Objetivo do estudo
Explorar qualitativamente as preocupações dos pais sobre o futuro de seus filhos com DM1, com foco em seis domínios de vida, especialmente a independência.
Metodologia
15 pais de 11 crianças com DM1 (5–14 anos), acompanhadas no UZ Leuven.
Entrevistas online semiestruturadas baseadas em 6 temas:
Amizades.
Relacionamentos.
Independência.
Trabalho.
Saúde futura.
Finanças.
Análise qualitativa com abordagem fenomenológica (QUAGOL).
Resultados principais
A independência foi a preocupação mais dominante:
80% dos pais relataram preocupação de moderada a intensa.
Três categorias principais de fatores influentes:
Relacionados ao diabetes: controle glicêmico, risco de hipoglicemia, vigilância parental constante.
Relacionados à criança: idade, puberdade, comorbidades, histórico clínico.
Relacionados ao ambiente: suporte médico, contexto social e uso de tecnologias (CGM, apps).
Medos frequentes:
“E se ele dormir sozinho e tiver uma hipoglicemia?”
“Ela vai lembrar de se monitorar na escola?”
“Como vou saber se estão cuidando bem dele quando eu não estiver por perto?”
Discussão e implicações clínicas
O medo de hipoglicemia e o controle sobre o autocuidado são centrais nas angústias parentais.
A transição da responsabilidade do cuidado para a criança é um processo difícil, emocionalmente carregado.
A presença de apoio tecnológico, social e institucional reduz parcialmente essas ansiedades.
Recomendações para a prática clínica
Incluir pais em programas de educação terapêutica com foco em autonomia progressiva.
Abordar medos sobre o futuro nas consultas de rotina.
Estimular o uso de tecnologias de monitoramento contínuo e compartilhar dados com familiares.
Integrar apoio psicológico e orientação familiar como parte do cuidado padrão do DM1 pediátrico.
Pais de crianças com DM1 precisam tanto de informação quanto de acolhimento. Ouvir suas preocupações e preparar o caminho para a autonomia segura de seus filhos é tão vital quanto controlar a glicemia.
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