Consenso de San Diego: O Novo Paradigma no Diagnóstico e Manejo do Refluxo Laringofaríngeo (LPRD) O Consenso de San Diego estabelece um novo paradigma para o diagnóstico e manejo de sintomas na garganta e vias aéreas superiores, diferenciando claramente entre a presença de sintomas e a doença causada por refluxo. Resumo do Novo Paradigma (LPS vs. LPRD) Sintomas Laringofaríngeos (LPS): Refere-se a sintomas crônicos (mais de 8 semanas) e frequentes (pelo menos duas vezes por semana), como tosse, pigarro, rouquidão, excesso de muco e dor de garganta. O termo LPS não implica que o refluxo seja a causa. Doença do Refluxo Laringofaríngeo (LPRD): É o diagnóstico reservado apenas para pacientes com LPS que possuem evidência objetiva de refluxo gastroesofágico. Limitação da Laringoscopia: Embora necessária para excluir tumores ou outras doenças, a laringoscopia não consegue diagnosticar LPRD sozinha, pois seus achados são inespecíficos e podem aparecer em pessoas saudáveis. Fluxo de Diagnóstico e Avaliação A estratégia de tratamento depende da presença de sintomas esofágicos típicos (como azia e regurgitação): Cenário Conduta Recomendada LPS com sintomas de azia/regurgitação Teste terapêutico de 3 meses com inibidores de bomba de prótons (IBP) duas vezes ao dia, associado a alginatos e mudanças no estilo de vida. LPS isolados (sem azia) Recomenda-se avaliação esofágica objetiva (endoscopia ou monitoramento de refluxo) antes de iniciar qualquer tratamento medicamentoso. Sintomas persistentes Se não houver resposta ao tratamento inicial, é obrigatório realizar exames como pH-impedanciometria de 24h ou monitoramento de pH sem fio por 96h para confirmar a doença. Fatores Comportamentais e Terapias Alternativas O consenso destaca que muitos casos de sintomas na garganta não são causados por refluxo, mas sim por processos sensoriais e comportamentais: Hiperresponsividade e Hipervigilância Laríngea: O estresse e a ansiedade podem aumentar a sensibilidade da laringe, causando sintomas mesmo na ausência de refluxo patológico. Terapia de Recalibração Laríngea (LRT): Realizada por fonoaudiólogos especializados, foca em técnicas de voz e regulação autonômica para tratar a irritação percebida. Neuromoduladores: Medicamentos como gabapentina e antidepressivos tricíclicos podem ser úteis para reduzir a hipersensibilidade da laringe em casos selecionados. Para concluir, o Consenso de San Diego reforça que o manejo moderno dos sintomas laringofaríngeos exige uma transição do diagnóstico baseado apenas em sintomas para uma abordagem de medicina de precisão. A diferenciação entre LPS (sintomas) e LPRD (doença confirmada) é o pilar para evitar tratamentos desnecessários e reduzir o alto custo associado ao uso prolongado e ineficaz de supressores de ácido. Os pontos determinantes para a prática clínica e compreensão do paciente são: Necessidade de Provas Objetivas: O diagnóstico de LPRD não deve ser feito apenas por laringoscopia; ele requer evidências de refluxo via endoscopia ou monitoramento de pH (pH-impedanciometria ou cápsula sem fio). Tratamento Personalizado: Pacientes com sintomas esofágicos típicos podem iniciar um teste terapêutico, mas aqueles com sintomas isolados na garganta devem ser investigados antes de medicados. Abordagem Multidisciplinar: O reconhecimento de que fatores comportamentais, como a hipervigilância e a ansiedade específica dos sintomas, podem mimetizar o refluxo abre caminho para terapias inovadoras, como a Terapia de Recalibração Laríngea (LRT) e o uso de neuromoduladores. Em suma, este novo paradigma busca garantir que cada paciente receba a intervenção correta — seja ela gástrica, comportamental ou fonoaudiológica — melhorando significativamente a qualidade de vida e a eficácia do tratamento. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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