Aumento da Enterocolite Necrosante após a Suspensão de Bifidobacterium longum subsp. infantis em Recém-nascidos de Muito Baixo Peso: Estudo de Coorte Retrospectivo de Centro Único Sobre o artigo A enterocolite necrosante (ECN) é uma doença gastrointestinal grave que acomete principalmente recém-nascidos prematuros de muito baixo peso (VLBW), com alta mortalidade e morbidade a longo prazo. Sua fisiopatologia envolve disbiose intestinal e inflamação exacerbada mediada por TLR-4. Probióticos têm sido utilizados como estratégia preventiva, embora com resultados variáveis dependendo da cepa. O Bifidobacterium infantis (EVC001) destaca-se por sua capacidade de modular a microbiota intestinal e reduzir inflamação. Após alerta da FDA em 2023 desencorajando o uso de probióticos em prematuros, houve suspensão dessa prática, criando oportunidade para avaliar seu impacto na incidência de ECN. Métodos utilizados Estudo de coorte retrospectivo não concorrente incluindo recém-nascidos com peso <1500 g internados em UTI neonatal nível IV entre 2014 e 2024. Os pacientes foram divididos em três períodos: Pré-probiótico (sem EVC001) Durante uso rotineiro de EVC001 Pós-suspensão do probiótico Desfecho primário: incidência de ECN (≥ estágio 2 de Bell). Desfechos secundários: mortalidade relacionada à ECN, mortalidade geral e gravidade da doença. Foram utilizados modelos de regressão multivariada (log-binomial e logística ordinal), ajustando para fatores de risco conhecidos (idade gestacional, peso, sexo, SGA, tipo de parto, corticoide antenatal). Resultados Foram analisados 733 recém-nascidos VLBW. Incidência de ECN: Pré-probiótico: 12% Durante EVC001: 2,6% Pós-suspensão: 16% (p < 0,001) Risco ajustado de ECN: Pré: aRR 4,4 Pós: aRR 4,5 (vs período com probiótico) Em ELBW (<1000 g), resultados semelhantes: 20% → 4,6% → 22% Gravidade: Menor durante uso do probiótico (OR ~5 para maior gravidade sem EVC001) Mortalidade por ECN: Menor com probiótico (0,9% vs 2,8%) Evento adverso: 1 caso de bacteremia por Bifidobacterium (0,29%) Discussão O uso de B. infantis EVC001 esteve associado à redução significativa da incidência e gravidade da ECN, com aumento após sua suspensão, sugerindo relação causal. Os mecanismos incluem: Colonização intestinal benéfica Metabolização de oligossacarídeos do leite humano Produção de metabólitos anti-inflamatórios Apesar do benefício observado, persistem preocupações quanto à segurança (ex.: bacteremia). Ainda assim, a incidência de eventos adversos foi baixa em comparação ao impacto clínico da ECN. O estudo reforça evidências prévias, mas limita-se por seu desenho retrospectivo, centro único e possível viés de confusão residual. Conclusão A suspensão do probiótico Bifidobacterium infantis foi associada ao aumento da incidência de ECN em recém-nascidos de muito baixo peso. O uso do probiótico mostrou efeito protetor consistente, reduzindo tanto a ocorrência quanto a gravidade da doença. São necessários ensaios clínicos multicêntricos para confirmação definitiva da eficácia e segurança. Insights clínicos O uso de probióticos reduz ECN em prematuros? Sim, o uso de B. infantis reduziu significativamente a incidência de ECN (2,6% vs até 16%). A suspensão do probiótico impacta clinicamente? Sim, houve aumento expressivo da ECN após a interrupção. Há benefício em recém-nascidos extremamente prematuros? Sim, o efeito protetor foi mantido em ELBW (<1000 g). O probiótico reduz a gravidade da ECN? Sim, houve menor ocorrência de estágios mais graves da doença. Qual o risco de eventos adversos? Baixo, com incidência rara de bacteremia (0,29%). Devo usar probióticos rotineiramente na UTI neonatal? Os dados sugerem benefício, mas diretrizes ainda são cautelosas; decisão deve considerar risco-benefício institucional. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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