Craniossinostose: reconhecer pelo exame e encaminhar até os 3 meses Formato da cabeça do bebê: deformação posicional ou craniossinostose? Por Drª Jasmin Pacheco (CRM 521291114), Drª Maria Paula Aquino (CRM 521285629) e equipe NeoPed HUB. Em resumo: na aula sobre formatos cranianos no lactente do AAP Experience 2026, em San Diego, em 3 de outubro, o alerta foi de tempo. 51% dos pediatras encaminham a craniossinostose com 4 meses ou mais, quando a correção endoscópica, menos invasiva e ideal aos 2 a 3 meses, já pode não ser possível. O motivo mais comum do atraso é a falta de reconhecimento, e o exame físico, com a cabeça vista de cima, é a melhor ferramenta. Por que cada craniossinostose tem um formato típico? Pela Lei de Virchow, a sutura fusionada restringe o crescimento perpendicular a ela e provoca crescimento compensatório paralelo. Por isso, cada sutura produz um formato previsível: Sagital: escafocefalia. Metópica: trigonocefalia. Unicoronal: plagiocefalia anterior. Lambdoide: plagiocefalia posterior, com abaulamento da mastoide. Como reconhecer a deformação posicional? A deformação posicional afeta 20% a 50% dos lactentes aos 6 meses. Ela começa após o nascimento, em 80% dos casos entre 4 e 12 semanas, mantém as suturas abertas e, vista de cima, dá à cabeça formato de paralelogramo. O torcicolo aparece em 15% a 20% dos casos. A deformação não afeta o cérebro e não precisa de imagem. Qual o tratamento da plagiocefalia posicional? Reposicionamento até os 4 a 5 meses. Fisioterapia, se houver torcicolo. Capacete aos 7 a 9 meses, se o reposicionamento falhar. A terapia ativa termina aos 12 meses. Precisa pedir tomografia na suspeita de craniossinostose? Não antes de encaminhar. O exame físico é a melhor ferramenta: na suspeita de sinostose, o pediatra deve encaminhar sem pedir imagem, e a tomografia 3D é decisão da equipe cirúrgica. Batrocefalia e crista metópica são variantes normais que imitam sinostose. Quando operar a craniossinostose? A cirurgia endoscópica, seguida de capacete, é feita aos 2 a 3 meses. A cirurgia aberta é feita após cerca de 4 meses, conforme a sutura. As complicações gerais ficam abaixo de 3%, e o sangramento intracraniano, abaixo de 1%. O que muda no consultório Examinar a cabeça vista de cima nas primeiras consultas. Checar torcicolo. Tratar a deformação posicional sem pedir imagem. Encaminhar sem demora qualquer formato sugestivo de sinostose, de preferência antes dos 3 meses. Limitações Os dados de encaminhamento vêm de estudos norte-americanos, e a idade de indicação do capacete varia entre serviços. Perguntas frequentes Qual a diferença entre plagiocefalia posicional e craniossinostose? Na deformação posicional, as suturas estão abertas, o formato começa após o nascimento e, visto de cima, lembra um paralelogramo. Na craniossinostose, uma sutura fusionada gera um formato típico, como a escafocefalia na sagital ou a trigonocefalia na metópica. Até quando encaminhar a criança com suspeita de craniossinostose? O quanto antes. A correção endoscópica, menos invasiva, é ideal aos 2 a 3 meses, e 51% dos pediatras ainda encaminham com 4 meses ou mais. Plagiocefalia posicional precisa de exame de imagem? Não. A deformação posicional não afeta o cérebro e é diagnosticada pelo exame físico. Quando indicar capacete na plagiocefalia posicional? Segundo a aula, aos 7 a 9 meses, se o reposicionamento falhar. A idade varia entre serviços. Fontes Aula “Infant Cranial Shapes: Positional Deformity vs. Craniosynostosis”, AAP Experience 2026: National Conference & Exhibition, San Diego, 3 de outubro de 2026 (anotações e slides). Aldana, 2020; Dias (AAP), 2020 (citados nos slides, sem referência completa). Leia também: Faltering weight: a nova diretriz AAP/NASPGHAN · DRGE no lactente: o que vem antes do IBP A aula completa, em vídeo, chega em breve.
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