Estudo prospectivo multicêntrico observacional sobre premedicação antes da laringoscopia em neonatos (SUPREMEneo) Sobre o artigo O estudo avalia a implementação das diretrizes da Sociedade Francesa de Neonatologia (SFN) de 2023 para premedicação antes da laringoscopia em neonatos, exceto em situações de emergência com risco iminente de vida. A laringoscopia neonatal é um procedimento doloroso e estressante, e a prática de premedicação apresenta grande variabilidade global, com ainda ocorrência de procedimentos realizados sem analgesia adequada. As diretrizes recomendam o uso de propofol isolado ou a combinação de opioide de ação rápida com bloqueador neuromuscular, desde que não haja instabilidade hemodinâmica. Métodos utilizados Trata-se de um estudo de coorte prospectivo, observacional e multicêntrico, realizado em 141 unidades neonatais na França e Bélgica. Foram incluídos neonatos com idade pós-menstrual <45 semanas submetidos à laringoscopia (intubação ou LISA). O desfecho primário foi a proporção de premedicação conforme as diretrizes da SFN. Também foram analisados fatores associados à adesão às diretrizes e ao uso de premedicação, utilizando regressão logística multivariada com efeitos mistos. Foram coletados dados clínicos neonatais, características do procedimento, tipo de premedicação, eventos adversos, escore TRACHEA e sucesso na primeira tentativa. Resultados Foram analisadas 673 laringoscopias, com idade gestacional média de 30,1 semanas. 90,1% das intubações não emergenciais receberam premedicação Apenas 42,7% estavam em conformidade com as diretrizes da SFN Principais esquemas adequados: Propofol isolado (37,6%) Opioide + bloqueador neuromuscular (5,1%) Na LISA: 90,4% receberam premedicação Uso de propofol em 50,3% dos casos conforme diretrizes Fatores associados à adesão: Intubação não emergencial (aOR 3,1) Ausência de instabilidade hemodinâmica (aOR 31,0) Eventos adversos foram frequentes: Dessaturação (44,5%) Bradicardia (<100 bpm: 11,8%) Hipotensão (9,0%) Premedicação esteve associada a melhores condições de intubação (menores escores TRACHEA), embora sem diferença significativa na taxa de sucesso na primeira tentativa. Discussão Apesar da alta taxa de uso de premedicação (~90%), a adesão às diretrizes foi inferior a 50%, evidenciando lacunas na implementação clínica. As principais barreiras incluem: Variabilidade entre centros Falta de familiaridade com bloqueadores neuromusculares Receio de efeitos adversos (especialmente hipotensão com propofol) O propofol foi o fármaco mais utilizado, enquanto a combinação opioide + bloqueador neuromuscular, recomendada em várias diretrizes, foi raramente empregada. O estudo destaca também a heterogeneidade global nas práticas e a ausência de consenso robusto, além da limitação de evidências sobre segurança a longo prazo dos sedativos em neonatos. Conclusão A premedicação antes da laringoscopia neonatal é amplamente utilizada, porém frequentemente não segue as diretrizes da SFN. Há necessidade de: Melhor disseminação das recomendações Educação prática dos profissionais Estudos adicionais sobre eficácia e segurança das combinações farmacológicas Insights clínicos A premedicação deve ser usada em todas as intubações neonatais? Não. Deve ser utilizada em todos os casos, exceto em emergências com risco imediato de vida. Qual é o esquema recomendado pelas diretrizes da SFN? Propofol isolado (sem instabilidade hemodinâmica) ou opioide de ação rápida associado a bloqueador neuromuscular. A prática clínica segue as diretrizes atuais? Não completamente. Menos da metade dos casos seguem as recomendações. Premedicação melhora o procedimento? Sim. Está associada a melhores condições de intubação (menor escore TRACHEA). Quais são os principais riscos da premedicação? Dessaturação, bradicardia e hipotensão, especialmente com uso de propofol. Por que há baixa adesão às diretrizes? Principalmente por variabilidade entre centros, falta de treinamento e receio de efeitos adversos. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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