Infecções pediátricas por micobactérias não tuberculosas: estudo retrospectivo de 12 anos Sobre o artigo As infecções por micobactérias não tuberculosas (NTM) em pediatria, geralmente manifestadas como linfadenite cervical em crianças previamente saudáveis, representam um desafio diagnóstico e terapêutico. Podem simular malignidade, levando a investigação extensa. O curso clínico costuma ser prolongado, com necessidade de seguimento longo e risco de sequelas cosméticas, apesar do prognóstico geralmente favorável. Métodos utilizados Estudo retrospectivo incluindo crianças de 0 a 17 anos diagnosticadas com NTM na região central da Dinamarca entre 2011 e 2023. Os casos foram identificados por: Cultura microbiológica positiva para NTM Códigos diagnósticos ICD-10 relacionados Foram coletados dados clínicos detalhados de prontuários, incluindo: características demográficas, apresentação clínica, métodos diagnósticos, tratamento e desfechos. Análise estatística descritiva foi realizada com uso de testes apropriados para variáveis contínuas e categóricas. Resultados Foram incluídas 80 crianças: Idade mediana: 2 anos Sexo feminino: 55% Incidência anual: 0,7–3,3 por 100.000 Principais achados: Linfadenite foi a apresentação mais comum (≈92–93%) Febre ocorreu em 28% Mycobacterium avium foi o agente predominante (~79%) 94% das crianças eram previamente saudáveis Diagnóstico: Confirmação microbiológica em 82,5% Métodos mais usados: aspiração, incisão ou biópsia excisional Tratamento: 47% não receberam tratamento 43% tratados inicialmente 9,5% tratados após observação Cirurgia foi a principal intervenção (87% dos tratados) Antibióticos usados em 28%, com grande variabilidade Tendência temporal: Redução significativa no uso de antibióticos e cirurgia ao longo do tempo Desfechos: Seguimento mediano: ~237 dias Internação mediana: 2 dias Sequelas cosméticas frequentes: Cicatriz: 76% Discromia: 30% Fistulação/supuração: 12% Discussão A incidência permaneceu estável, semelhante a outros países escandinavos, porém com carga clínica significativa devido à evolução prolongada e às sequelas. A linfadenite cervical é a forma predominante e frequentemente gera suspeita de malignidade, evidenciando dificuldade diagnóstica. A maioria dos pacientes é imunocompetente, mas casos raros podem revelar imunodeficiências primárias, sugerindo importância de investigação seletiva. Há grande heterogeneidade nas estratégias terapêuticas: Observação isolada Cirurgia Antibióticos Observou-se tendência recente de manejo mais conservador, possivelmente devido à possibilidade de resolução espontânea e preocupação com efeitos adversos e resistência antimicrobiana. A ausência de padronização reforça a necessidade de diretrizes clínicas e abordagem multidisciplinar. Conclusão As infecções pediátricas por NTM apresentam evolução geralmente favorável, porém com curso prolongado e alta frequência de sequelas cosméticas. Há grande variabilidade no manejo, com tendência crescente ao tratamento conservador. É fundamental o desenvolvimento de diretrizes baseadas em evidências e maior integração entre especialidades para otimizar os desfechos clínicos. Insights clínicos Qual é a apresentação clínica mais comum das NTM em crianças? Linfadenite cervical, presente em mais de 90% dos casos. Qual agente etiológico predomina? Mycobacterium avium é responsável pela maioria das infecções. Toda criança precisa de tratamento? Não. Quase metade dos casos evolui bem apenas com observação clínica. Qual é o papel da cirurgia? É a intervenção mais utilizada nos casos tratados, associada a bons desfechos. Antibióticos são sempre necessários? Não. Seu uso é variável e vem diminuindo ao longo do tempo. Quais são as principais complicações? Sequelas cosméticas, principalmente cicatrizes e discromias. Quando investigar imunodeficiência? Em casos atípicos, recorrentes ou com manifestações graves/disseminadas. Qual o principal desafio no manejo? A ausência de consenso terapêutico e a variabilidade nas condutas clínicas. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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