Impacto da prematuridade e da displasia broncopulmonar nos desfechos hospitalares por vírus sincicial respiratório (VSR)

Fonte: American Academy of Pediatrics

Impacto da prematuridade e da displasia broncopulmonar nos desfechos hospitalares por vírus sincicial respiratório (VSR) Sobre o Artigo  O vírus sincicial respiratório (VSR) é uma das principais causas de hospitalização pediátrica em todo o mundo e representa a principal causa de internação em lactentes nos Estados Unidos. A prematuridade está associada a alterações no desenvolvimento pulmonar, incluindo vias aéreas menores e menor volume pulmonar, o que pode aumentar a susceptibilidade a formas graves da doença. Embora estudos anteriores tenham demonstrado maior risco de infecção e hospitalização por VSR em prematuros, ainda existem poucos dados avaliando especificamente os desfechos hospitalares graves após a internação. Este estudo investigou o impacto da prematuridade e da presença de displasia broncopulmonar (DBP) sobre a gravidade clínica de crianças menores de 2 anos hospitalizadas por VSR. Métodos Utilizados Estudo observacional multicêntrico utilizando dados da New Vaccine Surveillance Network (NVSN), uma rede de vigilância prospectiva dos Estados Unidos. Foram incluídas crianças menores de 2 anos hospitalizadas com infecção respiratória aguda associada ao VSR entre dezembro de 2016 e julho de 2023, confirmada por RT-PCR ou testes clínicos. A prematuridade foi definida como nascimento antes de 37 semanas de gestação e categorizada em: Prematuridade extrema (<28 semanas) Muito prematuros (28–<32 semanas) Prematuros moderados/tardios (32–<37 semanas) Os desfechos avaliados foram: Internação prolongada (≥3 dias) Admissão em unidade de terapia intensiva (UTI) Necessidade de ventilação assistida (invasiva ou não invasiva) Foram utilizados modelos de regressão de Poisson ajustados para centro participante, idade cronológica, uso prévio de palivizumabe e comorbidades relevantes. Resultados Foram avaliadas 5.844 crianças hospitalizadas por VSR: 4.626 (79,2%) nascidas a termo 1.218 (20,8%) prematuras Entre os prematuros: 1.138 (93,4%) sem DBP 80 (6,6%) com DBP Principais achados: Prematuros versus nascidos a termo Nos primeiros 6 meses de vida, os prematuros apresentaram: Maior risco de internação prolongada (aRR 1,3) Maior risco de admissão em UTI (aRR 1,4) Maior risco de ventilação assistida (aRR 2,0) Considerando toda a população menor de 2 anos: Internação prolongada: aRR 1,3 UTI: aRR 1,2 Ventilação assistida: aRR 1,8 Prematuros sem DBP Também apresentaram risco aumentado para: Internação prolongada (aRR 1,3) UTI (aRR 1,2) Ventilação assistida (aRR 1,7) Esse excesso de risco concentrou-se principalmente nos primeiros 6 meses de vida. Prematuros com DBP Apresentaram os maiores riscos observados: Internação prolongada: aRR 2,0 UTI: aRR 1,7 Além disso, o risco de internação prolongada permaneceu elevado em todas as faixas etárias até os 23 meses. Não ocorreram óbitos hospitalares durante o estudo. Discussão Os autores demonstram que crianças prematuras representam aproximadamente 1 em cada 5 hospitalizações por VSR, apesar de corresponderem a apenas cerca de 10% dos nascimentos nos Estados Unidos. A prematuridade mostrou-se um importante fator de risco para desfechos graves, particularmente durante os primeiros 6 meses de vida. Mesmo prematuros tardios e moderados apresentaram maior vulnerabilidade quando comparados aos nascidos a termo. A presença de DBP ampliou significativamente esse risco, mantendo impacto clínico relevante até os 23 meses de idade. Os autores destacam que crianças com DBP possuem maior probabilidade de complicações respiratórias persistentes e pior evolução clínica após infecções respiratórias graves. O estudo reforça a importância das estratégias atuais de prevenção do VSR, incluindo vacinação materna, nirsevimabe e clesrovimabe, especialmente em prematuros e crianças com DBP. Conclusão A prematuridade está associada a maior gravidade clínica em crianças menores de 2 anos hospitalizadas por VSR. O aumento do risco de internação prolongada, necessidade de UTI e ventilação assistida é mais evidente nos primeiros 6 meses de vida. Entre os prematuros, a presença de displasia broncopulmonar representa um importante fator adicional de risco, mantendo associação com internações mais prolongadas até os 23 meses de idade. Os achados sustentam a ampliação e o fortalecimento das estratégias preventivas contra o VSR em prematuros, especialmente nos portadores de DBP. Insights Clínicos Crianças prematuras apresentam maior gravidade quando hospitalizadas por VSR? Sim. Prematuros apresentaram maior risco de internação prolongada, admissão em UTI e ventilação assistida, especialmente nos primeiros 6 meses de vida. O risco aumentado ocorre apenas nos prematuros extremos? Não. O estudo demonstrou aumento de gravidade mesmo entre prematuros moderados e tardios, especialmente durante os primeiros meses de vida. Qual o impacto da displasia broncopulmonar? A DBP foi associada aos maiores riscos de internação prolongada e necessidade de UTI, mantendo influência clínica até os 23 meses de idade. Qual grupo merece maior atenção preventiva? Prematuros nos primeiros 6 meses de vida e crianças com DBP que entram na segunda temporada de circulação do VSR. Os dados apoiam o uso de novas estratégias preventivas contra VSR? Sim. Os autores destacam o potencial impacto da vacinação materna, do nirsevimabe e do clesrovimabe na redução das hospitalizações e complicações associadas ao VSR em prematuros. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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