Perfil dos biomarcadores sanguíneos em lactentes febris menores de 90 dias com infecção bacteriana invasiva Sobre o artigo A identificação precoce de infecções bacterianas invasivas (IBI) em lactentes febris menores de 90 dias é essencial para reduzir morbimortalidade. Biomarcadores inflamatórios como leucograma, contagem absoluta de neutrófilos (ANC), proteína C reativa (PCR) e procalcitonina (PCT) são amplamente utilizados na estratificação de risco, porém sua performance pode variar conforme o agente infeccioso e o tipo de IBI. O estudo avaliou como diferentes bactérias e apresentações clínicas influenciam a resposta inflamatória nesses pacientes. Métodos utilizados Estudo retrospectivo multicêntrico envolvendo 18 hospitais da Espanha e América Latina entre 2008 e 2022. Foram incluídos lactentes ≤90 dias com IBI confirmada por cultura ou PCR positiva em sangue ou líquor. Foram analisados os níveis de leucócitos totais (WBC), ANC, PCR e PCT conforme o agente etiológico e o tipo de infecção invasiva. Os autores utilizaram os pontos de corte do protocolo “Step-by-Step”: WBC >15.000 células/mcL ANC >10.000 células/mcL PCR >20 mg/L PCT >0,5 ng/mL Foi realizada análise multivariada ajustada para idade, temperatura, duração da febre e aparência clínica inicial. Resultados Foram analisados 391 lactentes, com mediana de idade de 32 dias. Os principais agentes identificados foram: Escherichia coli (45,6%) Streptococcus agalactiae (25,6%) As formas clínicas mais frequentes foram: Bacteremia isolada (43,2%) ITU bacterêmica (41,7%) Os biomarcadores apresentaram comportamento distinto conforme o agente etiológico: Infecções por E. coli apresentaram maiores níveis de WBC, ANC e PCR. Infecções por S. agalactiae apresentaram resposta inflamatória menos intensa. A PCT foi o biomarcador mais sensível para detectar infecções por S. agalactiae. Os pontos de corte tradicionais para WBC e ANC apresentaram sensibilidade inferior a 50% para praticamente todos os agentes estudados. Pacientes com bacteremia isolada apresentaram níveis significativamente menores de PCR e leucócitos quando comparados aos casos de ITU bacterêmica. Discussão O estudo demonstra que a resposta inflamatória em lactentes jovens com IBI depende não apenas do tempo de evolução da febre, mas também do microrganismo causador e do tipo de infecção invasiva. As infecções por S. agalactiae mostraram pior desempenho dos biomarcadores clássicos, reforçando a importância da inclusão da procalcitonina nos algoritmos diagnósticos de febre sem foco em neonatos e lactentes jovens. Os autores destacam que regras clínicas que não utilizam PCT podem subdiagnosticar IBI, especialmente em infecções estreptocócicas neonatais. Além disso, a menor sensibilidade do leucograma e ANC em lactentes pequenos parece relacionada à imaturidade imunológica neonatal e à menor produção de citocinas inflamatórias. O trabalho também reforça a importância da punção lombar rotineira em lactentes febris menores de 21 dias, mesmo na presença de biomarcadores normais. Conclusão Os biomarcadores inflamatórios em lactentes febris menores de 90 dias variam significativamente conforme o agente etiológico e o tipo de infecção bacteriana invasiva. A procalcitonina demonstrou melhor desempenho diagnóstico, especialmente nas infecções por Streptococcus agalactiae, enquanto leucograma e ANC apresentaram baixa sensibilidade global. Os resultados sugerem que protocolos clínicos baseados apenas em leucograma e PCR podem subestimar infecções invasivas graves nessa população. Insights clínicos A procalcitonina foi superior aos biomarcadores clássicos? Sim. A procalcitonina apresentou maior sensibilidade diagnóstica, especialmente nas infecções por Streptococcus agalactiae, onde leucograma e PCR tiveram baixo desempenho. O leucograma continua sendo um bom marcador para IBI em lactentes jovens? Não isoladamente. O estudo mostrou baixa sensibilidade do WBC e ANC, frequentemente abaixo de 50%. Infecções por E. coli geram resposta inflamatória mais intensa? Sim. Casos por E. coli apresentaram maiores níveis de leucócitos, ANC e PCR. A bacteremia isolada pode apresentar biomarcadores pouco alterados? Sim. Casos de bacteremia sem foco urinário apresentaram resposta inflamatória significativamente menor. O estudo apoia o uso rotineiro de PCT nos protocolos de febre sem foco? Sim. Os autores sugerem que algoritmos sem PCT podem subdiagnosticar IBI em neonatos e lactentes jovens. Deve-se manter baixa tolerância para punção lombar em menores de 21 dias? Sim. O estudo reforça que meningite bacteriana pode ocorrer mesmo com biomarcadores normais. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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