AAP Atualiza Diretriz para Infecção do Trato Urinário em Crianças: Confira as Novas Recomendações A American Academy of Pediatrics (AAP) acaba de publicar a atualização do seu Clinical Practice Guideline para o diagnóstico e manejo da Infecção do Trato Urinário (ITU) em pediatria. Publicada na edição de outubro de 2026 da revista Pediatrics, a nova diretriz amplia a faixa etária de cobertura, que agora engloba recém-nascidos e crianças de 8 dias a 5 anos de idade, e traz mudanças importantes para a prática clínica em consultórios, pronto-socorros e enfermarias. Entre as principais inovações, o documento reforça o uso de tratamentos mais curtos, desencoraja exames invasivos de rotina no primeiro episódio da doença e remove completamente a raça das calculadoras e estratificações de risco. Confira abaixo os destaques da nova diretriz para atualizar a sua conduta no NeoPedHub. 1. Avaliação Médica Agilizada: Janela de 72 Horas A diretriz orienta que crianças não complexas com febre sem foco (de 2 a 24 meses) ou com sintomas miccionais sugestivos (de 2 a 5 anos) sejam avaliadas em até 72 horas do início dos sintomas. Casos de alto risco: Para pacientes com histórico de hidronefrose, refluxo vesicoureteral (RVU), ITU febril prévia ou sinais de pielonefrite (como dor em flanco), a investigação deve ser acelerada para minimizar o risco de lesão e cicatriz renal. 2. Tratamento Antibiótico Mais Curto (≤ 7 dias) Buscando o uso racional de antimicrobianos e a redução de efeitos adversos, a AAP recomenda esquemas terapêuticos mais curtos em comparação às diretrizes anteriores: Cistite não febril (≥ 2 anos, sem anomalias anatômicas): Tratamento de 3 a 5 dias. ITU em lactentes (2 a 24 meses) ou Pielonefrite (≥ 2 anos): Tratamento de 5 a 7 dias. Tratamento prolongado (7 a 14 dias): Reservado para recém-nascidos (8 a 60 dias), pacientes com anomalias geniturinárias conhecidas, bacteremia associada ou ausência de resposta clínica. 3. Prioridade para a Via Oral e Descalonamento Precoce Para crianças com mais de 28 dias capazes de tolerar medicação via oral, a via oral ambulatorial é fortemente recomendada, evitando internações desnecessárias, dor por punção venosa e riscos de infecção de correntes sanguíneas associadas a cateteres. Lactentes de 8 a 28 dias: A orientação é iniciar com antibioticoterapia parenteral e realizar o descalonamento para a via oral assim que houver melhora clínica. 4. Ultrassonografia Renal (USRV) no 1º Episódio Febril A realização da Ultrassonografia Renal e Vesical (USRV) continua indicada para todas as crianças menores de 5 anos após o primeiro episódio de ITU febril. No entanto, o painel enfatiza que o objetivo principal da ultrassonografia é detectar anomalias anatômicas e estruturais (como obstruções), e não diagnosticar o Refluxo Vesicoureteral (RVU), uma vez que a USRV apresenta baixa sensibilidade para a detecção isolada do refluxo. 5. Uretrocistografia Miccional (UCM): Fim do Uso de Rotina A Uretrocistografia Miccional (UCM) não deve ser solicitada de rotina após um primeiro episódio de ITU febril em crianças com ultrassonografia normal. Quando solicitar a UCM? Se houver alterações clinicamente relevantes identificadas na USRV. Em crianças com segundo episódio de ITU febril. Exceções no 1º episódio: Pode ser considerada em populações específicas de maior risco, como infecções por patógenos diferentes de E. coli, choque séptico ou em recém-nascidos menores de 1 mês. 6. Antibioprofilaxia Contínua (PAC) no Refluxo Vesicoureteral A indicação da Antibioprofilaxia Contínua (PAC) foi reestruturada de acordo com o risco do paciente: RVU de Baixo Risco (Graus I e II, sem disfunção vésico-intestinal): A AAP desencoraja o uso rotineiro de profilaxia. RVU de Risco Intermediário (Grau III): A decisão deve ser tomada de forma individualizada, por meio de decisão compartilhada com a família. RVU de Alto Risco (Graus IV e V, refluxo intra-renal, cicatrizes renais ou DVI): A profilaxia pode ser mantida e o paciente deve ser acompanhado em parceria com a urologia ou nefrologia pediátrica. 7. Avaliação Obrigatória da Disfunção Vésico-Intestinal (DVI) A diretriz destaca que a Disfunção Vésico-Intestinal (DVI) e a constipação são fatores de risco significativos para o desenvolvimento de ITUs de repetição. A avaliação da rotina miccional e intestinal deve fazer parte do exame clínico de rotina, e o tratamento adequado da constipação é fundamental no manejo profilático dessas crianças. Para conferir o texto completo e os detalhes das evidências GRADE da AAP, acesse o artigo original em Pediatrics (Vol. 158, Issue 4, October 2026).
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