Objetivo do estudo
Determinar a prevalência global de comprometimento neurodesenvolvimental (NDI) em prematuros com BPD e identificar fatores de risco clínicos associados.
Metodologia
Revisão sistemática de 59 estudos envolvendo 35.401 prematuros com BPD.
Comprometimento NDI definido como:
Escores baixos nas Escalas de Bayley.
Paralisia cerebral.
Surdez ou cegueira.
Análises de subgrupos e meta-regressão para identificação de variáveis associadas.
Principais achados
Prevalência:
36,3% dos prematuros com BPD apresentaram NDI.
Taxa aumentou com a gravidade da BPD:
Leve: 22%.
Moderada: 36%.
Grave: 56%.
Fatores de risco significativos:
Menor idade gestacional e peso ao nascer.
Sexo masculino.
Presença de hemorragia intraventricular grau III/IV.
Leucomalácia periventricular.
Infecção neonatal grave.
BPD grave + retinopatia da prematuridade aumentam risco sinergicamente.
A gravidade da BPD foi o preditor mais forte de NDI em todas as análises.
O risco permanece mesmo após ajustes para outras comorbidades da prematuridade.
Discussão e implicações clínicas
A associação entre BPD e NDI é forte, consistente e dose-dependente.
O manejo da BPD deve considerar estratégias de proteção cerebral paralelas.
Os achados reforçam a urgência de protocolos de seguimento neurológico estruturado em pacientes com BPD.
Recomendações práticas
Implementar triagem neurológica sistemática em todos os bebês com BPD.
Priorizar intervenções precoces em pacientes com BPD moderada a grave.
Integrar cuidados respiratórios e neurológicos no seguimento ambulatorial.
Investir em medidas preventivas para BPD ainda na UTIN (ventilação gentil, nutrição, prevenção de infecção).
O risco de NDI em prematuros com displasia broncopulmonar é elevado e exige um modelo de cuidado integrado, contínuo e orientado por evidência.
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