Suporte à decisão clínica para duração da antibioticoterapia em crianças com otite média aguda Sobre o artigo A otite média aguda (OMA) é a principal indicação de antibioticoterapia em pediatria. Diretrizes recomendam 10 dias de tratamento para crianças menores de 2 anos e cursos mais curtos (5–7 dias) para aquelas com 2 anos ou mais. Apesar disso, há persistência de prescrições prolongadas desnecessárias. Sistemas de suporte à decisão clínica (CDS), integrados ao prontuário eletrônico, podem otimizar práticas de prescrição. O estudo avaliou o impacto dessas ferramentas na adequação da duração da antibioticoterapia. Métodos utilizados Estudo retrospectivo unicêntrico de melhoria de qualidade, incluindo prescrições para OMA em consultas ambulatoriais e pronto atendimento. Foram implementados painéis eletrônicos de prescrição para amoxicilina e amoxicilina-clavulanato, com parâmetros padronizados (dose, frequência e duração) conforme idade e diretrizes clínicas, permitindo ajustes pelo prescritor. O período analisado foi de setembro de 2021 a novembro de 2023. Desfecho primário: proporção de prescrições com duração adequada conforme diretrizes: <2 anos: 10 dias ≥2 anos: 5–7 dias Dados clínicos e demográficos foram extraídos do prontuário eletrônico. Foram utilizados modelos de regressão logística para avaliar associações. Resultados Foram analisadas 26.382 prescrições: 41,9% em menores de 2 anos 58,1% em crianças ≥2 anos O uso do painel de prescrição foi associado a maior adesão às diretrizes: 90,2% com CDS vs 56,1% sem CDS (diferença de 34,1 pontos percentuais; p < 0,001) Impacto mais expressivo em crianças ≥2 anos: 85,2% vs 26,3% (p < 0,001) Na regressão logística: Uso do painel foi o principal fator associado à prescrição adequada (OR ajustado ≈ 20,0) Atendimento em pronto-socorro aumentou adesão Uso de amoxicilina-clavulanato e prescrição por não médicos reduziram adesão Discussão Os achados reforçam o papel do suporte à decisão clínica no aprimoramento do stewardship antimicrobiano. A intervenção foi eficaz tanto em ambiente ambulatorial quanto emergencial. Inicialmente, houve modificação frequente das prescrições para durações mais longas, indicando resistência ou hábito clínico. Após intervenções educacionais, observou-se melhora progressiva na adesão. Limitações incluem: Ausência de desfechos clínicos Inclusão de casos recorrentes Falta de análise por prescritor Conclusão Ferramentas de suporte à decisão clínica integradas ao prontuário eletrônico aumentam significativamente a prescrição de duração adequada de antibióticos na OMA pediátrica. Intervenções simples, escaláveis e de baixo custo, especialmente quando associadas à educação, são eficazes para reduzir exposição desnecessária a antibióticos e melhorar a prática clínica. Insights clínicos O suporte à decisão clínica realmente muda a prática? Sim. Aumentou a adesão às diretrizes de 56,1% para 90,2%. Em quais pacientes o impacto foi maior? Crianças com 2 anos ou mais, onde há maior variabilidade e tendência a prescrição excessiva. Qual foi o principal fator associado à prescrição adequada? Uso do painel eletrônico (CDS), com OR ajustado de aproximadamente 20. Educação ainda é necessária mesmo com CDS? Sim. Houve melhora progressiva após intervenções educativas, indicando que tecnologia isolada não é suficiente. Qual a principal implicação prática? Implementar ferramentas automatizadas no prontuário pode reduzir antibioticoterapia excessiva de forma significativa e escalável. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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