Dilatação do trato urinário: classificar o risco antes de pedir exames ou profilaxia Hidronefrose no bebê: ultrassom após 48 h e profilaxia seletiva Por Drª Jasmin Pacheco (CRM 521291114), Drª Maria Paula Aquino (CRM 521285629) e equipe NeoPed HUB. Em resumo: no terceiro dia do AAP Experience 2026, em San Diego, em 4 de outubro, a aula sobre dilatação do trato urinário (UTD), também chamada de hidronefrose antenatal, reforçou que a maioria das dilatações pré-natais é transitória. O seguimento deve ser guiado pela classificação de risco, sem excesso de exames invasivos e de antibiótico, e o primeiro ultrassom pós-natal deve ser feito depois de 48 horas de vida. Quando fazer o ultrassom após o nascimento? Depois de 48 horas de vida. Nas primeiras 24 a 48 horas, a redistribuição de líquidos pode subestimar a dilatação. Se o exame for feito antes, deve ser repetido pelo menos uma vez. A alta do bebê de baixo risco não precisa ser adiada; a exceção é a suspeita de válvula de uretra posterior. Como é a classificação de risco da UTD? No pré-natal: A1: baixo risco. A2 a A3: risco aumentado, com ultrassom a cada 4 semanas e consideração de consulta pré-natal. No pós-natal: P1: diâmetro anteroposterior da pelve (DAP) de 10 a menos de 15 mm, ou cálices centrais dilatados. P2: DAP de 15 mm ou mais, cálices periféricos ou ureter dilatado. P3: achados de P2 com alteração de parênquima, bexiga ou uretra. Em P1, não há indicação de profilaxia nem de uretrocistografia de rotina. Quando indicar profilaxia antibiótica? Considerar os fatores de risco para infecção urinária: dilatação ureteral acima de 7 mm, sexo feminino, ausência de circuncisão, refluxo vesicoureteral e UTD P3. No ensaio PREDICT (NEJM, 2023), a profilaxia em lactentes com refluxo de grau moderado a alto reduziu a infecção urinária (21% contra 36%), sem diferença em novas lesões renais e com mais resistência bacteriana. Quando operar a obstrução da junção ureteropélvica? Pelve com 15 mm ou mais prediz necessidade de cirurgia, que raramente é urgente. A indicação depende de queda da função renal diferencial, piora da dilatação ou sintomas. A cintilografia com MAG-3 só deve ser feita após 4 a 8 semanas de vida. O que muda no consultório Fazer o ultrassom após 48 horas de vida. Classificar o risco antes de pedir exames. Reservar profilaxia e uretrocistografia para quem tem fatores de risco. Encaminhar P2 e P3 com prioridade à urologia ou à nefrologia pediátrica. Na criança com UTD e febre sem foco, coletar urina por cateterismo. Limitações O ensaio PREDICT incluiu lactentes com refluxo de grau III a V e sem infecção urinária prévia, em centros europeus. Perguntas frequentes Hidronefrose no ultrassom do pré-natal é grave? Na maioria das vezes, não. A aula reforçou que a maioria das dilatações pré-natais é transitória, e o seguimento depende da classificação de risco. Quando fazer o ultrassom do bebê com hidronefrose antenatal? Depois de 48 horas de vida. Antes disso, a redistribuição de líquidos pode subestimar a dilatação. Todo bebê com dilatação urinária precisa de antibiótico profilático? Não. Em P1 não há profilaxia de rotina. Ela é considerada diante de fatores de risco, como dilatação ureteral acima de 7 mm, sexo feminino, ausência de circuncisão, refluxo e UTD P3. Quando pedir cintilografia com MAG-3? Só após 4 a 8 semanas de vida. Fontes Aula “Dilatação do trato urinário (UTD) e obstrução da junção ureteropélvica (JUP) pediátrica”, AAP Experience 2026: National Conference & Exhibition, San Diego, 4 de outubro de 2026 (anotações e slides). Morello W, et al. Antibiotic Prophylaxis in Infants with Grade III, IV, or V Vesicoureteral Reflux (PREDICT). N Engl J Med. 2023. Leia também: Atualizações em pediatria: nova diretriz de ITU e mais · Formatos cranianos no lactente A aula completa, em vídeo, chega em breve.
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