Apresentação do Caso
RN feminino, 2800g, nascida de parto cesáreo por sofrimento fetal, Apgar 6/10 e 8/10.
Alimentação iniciada precocemente, sem intercorrências.
Ao 20º hora de vida: episódio de vômito, seguida por sangramento oral e nasal significativo.
Encaminhada para UTI neonatal com choque hipovolêmico.
Investigação inicial sem evidências de coagulopatia, sepse ou malformações.
Diagnóstico diferencial considerado:
Sangue deglutido do parto.
Doença hemorrágica do RN.
Sepse com CIVD.
Volvo com malrotação intestinal.
Perfuração gástrica.
Malformações vasculares.
Diagnóstico final:
Trauma gástrico iatrogênico após lavagem gástrica e aspiração nasogástrica.
Confirmado por endoscopia: coágulo no fundo gástrico, mucosa normal.
Lições clínicas
Lesões gástricas iatrogênicas são subdiagnosticadas e frequentemente associadas à introdução inadequada de sondas.
Lavagem gástrica deve ser evitada como prática rotineira em RN a termo saudáveis.
O manejo correto inclui: estabilização hemodinâmica, infusão de PPI IV (omeprazol), alimentação progressiva por sonda orogástrica, sem necessidade de cirurgia.
Recomendações práticas
Revisar protocolos de inserção e uso de sondas nasogástricas.
Evitar lavagens gástricas para avaliação de aspirado pré-refeição.
Capacitação contínua da equipe em habilidades básicas e procedimentos comuns de UTI neonatal.
O caso reforça a importância da cautela em procedimentos simples e a necessidade de abordagens clínicas baseadas em evidência.
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