Hidradenite supurativa na infância: quantas comorbidades estão associadas?

Crianças com HS têm risco aumentado de doenças metabólicas, psiquiátricas e autoimunes A hidradenite supurativa (HS) é frequentemente subdiagnosticada em crianças, mas seus impactos vão além da pele. Esta meta-análise identificou uma alta prevalência de comorbidades sistêmicas em pacientes pediátricos com HS, destacando a importância de uma abordagem multidisciplinar.
Fonte: JAMA Network

Objetivo do estudo

Avaliar a prevalência e os tipos de comorbidades associadas à HS em crianças e adolescentes, com base em estudos observacionais publicados.

Metodologia

Revisão sistemática e meta-análise de 15 estudos com 6.453 pacientes pediátricos com HS.

Critérios: idade <21 anos, diagnóstico clínico de HS, comorbidades documentadas.

Comorbidades agrupadas em 9 categorias: metabólicas, psiquiátricas, autoimunes, infecciosas, entre outras.

Modelos de efeitos aleatórios usados para estimativa de prevalência combinada.

Principais achados

Prevalências combinadas mais altas:

Obesidade: 32,4%.

Depressão: 17,3%.

Síndrome metabólica: 16,6%.

Transtornos de ansiedade: 12,7%.

Diabetes tipo 2: 8,7%.

Doenças autoimunes (ex.: Crohn): 6,4%.

Em comparação com controles saudáveis, pacientes com HS apresentaram risco significativamente maior para todas as comorbidades listadas.

A obesidade foi o fator mais fortemente associado, potencialmente agravando a gravidade da HS.

Discussão e implicações clínicas

A HS pediátrica deve ser entendida como uma condição inflamatória sistêmica, e não apenas cutânea.

A triagem para distúrbios metabólicos e psiquiátricos deve ser sistemática.

Pode haver necessidade de encaminhamento precoce para endocrinologia, gastroenterologia, psiquiatria e nutrição.

Recomendações para a prática

Em pacientes com HS, realizar avaliação para:

IMC e síndrome metabólica.

Transtornos de humor e ansiedade.

Doenças autoimunes intestinais e articulares.

Estabelecer acompanhamento multiprofissional desde o diagnóstico.

Educar famílias sobre a natureza crônica, sistêmica e potencialmente debilitante da HS.

A HS na infância é mais do que um problema de pele: envolve risco aumentado de comorbidades severas e exige cuidado clínico ampliado.

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