Obesidade e Obesidade Grave em Crianças e Adolescentes Antes e Durante a COVID-19 Sobre o artigo A obesidade infantil permanece em níveis elevados nos Estados Unidos, com crescimento importante da obesidade grave nas últimas décadas. A pandemia de COVID-19 agravou esse cenário, especialmente entre crianças pequenas, minorias étnicas e indivíduos previamente obesos. O estudo avaliou mudanças na prevalência de obesidade e obesidade grave antes e durante a pandemia, além da relação entre consumo de alimentos ultraprocessados (UPF) e atividade física (AF) com diferentes graus de obesidade em crianças e adolescentes de 2 a 19 anos. Os autores destacam que a obesidade pediátrica está associada a múltiplas complicações cardiometabólicas, incluindo diabetes tipo 2, hipertensão, doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica, apneia do sono e comprometimento psicossocial. O consumo elevado de ultraprocessados e a redução da atividade física são considerados fatores centrais para a manutenção da epidemia de obesidade pediátrica. Métodos utilizados Estudo transversal seriado utilizando dados do NHANES (National Health and Nutrition Examination Survey), comparando dois períodos: Pré-pandemia: 2017 até março de 2020 Durante a pandemia: agosto de 2021 até agosto de 2023 Foram incluídas crianças e adolescentes entre 2 e 19 anos. A obesidade foi classificada segundo percentis do IMC para idade: Obesidade classe I: ≥ percentil 95 até <120% do percentil 95 Classe II: ≥120% até <140% Classe III: ≥140% do percentil 95 Obesidade grave foi definida como IMC ≥120% do percentil 95. O consumo de ultraprocessados foi avaliado por recordatórios alimentares de 24 horas utilizando a classificação NOVA. A atividade física foi mensurada pelo número de dias por semana com pelo menos 60 minutos de atividade moderada a vigorosa. Foram utilizados modelos de regressão logística ajustados para idade, sexo, raça, etnia e renda familiar. Resultados O estudo avaliou: 4.756 participantes no período pré-pandemia 2.501 participantes durante a pandemia Principais achados Prevalência de obesidade Pré-pandemia: 21,2% Durante a pandemia: 22,6% Apesar do aumento absoluto de 1,4%, a diferença não foi estatisticamente significativa. Obesidade por gravidade As prevalências permaneceram relativamente estáveis: Classe I: 13,7% → 14,7% Classe II: 5,0% → 5,3% Classe III: 2,5% → 2,7% Consumo de ultraprocessados O percentual médio de calorias provenientes de ultraprocessados reduziu: 66,0% → 62,7% Mesmo com a redução, os ultraprocessados continuaram representando mais de 60% da ingestão calórica diária dos jovens norte-americanos. Atividade física A média permaneceu praticamente inalterada: 4,77 dias/semana antes da pandemia 4,78 dias/semana durante a pandemia Associação entre atividade física e obesidade Antes da pandemia, maior atividade física esteve associada a: Menor chance de obesidade global Menor chance de obesidade classe II Tendência protetora também para classes I e III Durante a pandemia, cumprir recomendações de atividade física manteve efeito protetor para obesidade global. Fatores associados a maior risco de obesidade grave Antes da pandemia: Crianças negras apresentaram maior risco de obesidade grave Adolescentes apresentaram maiores taxas de obesidade classe III Crianças de famílias de menor renda tiveram maior prevalência de obesidade grave Não houve associação consistente entre maior consumo de ultraprocessados e maior gravidade da obesidade. Discussão Os autores destacam que, embora o aumento da obesidade durante a pandemia não tenha atingido significância estatística, o impacto clínico populacional é relevante devido ao grande número absoluto de crianças afetadas. A atividade física mostrou efeito protetor consistente contra obesidade, reforçando sua importância em estratégias preventivas. Entretanto, o nível médio de atividade física permaneceu abaixo das recomendações nacionais. O estudo observou redução discreta do consumo de ultraprocessados durante a pandemia, possivelmente relacionada a: Maior preparo de refeições em casa Redução do acesso a restaurantes Mudanças econômicas e sociais Mesmo assim, a participação dos ultraprocessados na dieta permaneceu extremamente elevada. Os autores ressaltam que a ausência de associação clara entre ultraprocessados e gravidade da obesidade pode refletir: Viés de memória alimentar Subnotificação dietética Mudanças comportamentais heterogêneas durante a pandemia Alta exposição generalizada aos ultraprocessados em toda a população Também reforçam as desigualdades raciais e socioeconômicas relacionadas à obesidade infantil nos EUA. Conclusão A prevalência de obesidade infantil e obesidade grave manteve tendência de aumento durante a pandemia de COVID-19 nos Estados Unidos. A atividade física apresentou efeito protetor consistente contra obesidade, enquanto o consumo de ultraprocessados permaneceu muito elevado, sem associação clara com maior gravidade da obesidade. Os autores defendem estratégias integradas de saúde pública envolvendo: Redução do consumo de ultraprocessados Políticas alimentares Rotulagem nutricional Promoção de atividade física Intervenções direcionadas para populações vulneráveis Insights clínicos A obesidade infantil aumentou durante a pandemia? Sim. A prevalência aumentou de 21,2% para 22,6%, embora sem significância estatística. A atividade física protege contra obesidade infantil? Sim. Maior frequência de atividade física esteve associada a menor risco de obesidade global e obesidade grave. O consumo de ultraprocessados aumentou durante a pandemia? Não. Houve discreta redução percentual, porém os ultraprocessados ainda representaram mais de 60% das calorias ingeridas. Crianças socialmente vulneráveis apresentaram maior risco? Sim. Crianças negras e de famílias de menor renda apresentaram maior prevalência de obesidade grave. O estudo encontrou associação direta entre ultraprocessados e obesidade grave? Não houve associação consistente entre maior consumo de ultraprocessados e maior gravidade da obesidade. Qual principal mensagem prática para pediatras? A promoção de atividade física continua sendo estratégia central no manejo e prevenção da obesidade pediátrica, associada à necessidade de políticas alimentares mais efetivas para redução da exposição a ultraprocessados. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
Faça login para acessar o conteúdo
ou cadastre-se. | ESQUECI MINHA SENHA


