Efetividade da Vacina contra Influenza em Crianças com e sem Condições Clínicas Subjacentes Sobre o Artigo A influenza continua sendo uma importante causa de atendimentos médicos, hospitalizações e mortalidade pediátrica. Crianças pequenas e aquelas com condições clínicas subjacentes apresentam maior risco de complicações graves relacionadas à infecção, incluindo insuficiência respiratória, pneumonia e óbito. Embora a vacinação anual contra influenza seja recomendada para todas as crianças a partir dos 6 meses de idade, ainda existem poucas evidências sobre sua efetividade em grupos pediátricos específicos com doenças crônicas. O objetivo do estudo foi avaliar a efetividade da vacina contra influenza na prevenção de casos confirmados laboratorialmente entre crianças com e sem condições clínicas de base que procuraram atendimento em departamentos de emergência ou necessitaram hospitalização. Métodos Utilizados Estudo observacional multicêntrico utilizando o desenho teste-negativo (test-negative design). Foram analisados dados da New Vaccine Surveillance Network (NVSN) entre as temporadas de influenza de 2015 a 2020. População estudada Crianças entre 6 meses e 17 anos. Participantes recrutados em 7 centros pediátricos dos Estados Unidos. Inclusão de pacientes atendidos em pronto-socorro ou hospitalizados por doença respiratória aguda. Diagnóstico de influenza Confirmação laboratorial por RT-PCR ou outros testes moleculares. Definição de vacinação Consideradas vacinadas as crianças que receberam pelo menos uma dose da vacina da temporada vigente ≥14 dias antes do início dos sintomas. Condições clínicas avaliadas Doenças respiratórias Cardiovasculares Neurológicas/neuromusculares Hematológicas Oncológicas/imunossupressoras Renais/urológicas Endócrinas Gastrointestinais/hepáticas Distúrbios do desenvolvimento Doenças genéticas/metabólicas Obesidade Outras doenças crônicas A efetividade vacinal (VE) foi estimada por regressão logística ajustada para idade, local do estudo e período da circulação viral. Resultados Foram incluídas 15.875 crianças, das quais: 2.821 (18%) tiveram influenza confirmada. 13.054 (82%) foram controles negativos. 7.834 (49%) estavam vacinadas. 8.041 (51%) não estavam vacinadas. Efetividade vacinal global Crianças com pelo menos uma condição clínica subjacente VE: 43% (IC95% 35–50%) Crianças sem condições subjacentes VE: 53% (IC95% 47–59%) Efetividade segundo condições específicas Condição VE (%) Respiratórias 31% Asma 30% Cardiovasculares 47% Neurológicas/Neuromusculares 53% Hematológicas 40% Oncológicas/Imunossupressoras 48% Endócrinas 64% Gastrointestinais/Hepáticas 50% Distúrbios do desenvolvimento 60% Genéticas/Metabólicas 40% Obesidade 47% Gravidade dos casos Entre crianças hospitalizadas com influenza: Condições subjacentes estavam presentes em quase metade dos casos. Necessidade de oxigênio suplementar: 42% com doenças de base. 28% sem doenças de base. Internação em UTI: 17% com doenças de base. 12% sem doenças de base. Discussão Os resultados demonstram que a vacinação contra influenza oferece proteção significativa tanto para crianças saudáveis quanto para aquelas com doenças crônicas. Embora a efetividade tenha sido ligeiramente menor em pacientes com condições subjacentes, a proteção permaneceu clinicamente relevante em todos os grupos avaliados. O menor desempenho observado em doenças respiratórias, especialmente asma, pode estar relacionado a alterações imunológicas próprias da doença ou ao uso frequente de corticosteroides, fatores que podem reduzir a resposta vacinal. O estudo também identificou cobertura vacinal insuficiente em muitos grupos de risco, inclusive em crianças com asma, população reconhecidamente vulnerável a complicações graves da influenza. Conclusão A vacinação contra influenza foi efetiva na redução de casos confirmados de influenza em crianças atendidas em pronto-socorro ou hospitalizadas, independentemente da presença de condições clínicas subjacentes. Apesar de uma efetividade discretamente menor em alguns grupos de risco, a vacina permaneceu capaz de oferecer proteção significativa contra doença associada à influenza. Os autores reforçam a necessidade de: Ampliar a cobertura vacinal pediátrica. Priorizar crianças com doenças crônicas. Garantir diagnóstico e tratamento precoce da influenza em populações vulneráveis. Desenvolver estratégias para melhorar a proteção de pacientes com condições respiratórias e imunossupressoras. Insights Clínicos A vacina contra influenza funciona em crianças com doenças crônicas? Sim. A efetividade global foi de 43%, demonstrando proteção significativa mesmo em crianças com condições clínicas subjacentes. Crianças sem doenças de base apresentaram melhor proteção? Sim. A efetividade foi de 53% em crianças sem condições subjacentes versus 43% naquelas com doenças crônicas. Qual grupo apresentou a menor efetividade vacinal? Crianças com doenças respiratórias, especialmente asma, apresentaram os menores valores de proteção, com efetividade próxima de 30%. Crianças com doenças crônicas evoluem com quadros mais graves? Sim. Houve maior necessidade de oxigênio suplementar e maior frequência de internação em UTI entre crianças com condições clínicas subjacentes. Os resultados apoiam a vacinação anual contra influenza em crianças? Sim. Os dados reforçam a recomendação de vacinação anual para todas as crianças a partir dos 6 meses de idade, com atenção especial aos grupos de maior risco. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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