Uso racional de antibióticos em pediatria | AAP 2026

Fonte: aap experience 2026

Antimicrobianos em pediatria: resistência em mudança e menos antibiótico desnecessário ESBL, Mycoplasma, alergia à penicilina e cursos curtos: a atualização do AAP 2026 Por Drª Jasmin Pacheco (CRM 521291114), Drª Maria Paula Aquino (CRM 521285629) e equipe NeoPed HUB. Em resumo: no quarto dia do AAP Experience 2026, em San Diego, em 5 de outubro, a sessão de atualização em antimicrobianos mostrou que MRSA e VRE estão em queda, mas a E. coli produtora de ESBL preocupa. A sessão também reforçou estratégias para reduzir antibiótico desnecessário na pediatria ambulatorial: observação no Mycoplasma leve, revisão dos rótulos de alergia à penicilina e cursos mais curtos. A resistência bacteriana está aumentando nas crianças? Depende do germe. MRSA e VRE estão em queda. Já a resistência de E. coli às cefalosporinas de amplo espectro cresceu nos últimos 10 anos, com plasmídeos que conferem resistência a antibióticos orais e intravenosos. Qual a frequência de ESBL na infecção urinária da criança? Varia muito conforme o lugar. Em dados dos EUA, a ESBL na infecção urinária pediátrica caiu de 6%, em 2017, para 4%. Um hospital universitário brasileiro, porém, relatou 16% em menores de 1 ano. Viagens e alimentos espalham a colonização, e as fluoroquinolonas selecionam ESBL. Por isso, conhecer o antibiograma local é o ponto de partida. Todo Mycoplasma precisa de azitromicina? Não automaticamente. O surto de 2024 multiplicou os casos por 4 a 5, sem aumento de gravidade, e o uso de azitromicina em infecções respiratórias subiu de 4% para 20%. O benefício do macrolídeo nos casos leves é incerto, e os palestrantes defenderam decisão compartilhada e observação nos quadros leves. Diagnóstico: a PCR de orofaringe é o melhor teste. Resistência: a resistência a macrolídeos está crescendo. Internados: em um ensaio chinês, a prednisolona precoce encurtou a febre e o tempo de internação. Infecção osteoarticular precisa de cobertura anti-MRSA? Não de rotina. Em mais de 15.000 casos de infecção osteoarticular, 17% eram por MRSA, mas 60% das crianças receberam cobertura anti-MRSA. Como lidar com o rótulo de alergia à penicilina? Revisando. Cerca de 90% dos rótulos de alergia à penicilina podem ser retirados com segurança, sobretudo quando a história é de exantema tardio sem sinais sistêmicos. Cursos curtos de antibiótico funcionam na criança? Sim, em quadros selecionados. No ensaio SCOUT-CAP, com 380 crianças de 6 meses a 5 anos tratadas em ambulatório por pneumonia não complicada e em melhora, 5 dias de antibiótico foram superiores a 10: a resposta clínica foi semelhante, com menos dias de antibiótico. A nova diretriz da AAP para infecção urinária também recomenda cursos mais curtos. O que muda no consultório Conhecer o antibiograma local para infecção urinária. Evitar fluoroquinolonas. Não prescrever macrolídeo automaticamente no Mycoplasma leve. Questionar a cobertura anti-MRSA de rotina na infecção osteoarticular. Revisar os rótulos de alergia à penicilina. Encurtar o curso de antibiótico quando a evolução permite. Limitações Parte das condutas, como a observação no Mycoplasma leve, é opinião dos palestrantes. A maioria dos dados é norte-americana, e o estudo de infecção osteoarticular e o ensaio com prednisolona foram citados sem referência completa. Perguntas frequentes O que aumenta o risco de ESBL na infecção urinária da criança? Segundo a sessão, viagens e alimentos espalham a colonização por ESBL, e o uso de fluoroquinolonas a seleciona. A frequência varia: 4% em dados dos EUA e 16% em menores de 1 ano em um hospital universitário brasileiro. Criança com Mycoplasma leve precisa de azitromicina? Não automaticamente. O benefício do macrolídeo nos casos leves é incerto, e os palestrantes defenderam decisão compartilhada e observação. A maioria das crianças com alergia à penicilina é alérgica de verdade? Não. Cerca de 90% dos rótulos podem ser retirados com segurança, sobretudo nos exantemas tardios sem sinais sistêmicos. 5 dias de antibiótico bastam na pneumonia da criança? Na pneumonia não complicada e em melhora, sim. No SCOUT-CAP, com crianças de 6 meses a 5 anos, 5 dias foram superiores a 10. Fontes Sessão “Antimicrobial update”, AAP Experience 2026: National Conference & Exhibition, San Diego, 5 de outubro de 2026 (anotações da aula). Williams DJ, et al. Short- vs Standard-Course Outpatient Antibiotic Therapy for Community-Acquired Pneumonia in Children: The SCOUT-CAP Randomized Clinical Trial. JAMA Pediatr. 2022. Citados sem referência completa: diretriz da AAP para infecção urinária (setembro de 2026); estudo de infecção osteoarticular (Pediatrics); ensaio chinês com prednisolona no Mycoplasma. Leia também: Pneumonia comunitária na criança · Dilatação do trato urinário e profilaxia antibiótica A aula completa, em vídeo, chega em breve.

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