DRGE na criança: diagnóstico objetivo e supressão ácida fora da primeira linha no lactente

Fonte: aap experience 2026

Cobertura NeoPedHub · AAP Experience 2026, San Diego, 2 a 6 de outubro de 2026 Por Drª Jasmin Pacheco (CRM 521291114), Drª Maria Paula Aquino (CRM 521285629) e equipe NeoPed HUB. Em resumo: a sessão sobre doença do refluxo gastroesofágico do AAP Experience 2026, em San Diego, defendeu dois ajustes de conduta: deixar de diagnosticar DRGE por achados inespecíficos e adiar a supressão ácida no lactente. O refluxo do lactente foi apresentado como em geral fisiológico, com resolução em mais de 95% dos casos até 1 ano. Anti-H2 e IBP apenas tornam o conteúdo refluído menos ácido. O que não serve para diagnosticar DRGE? Fluoroscopia, laringoscopia e sintomas extraesofágicos isolados, como tosse crônica, disfonia e asma, têm baixa sensibilidade e especificidade para DRGE. O Reflux Finding Score não prediz refluxo patológico, e o exame da via aérea não deve basear a prescrição de terapia antirrefluxo (Rosen et al., J Pediatr 2017). A resposta ao IBP também não serve como teste diagnóstico. Qual exame confirma DRGE na criança? A pH-impedanciometria de 24 horas distingue refluxo ácido de não ácido e correlaciona sintomas a eventos. Em pacientes sem esofagite, separa três situações: DRGE não erosiva, hipersensibilidade ao refluxo e pirose funcional. A endoscopia avalia a mucosa e permite biópsia, mas não confirma refluxo. Como manejar o refluxo no lactente antes do IBP? A sequência proposta, antes de qualquer supressão ácida: Tranquilizar a família. Checar superalimentação. Espessar a fórmula. Trocar a fonte de proteína. Alginatos são uma opção. Foi citado um estudo multicêntrico em lactentes sem diferença significativa entre IBP e placebo nos índices de refluxo, com mais eventos adversos no grupo IBP. Pode associar fórmula AR e supressor ácido? A recomendação da aula foi evitar a associação. Um estudo in vitro (Eur J Pediatr, 2025) mediu a viscosidade de fórmulas antirregurgitação em diferentes pH, e as espessadas com goma de alfarroba ficaram menos viscosas em pH neutro. O estudo não avaliou desfechos clínicos. E na criança maior e no adolescente? O manejo começa por estilo de vida: peso, cabeceira elevada e evitar refeição tardia, tabaco e vape. Um estudo em universitários associou tabaco e cigarro eletrônico a escores maiores de sintomas. O baclofeno foi citado como adjuvante. Esofagite eosinofílica, acalasia, síndrome de ruminação e inlet patch esofágico foram destacados como diagnósticos que imitam a DRGE. O que muda no consultório Não firmar diagnóstico de DRGE por laringoscopia, fluoroscopia ou sintomas extraesofágicos isolados. No lactente, esgotar as medidas não farmacológicas antes da supressão ácida e, se ela for iniciada, mantê-la apenas com benefício claro. Não associar supressor ácido a fórmula AR. Limitações Para hipersensibilidade ao refluxo e pirose funcional, as terapias citadas (neuromoduladores e melatonina) vêm de dados de adultos, e a aula não apresentou doses pediátricas. O estudo sobre fórmula AR foi feito in vitro, sem desfechos clínicos. Perguntas frequentes Refluxo no bebê é normal? Na maioria dos casos, sim. A sessão apresentou o refluxo do lactente como em geral fisiológico, com resolução em mais de 95% dos casos até 1 ano. IBP funciona no refluxo do lactente? Foi citado um estudo multicêntrico sem diferença significativa entre IBP e placebo nos índices de refluxo, com mais eventos adversos no grupo IBP. Anti-H2 e IBP só tornam o conteúdo refluído menos ácido. Laringoscopia diagnostica refluxo? Não. Laringoscopia, fluoroscopia e sintomas extraesofágicos isolados têm baixa sensibilidade e especificidade, e o Reflux Finding Score não prediz refluxo patológico. Endoscopia confirma DRGE? Não. A endoscopia avalia a mucosa e permite biópsia, mas não confirma refluxo. Para isso, a aula indicou a pH-impedanciometria de 24 horas. Fontes Sessão sobre doença do refluxo gastroesofágico, AAP Experience 2026: National Conference & Exhibition, San Diego. Rosen R, et al. J Pediatr. 2017;183:127-131. PubMed. ACG Clinical Guideline for the Diagnosis and Management of Gastroesophageal Reflux Disease. PubMed. Tommelein E, et al. Eur J Pediatr. 2025;184(6):336. DOI. Farooqi W, et al. Cureus. 2024;16(12). Cureus. Jadcherla SR, et al. BMC Pediatr. 2026 (protocolo do estudo GIFT, em andamento). DOI. Leia também: Dor abdominal funcional: diagnóstico positivo e tratamento escalonado · Tosse crônica: quando pensar em bronquite bacteriana protraída A aula completa, em vídeo, chega em breve.

Faça login para acessar o conteúdo
ou cadastre-se. | ESQUECI MINHA SENHA

Compartilhe esse conteúdo

LinkedIn
Twitter
Facebook
WhatsApp

Posts relacionados

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Este site é feito exclusivamente para profissionais de saúde.