O papel do índice de massa corporal na atividade física, sintomas e desfechos relacionados após concussão pediátrica

Fonte: The Journal of Pediatrics

O papel do índice de massa corporal na atividade física, sintomas e desfechos relacionados após concussão pediátrica Sobre o artigo  A concussão em crianças e adolescentes representa importante problema de saúde pública, especialmente pela possibilidade de repercussões neurocognitivas e psicossociais prolongadas. Evidências recentes demonstram que a atividade física precoce e controlada pode acelerar a recuperação pós-concussão e reduzir sintomas persistentes. Entretanto, ainda existem poucos dados sobre como a obesidade influencia o nível de atividade física e os desfechos clínicos após concussão pediátrica. O estudo avaliou se pacientes pediátricos com obesidade apresentam menor atividade física após concussão e se isso impacta sintomas, qualidade de vida e saúde psicológica ao longo da recuperação. Métodos utilizados Estudo secundário de um ensaio clínico multicêntrico prospectivo randomizado. Foram incluídos pacientes entre 11 e 24 anos diagnosticados com concussão nas primeiras 72 horas após o trauma, recrutados em pronto-socorro pediátrico ou clínica especializada em concussão esportiva. Os participantes foram divididos em: Grupo obesidade: IMC ≥ percentil 95 ajustado para idade e sexo Grupo não obesidade Avaliações realizadas: Post-Concussion Symptom Scale (PCSS) Pediatric Quality of Life Inventory (PedsQL) Behavioral Symptom Inventory-18 (BSI-18) International Physical Activity Questionnaire (IPAQ) A atividade física objetiva foi monitorada por actígrafo comercial (FitBit) durante os primeiros 14 dias após a lesão. Os desfechos foram avaliados em: <72 horas 3–5 dias 10–18 dias 1 mês 2 meses pós-concussão A análise estatística utilizou testes de Mann-Whitney e regressão não paramétrica por séries spline. Resultados Foram incluídos 194 participantes: 153 no grupo não obesidade 41 no grupo obesidade Principais achados: O grupo obesidade apresentou contagem média diária de passos 22,8% menor na primeira semana pós-concussão. Aos 2 meses, pacientes obesos apresentaram: maiores escores de sintomas pós-concussão (PCSS) pior qualidade de vida (PedsQL) maior ansiedade (BSI-18) A maior contagem diária de passos na primeira semana esteve associada a menor intensidade de sintomas tardios. Não houve diferença significativa entre os grupos em: idade sexo sinais iniciais de concussão Os efeitos negativos da obesidade permaneceram significativos mesmo após ajuste para nível de atividade física. Discussão Os autores sugerem que a obesidade pode influenciar negativamente a recuperação pós-concussão por diferentes mecanismos: menor nível espontâneo de atividade física menor adesão às recomendações de exercício estado inflamatório crônico associado à obesidade A inflamação sistêmica de baixo grau típica da obesidade pode potencializar a neuroinflamação pós-traumática, contribuindo para persistência de sintomas e pior qualidade de vida. Os achados reforçam a importância de: incentivar atividade física leve precoce monitorar pacientes obesos mais de perto individualizar estratégias de reabilitação pós-concussão Os autores destacam limitações: número reduzido de pacientes obesos ausência de grupo controle saudável IMC como marcador indireto de adiposidade ausência de dados basais psicológicos e funcionais Conclusão Pacientes pediátricos com obesidade apresentaram: menor atividade física após concussão piores sintomas persistentes pior qualidade de vida maior ansiedade em médio prazo A obesidade pode representar fator de risco clínico relevante para recuperação prolongada após concussão pediátrica. Os resultados sugerem que estratégias precoces de atividade física supervisionada e acompanhamento individualizado podem beneficiar essa população. Insights clínicos  A obesidade influencia a recuperação após concussão pediátrica? Sim. Crianças e adolescentes obesos apresentaram mais sintomas persistentes, pior qualidade de vida e maior ansiedade após 2 meses. Pacientes obesos praticam menos atividade física após concussão? Sim. O estudo demonstrou redução de aproximadamente 23% na média diária de passos na primeira semana pós-lesão. A atividade física precoce pode ajudar na recuperação? Sim. Maior número de passos na primeira semana associou-se a menor intensidade de sintomas posteriores. O IMC deve ser considerado na avaliação clínica da concussão? Sim. O estudo sugere que obesidade deve ser considerada fator de risco para recuperação prolongada. Qual possível mecanismo fisiopatológico relaciona obesidade e pior recuperação? Os autores sugerem participação de neuroinflamação exacerbada e inflamação sistêmica crônica associada à obesidade. O estudo recomenda repouso absoluto? Não. Os achados reforçam evidências atuais favoráveis à atividade física leve e supervisionada precocemente após concussão. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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