Empiema parapneumônico por Streptococcus pneumoniae vs Streptococcus do grupo A

Fonte: The Pediatric Infectious Disease Journal

Empiema parapneumônico por Streptococcus pneumoniae vs Streptococcus do grupo A Sobre o artigo  O empiema pleural e o derrame parapneumônico são complicações da pneumonia adquirida na comunidade, ocorrendo em cerca de 1:100–150 casos pediátricos. O Streptococcus pneumoniae permanece como principal agente etiológico, mesmo após ampla vacinação com PCV13. A partir de 2022–2023, observou-se aumento significativo de infecções invasivas por Streptococcus do grupo A (GAS), especialmente em crianças, frequentemente associadas a empiema. Estudos recentes sugerem que pneumonia por GAS cursa com maior gravidade clínica. O objetivo do estudo foi comparar características clínicas, gravidade e desfechos de empiema por pneumococo versus GAS em crianças. Métodos utilizados Estudo retrospectivo multicêntrico incluindo crianças (<18 anos) internadas entre 2018 e 2023 em quatro hospitais terciários de Portugal. Critérios de inclusão: Diagnóstico radiológico de derrame pleural/empiema Confirmação microbiológica (cultura ou RT-PCR) em sangue ou líquido pleural Foram coletados: Dados clínicos, laboratoriais e microbiológicos Achados de imagem (empiema loculado, pneumonia necrosante) Tratamento (drenagem, antibióticos, fibrinolíticos) Desfechos (UTI, ventilação mecânica, choque séptico, sequelas, óbito) Análise estatística com testes comparativos (qui-quadrado, Mann-Whitney), considerando significância p<0,05. Resultados Total: 128 casos Pneumococo: 107 (84%) GAS: 21 (16%) Aumento de casos em 2023 para ambos os agentes Características clínicas: GAS associado a: Rash: 57,1% vs 3,8% Faringite: 52,4% vs 19,8% Procalcitonina muito elevada (80 vs 2,13 ng/mL) História recente de varicela mais frequente no GAS Gravidade: GAS apresentou maior gravidade: Choque séptico: 28,6% vs 0,9% UTI: 81% vs 55,1% Ventilação mecânica: 38,1% vs 11,2% Tratamento: Drenagem torácica mais frequente no pneumococo Fibrinolíticos mais utilizados em pneumococo Clindamicina usada em 90% dos casos de GAS Desfechos: Mortalidade baixa (1 caso – GAS) Sequelas respiratórias discretamente mais frequentes no GAS Microbiologia: Pneumococo: predominância do sorotipo 3 (72,7%) GAS: predominância do emm1 (especialmente M1UK em 2023) Discussão O sorotipo 3 do pneumococo permanece dominante, mesmo com vacinação, sugerindo falha vacinal parcial. O aumento recente de GAS está associado à expansão da linhagem M1UK e possivelmente relacionado a: Mudanças pós-pandemia Maior circulação viral Coinfecções (ex: varicela, influenza) Embora o pneumococo cause maior necessidade de intervenção local (drenagem/fibrinólise), o GAS está associado a maior gravidade sistêmica. Achados clínicos sugestivos de GAS: Rash Faringite Procalcitonina elevada Choque séptico O tratamento antibiótico ainda varia, com uso frequente de ceftriaxona, apesar de penicilina ser eficaz. Clindamicina é amplamente utilizada nos casos de GAS, embora duração ideal ainda não esteja bem definida. Conclusão O pneumococo (especialmente sorotipo 3) continua sendo o principal agente de empiema pediátrico Houve aumento recente de casos por GAS, associados à linhagem M1UK Infecções por GAS apresentam maior gravidade clínica GAS deve ser fortemente considerado na presença de rash, faringite e PCT elevada Manejo precoce e adequado é essencial para melhores desfechos Insights clínicos  Quando suspeitar de empiema por Streptococcus do grupo A? Presença de rash, faringite, procalcitonina muito elevada e evolução rápida com instabilidade hemodinâmica. Qual agente está associado a maior gravidade? O GAS, com maior risco de choque séptico, UTI e ventilação mecânica. O pneumococo ainda é relevante após vacinação? Sim. O sorotipo 3 permanece predominante, com evidência de falha vacinal. Qual o papel da clindamicina? Amplamente utilizada em GAS devido à inibição de toxinas, embora a duração ideal não esteja bem definida. Como diferenciar clinicamente pneumococo vs GAS? GAS: manifestações sistêmicas (rash, choque, PCT alta). Pneumococo: maior necessidade de drenagem e complicações locais. Qual a implicação prática do aumento de GAS? Maior vigilância clínica e início precoce de terapia adequada podem reduzir a morbimortalidade. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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