Necessidade, lacunas e dificuldade de acesso ao cuidado em saúde mental infantil nos Estados Unidos

Necessidade, lacunas e dificuldade de acesso ao cuidado em saúde mental infantil nos Estados Unidos Sobre o artigo  O estudo aborda o aumento significativo dos diagnósticos de condições de saúde mental em crianças nos Estados Unidos, com crescimento de 35% entre 2016 e 2023. Apesar disso, uma proporção relevante de crianças não recebe tratamento adequado, especialmente entre adolescentes com episódio depressivo maior. Barreiras como custos, escassez de profissionais e dificuldades logísticas são frequentemente relatadas, mas há escassez de dados sob a perspectiva domiciliar. O objetivo foi quantificar, em nível familiar, a necessidade de tratamento, a necessidade não atendida e a dificuldade de acesso aos serviços de saúde mental infantil. Métodos utilizados Estudo transversal utilizando dados do Household Pulse Survey do US Census Bureau, coletados entre junho de 2023 e setembro de 2024. Foram incluídos domicílios com crianças menores de 18 anos, categorizados em: Necessidade de tratamento (relato parental de necessidade recente) Necessidade não atendida (criança que precisava, mas não recebeu tratamento) Dificuldade de acesso (acesso considerado muito difícil ou impossível) As análises foram ponderadas por amostragem e incluíram regressão logística multivariada para avaliação de fatores associados, considerando características familiares, dos pais e tipo de escolarização da criança. Resultados Foram analisados 173.174 domicílios, dos quais 19,6% relataram necessidade de cuidado em saúde mental infantil. Principais achados: 24,8% dos domicílios apresentaram necessidade não atendida 16,6% relataram dificuldade de acesso mesmo recebendo cuidado 21,8% atribuíram a falta de tratamento à dificuldade de acesso Fatores associados a maior necessidade não atendida: Domicílios com múltiplas crianças Crianças em ensino domiciliar Famílias de minorias raciais/étnicas Outros achados relevantes: Famílias monoparentais apresentaram maior dificuldade de acesso Taxas semelhantes de não atendimento por dificuldade em famílias com Medicaid e sem seguro (~40%) Menor dificuldade de acesso relatada por famílias negras não hispânicas em comparação às brancas Discussão O estudo demonstra que 1 em cada 5 domicílios percebe necessidade de cuidado em saúde mental infantil, com proporção substancial de necessidades não atendidas. A dificuldade de acesso emerge como fator central, inclusive entre aqueles com cobertura por Medicaid, sugerindo limitações estruturais do sistema. Destaca-se o papel das escolas como ponto crítico de identificação e encaminhamento, sendo preocupante o maior risco entre crianças em ensino domiciliar. Os resultados reforçam desigualdades estruturais e a necessidade de expansão da força de trabalho em saúde mental infantil, além da integração com a atenção primária. Conclusão Há alta prevalência de necessidade e necessidade não atendida em saúde mental infantil nos EUA, fortemente associada a barreiras de acesso. Estratégias sistêmicas são necessárias para reduzir desigualdades, ampliar o acesso e integrar cuidados, especialmente em populações vulneráveis. Insights clínicos Qual a prevalência de necessidade de cuidado em saúde mental infantil? Aproximadamente 19,6% dos domicílios relataram necessidade recente de tratamento. Qual a magnitude da necessidade não atendida? Cerca de 24,8% das famílias com necessidade relataram que a criança não recebeu tratamento. Qual o principal fator associado à falta de tratamento? A dificuldade de acesso foi responsável por 21,8% dos casos de não atendimento. Quais grupos apresentam maior vulnerabilidade? Famílias com múltiplas crianças, monoparentais, minorias raciais/étnicas e crianças em ensino domiciliar. O seguro de saúde resolve o problema de acesso? Não completamente. Mesmo com Medicaid, cerca de 40% dos casos de não atendimento foram atribuídos à dificuldade de acesso. Qual a implicação prática para pediatras? É essencial rastrear ativamente necessidades em saúde mental, especialmente em grupos de risco, e considerar barreiras estruturais ao encaminhar pacientes. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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