Irregularidade menstrual na adolescente: investigar, pensar em REDs e tratar a PMOS em degraus SOP agora é PMOS: o que muda no diagnóstico da adolescente Por Drª Jasmin Pacheco (CRM 521291114), Drª Maria Paula Aquino (CRM 521285629) e equipe NeoPed HUB. Em resumo: no terceiro dia do AAP Experience 2026, em San Diego, em 4 de outubro, Nikta Forghani (Rady Children’s Health Orange County) revisou os distúrbios menstruais na adolescente, com foco na deficiência energética relativa no esporte (REDs) e na PMOS, síndrome ovariana metabólica poliendócrina, o novo nome da síndrome dos ovários policísticos (SOP). Na adolescente, a PMOS é diagnosticada sem ultrassom, e nos REDs o anticoncepcional oral não protege o osso. Quando o ciclo menstrual da adolescente é irregular? No primeiro ano após a menarca, a irregularidade é normal. Depois disso, a definição depende da idade ginecológica: Em qualquer momento após o primeiro ano: ciclos com mais de 90 dias. Entre 1 e 3 anos após a menarca: ciclos com menos de 21 ou mais de 45 dias. Após 3 anos: ciclos com menos de 21 ou mais de 35 dias. Amenorreia primária é a ausência de menarca aos 15 anos ou 3 anos após a telarca. Quais exames pedir na irregularidade menstrual? A investigação inclui LH, FSH, estradiol, andrógenos, TSH, prolactina, cariótipo, triagem para doença celíaca e β-hCG. O que são os REDs e por que preocupam? Na deficiência energética relativa no esporte, a baixa disponibilidade de energia suprime o LH e o estradiol e prejudica o osso, num período em que se forma 90% da massa óssea. Seis meses de amenorreia podem custar 1% a 2% de massa óssea. O quadro deve ser considerado em atletas de qualquer peso. Anticoncepcional protege o osso da atleta com amenorreia? Não. O anticoncepcional oral não melhora o osso e mascara o problema. O tratamento é liberar calorias e carboidratos e reduzir o treino. Após 12 meses sem resposta e com densidade mineral óssea abaixo de −2 DP, recomenda-se estrogênio transdérmico. O que é PMOS e como diagnosticar na adolescente? PMOS, síndrome ovariana metabólica poliendócrina, é o novo nome da síndrome dos ovários policísticos, definido em consenso global publicado em 2026. Resistência insulínica seletiva e excesso de LH aumentam os andrógenos e reduzem a SHBG. Na adolescente, o diagnóstico exige irregularidade menstrual e hiperandrogenismo clínico ou bioquímico. Ultrassom, resistência insulínica e obesidade não são necessários (Peña, BMC Med 2025). Como tratar a PMOS na adolescente? O tratamento avança em degraus: Estilo de vida para todas. Anticoncepcional combinado quando o hiperandrogenismo é proeminente, idealmente com 30 µg de etinilestradiol e progestágeno pouco androgênico. Metformina, sobretudo com resistência insulínica. Espironolactona para hirsutismo ou acne refratários, sempre com contracepção. Os agonistas de GLP-1 ainda não têm dados em adolescentes com PMOS. O que muda no consultório Investigar a irregularidade conforme a idade ginecológica. Considerar REDs em atletas de qualquer peso, sem recorrer à pílula para proteger o osso. Diagnosticar a PMOS sem ultrassom. Limitações Os tratamentos de PMOS em adolescentes são off-label, e a evidência ainda é fraca. Perguntas frequentes A SOP mudou de nome? Sim. A síndrome dos ovários policísticos passou a se chamar síndrome ovariana metabólica poliendócrina (PMOS), em consenso global publicado em 2026. O novo nome tira a referência a cistos, que não definem a condição. Precisa de ultrassom para diagnosticar PMOS na adolescente? Não. Basta irregularidade menstrual com hiperandrogenismo clínico ou bioquímico; ultrassom, resistência insulínica e obesidade não são necessários. Irregularidade menstrual no primeiro ano após a menarca é normal? Sim. Depois do primeiro ano, ciclos com mais de 90 dias, ou fora dos intervalos esperados para a idade ginecológica, merecem investigação. Quando usar estrogênio na atleta com amenorreia? Após 12 meses sem resposta ao aumento de calorias e à redução do treino, com densidade mineral óssea abaixo de −2 DP, recomenda-se estrogênio transdérmico. Fontes Aula “Evaluation and Management of Menstrual Disorders in Teens”, Nikta Forghani, MD, AAP Experience 2026: National Conference & Exhibition, San Diego, 4 de outubro de 2026 (slides e anotações). Peña AS, et al. International evidence-based recommendations for polycystic ovary syndrome in adolescents. BMC Med. 2025. De Souza MJ, et al. 2025 Update to the Female Athlete Triad Coalition Consensus Statement Part 1. Sports Med. 2026. Ackerman KE, et al. Oestrogen replacement improves bone mineral density in oligo-amenorrhoeic athletes. Br J Sports Med. 2019. Polyendocrine metabolic ovarian syndrome, the new name for polycystic ovary syndrome. The Lancet, 2026. Leia também: Triagem de transtorno alimentar na adolescência · Atualizações em pediatria e saúde do adolescente A aula completa, em vídeo, chega em breve.
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