Enterocolite necrosante e sobrevida de shunt em prematuros com hidrocefalia pós-hemorrágica: estudo da Hydrocephalus Clinical Research Network Sobre o artigo O estudo investiga a possível associação entre enterocolite necrosante (NEC) e falha de derivação liquórica em prematuros com hidrocefalia pós-hemorrágica (HPH). Prematuros apresentam alta incidência tanto de NEC quanto de hemorragia intraventricular, sendo esta última uma causa frequente de HPH que requer derivação ventriculoperitoneal. Existe preocupação clínica de que a NEC, por inflamação abdominal e intervenções cirúrgicas, possa comprometer a função do shunt. Métodos utilizados Estudo retrospectivo, caso-controle, utilizando o banco de dados prospectivo da Hydrocephalus Clinical Research Network (HCRN), incluindo 14 centros. Foram analisados lactentes <6 meses com HPH submetidos à primeira derivação permanente entre 2020 e 2023. Desfecho primário: tempo até falha do shunt (infecção ou mau funcionamento). Desfechos secundários: taxa de falha em 6, 12 e 24 meses, causas de falha e complicações. Análises estatísticas incluíram curvas de Kaplan-Meier e regressão de Cox para identificação de fatores de risco. Resultados Foram incluídos 412 pacientes, sendo 76 (18%) com NEC. Não houve associação entre NEC e tempo até falha do shunt (P = 0,353) NEC não foi preditor independente de falha (HR 0,91; IC 95% 0,58–1,42; P = 0,68) Taxas de falha semelhantes em 6, 12 e 24 meses entre os grupos Causa mais comum de falha: obstrução do shunt Taxas de infecção semelhantes entre grupos (~10%) Pseudocisto abdominal ocorreu apenas no grupo NEC (3,9%) Pacientes com NEC apresentaram mais falhas proximais isoladas Fatores associados à maior falha: Gastrostomia (HR 2,05; P = 0,005) Raça negra (HR 1,57; P = 0,03) Discussão O estudo demonstra que a NEC não impacta negativamente a sobrevida do shunt, contrariando a hipótese de que inflamação abdominal aumentaria falhas. Uma possível explicação é o atraso na implantação do shunt em pacientes com NEC, permitindo resolução inflamatória. Apesar da ausência de impacto na falha, pacientes com NEC apresentaram maior mortalidade global e maior uso de derivações atriais após falha inicial. O trabalho também reforça que fatores sistêmicos, como presença de gastrostomia e determinantes raciais, podem influenciar mais a falha do shunt do que a NEC em si. Conclusão A enterocolite necrosante não está associada à redução da sobrevida de shunts em prematuros com hidrocefalia pós-hemorrágica. A derivação ventriculoperitoneal permanece uma opção segura mesmo em pacientes com histórico de NEC e intervenções abdominais. Insights clínicos A presença de NEC contraindica derivação ventriculoperitoneal? Não. O estudo demonstra que a NEC não reduz a sobrevida do shunt, apoiando o uso da cavidade peritoneal. NEC aumenta risco de infecção do shunt? Não houve aumento significativo nas taxas de infecção entre pacientes com e sem NEC. Qual o principal fator associado à falha do shunt? A presença de gastrostomia foi o fator independente mais relevante para falha. A NEC altera o tipo de falha do shunt? Sim. Houve maior proporção de falhas proximais isoladas em pacientes com NEC. Devo evitar o peritônio como sítio distal nesses pacientes? Os dados sugerem que não, pois a absorção liquórica não foi significativamente comprometida. Existe maior mortalidade em pacientes com NEC? Sim, a mortalidade global foi maior no grupo com NEC, embora não relacionada diretamente ao shunt. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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