Cardiomiopatia Hipertrófica Hipocinética em Recém-nascido: Forma Rara com Regressão Espontânea Sobre o artigo Relato de caso que descreve uma forma rara de cardiomiopatia hipertrófica (CMH) neonatal com disfunção contrátil (hipocinética), destacando a importância do diagnóstico precoce devido ao risco de insuficiência cardíaca e morte súbita. A CMH neonatal apresenta grande variabilidade clínica e etiológica, sendo frequentemente de origem genética, mas podendo estar associada a fatores adquiridos, como exposição a corticosteroides antenatais. Métodos utilizados Estudo descritivo do tipo relato de caso clínico de recém-nascido com insuficiência cardíaca. Foram utilizados: Avaliação clínica detalhada Radiografia de tórax Eletrocardiograma Ecocardiografia (principal método diagnóstico) Exames laboratoriais (incluindo Pro-BNP) Investigação etiológica metabólica, genética e infecciosa Seguimento ecocardiográfico seriado Resultados Recém-nascida de 17 dias apresentou desconforto respiratório tardio, dificuldade alimentar e sinais de insuficiência cardíaca. Principais achados: Taquicardia (186 bpm) e hepatomegalia Radiografia com cardiomegalia (relação cardiotorácica 0,65) Ecocardiograma: Hipertrofia ventricular esquerda (predomínio septal) Fração de ejeção reduzida (43%) Parede posterior espessada (6 mm) Pro-BNP elevado (14.315 pg/mL) Tratamento: Furosemida oral (2 mg/kg/dia) + suplementação de potássio Evolução: Melhora clínica em 3 dias FE aumentou para 66% em 15 dias Normalização ecocardiográfica completa em 3 meses Investigação etiológica: Exames metabólicos, genéticos e infecciosos normais Associação provável com uso antenatal de betametasona Discussão A CMH neonatal é rara e pode ter etiologia genética, metabólica ou iatrogênica. A ausência de mutações genéticas e a regressão rápida sugerem causa adquirida neste caso. O uso de corticosteroides antenatais, especialmente em doses repetidas, tem sido associado a formas transitórias de CMH neonatal, possivelmente por aumento da carga hemodinâmica e efeitos diretos no miocárdio. Clinicamente, a apresentação em neonatos é frequentemente inespecífica, predominando sinais de insuficiência cardíaca. O ecocardiograma é essencial para diagnóstico, monitorização e prognóstico. O tratamento é principalmente sintomático, com diuréticos e, em alguns casos, betabloqueadores. A evolução pode ser favorável quando há identificação e manejo precoce, especialmente nas formas transitórias. Conclusão A cardiomiopatia hipertrófica neonatal associada ao uso antenatal de corticosteroides é rara e possivelmente subdiagnosticada. O reconhecimento precoce permite tratamento adequado e pode resultar em regressão completa da doença. Este caso reforça a necessidade de vigilância em recém-nascidos expostos a corticosteroides durante a gestação. Insights clínicos Quando suspeitar de cardiomiopatia hipertrófica em recém-nascidos? Na presença de desconforto respiratório, dificuldade de sucção, taquicardia e hepatomegalia, especialmente com sinais de insuficiência cardíaca. Qual exame é essencial para diagnóstico? Ecocardiografia, que permite avaliar hipertrofia ventricular e função sistólica. O uso de corticosteroide antenatal pode causar CMH? Sim, embora raro, pode causar forma transitória de CMH, geralmente reversível. Qual o tratamento inicial? Tratamento sintomático com diuréticos; betabloqueadores podem ser considerados em outros cenários. Qual o prognóstico dessas formas associadas a corticosteroides? Geralmente favorável, com regressão completa em semanas a meses. Quando investigar etiologia genética? Sempre que não houver causa evidente ou ausência de regressão clínica, devido à alta prevalência de formas hereditárias. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
Faça login para acessar o conteúdo
ou cadastre-se. | ESQUECI MINHA SENHA


