Objetivo do estudo
Definir os percentis de referência da rScO2 entre 6 e 72 horas de vida em prematuros <32 semanas, livres de comorbidades cerebrais, usando sensores neonatais adequados.
Metodologia
Coorte observacional em hospital terciário na Croácia (2018–2022).
114 RN prematuros, sem lesão cerebral à USG e sem malformações.
Monitorização com NIRS contínua de 6h até 72h de vida.
Regressão quantílica para construção dos percentis (5, 10, 50, 90, 95).
Subgrupos por idade gestacional (IG):
<28 semanas (EP).
28–30 semanas (VP28–30w).
30,1–32 semanas (VP>30–32w).
Principais achados
Tendência temporal da mediana rScO2:
6h: 75,6%.
24h: 79,5%.
48h: >80%, tendência de estabilização.
Valor mínimo (percentil 5):
56,3% às 6h no grupo EP (ainda acima do limiar crítico de hipóxia).
Diferenças por grupo de IG:
VP>30–32w teve rScO2 mais altas e estáveis após 24h.
Diferença significativa entre grupos em 48h (p=0,008) e 72h (p=0,011).
Suporte respiratório:
RN com CPAP nasal apresentaram rScO2 mais altas que os ventilados.
Diferença significativa somente às 72h (p=0,006).
Implicações clínicas
As curvas de referência da rScO2 podem orientar melhor a interpretação clínica da monitorização NIRS.
Evita intervenções desnecessárias ou atrasadas em prematuros vulneráveis.
Sensores específicos para neonatos são fundamentais para a acurácia das medições.
Recomendações práticas
Utilize sensores neonatais apropriados para rScO2 em prematuros <32s.
Atenção especial às primeiras 48h, quando a rScO2 tende a subir naturalmente.
Considerar as curvas de referência por faixa gestacional para tomada de decisão clínica.
Incorporar NIRS como ferramenta adicional de monitoramento cerebral nas UTIs neonatais.
Este estudo contribui significativamente para a padronização da monitorização cerebral não invasiva e personalizada nos primeiros dias de vida dos prematuros.
Em breve: novas edições da Neoped com foco em tecnologia aplicada à neuroproteção neonatal.


