basais, de um único programa, e ainda não há resultados de desfecho. A revisão das hortas tem heterogeneidade substancial e poucos estudos agrupáveis. Perguntas frequentes O que é prescrição de alimentos frescos? São programas (produce prescription) que conectam famílias a frutas e vegetais a partir do serviço de saúde. No programa analisado no AAP 2026, 76,5% dos participantes com IMC registrado tinham obesidade. Qual a frequência de pré-diabetes nessas crianças? Na coorte apresentada, 33,6% dos participantes com A1c registrada (n = 110) estavam na faixa de pré-diabetes. Hortas escolares reduzem o IMC? Não de forma consistente. Na revisão apresentada, com 10 estudos e 14.883 crianças, o efeito sobre o IMC foi modesto e heterogêneo; os efeitos mais consistentes foram psicossociais. Por que rastrear insegurança alimentar no consultório? Porque a recomendação alimentar depende do acesso. A autora propôs rastrear de rotina e perguntar, antes de orientar, se a família consegue seguir o que foi recomendado. Fontes Rajan S. Targeting Food Neophobia and BMI Stabilization: A Systematic Review and Meta-Analysis of School-Based Gardening as a Scalable Pediatric Intervention. AAP Experience 2026, sessão C1011, painel 1. PROSPERO CRD420261346246. Miller N. Cardiometabolic Risk Burden of Pediatric Participants Enrolled in a Produce Prescription Program. AAP Experience 2026, sessão C1011, painel 1. Davis JN, et al. Int J Behav Nutr Phys Act. 2021;18(1). DOI. Hampl SE, et al. Pediatrics. 2023;151(2):e2022060640. Leia também: Painel 2: triagem de transtorno alimentar antes de tratar a obesidade · Painel 3: GLP-1 e cirurgia bariátrica em adolescentes A aula completa, em vídeo, chega em breve.
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