Uma Força-Tarefa Inclusiva para Famílias com o Objetivo de Melhorar a Qualidade do Atendimento na UTI Neonatal

Fonte: American Academy of Pediatrics

Uma Força-Tarefa Inclusiva para Famílias com o Objetivo de Melhorar a Qualidade do Atendimento na UTI Neonatal Sobre o artigo  As unidades de terapia intensiva neonatal foram originalmente estruturadas em um contexto no qual as famílias tinham participação limitada no cuidado dos recém-nascidos. Com o reconhecimento progressivo da importância do vínculo entre pais e filhos, esse paradigma começou a mudar, favorecendo a incorporação dos familiares como participantes ativos da assistência neonatal. O cuidado centrado na família (Family-Centered Care – FCC) é definido como uma abordagem de planejamento, prestação e avaliação da assistência baseada em uma parceria mutuamente benéfica entre pacientes, famílias e profissionais de saúde. Na UTIN, esse modelo procura reduzir a hierarquia entre profissionais e familiares e reconhecer os pais como parceiros essenciais no cuidado, na saúde e na recuperação do recém-nascido. Apesar dos benefícios descritos do FCC, sua implementação permanece inconsistente. Os autores destacam que, em muitas UTINs, os pais ainda são tratados mais como visitantes do que como integrantes da equipe assistencial. Nesse contexto, foi criada em 2022 a Family-Centered Care Taskforce, iniciativa internacional, multicêntrica e colaborativa dedicada à melhoria da qualidade do cuidado centrado na família em UTINs. De aproximadamente 50 participantes nos Estados Unidos em sua criação, a iniciativa passou a reunir mais de 3.100 membros de 80 países no momento da publicação.  Métodos utilizados O artigo apresenta a estrutura, as estratégias de implementação e as experiências da FCC Taskforce, combinando iniciativas de melhoria da qualidade (Quality Improvement – QI), pesquisa, educação e participação direta de familiares. Um elemento central do modelo é a representação compartilhada entre profissionais de saúde e familiares parceiros. Pais de crianças previamente internadas em UTIN participam da liderança, do conselho executivo, dos comitês, de webinars, de atividades educacionais, de projetos de pesquisa e das iniciativas de melhoria da qualidade. Entre as estratégias desenvolvidas estão: webinars educacionais gratuitos; sessões denominadas FCC Community Exchange; newsletters com recomendações práticas; criação e fortalecimento de comitês de FCC e conselhos consultivos ou de parceria com famílias; desenvolvimento de indicadores para avaliação do FCC; elaboração conjunta de materiais por profissionais e familiares; pesquisa multicêntrica com métodos mistos; entrevistas qualitativas com UTINs participantes. Em 2024, a Taskforce desenvolveu uma lista abrangente de medidas de FCC. Dezessete familiares parceiros participaram da revisão, e os indicadores foram agrupados em sete domínios: estrutura e infraestrutura da UTIN, ambiente da UTIN, apoio à família, integração da família no cuidado, integração da família na melhoria da qualidade, educação da equipe e medidas de processo. O artigo também incorpora reflexões e experiências de familiares e profissionais envolvidos diretamente na liderança da iniciativa, enfatizando a cocriação, e não apenas a consulta às famílias. Resultados Em um projeto de melhoria da qualidade com duração de um ano, a proporção de unidades participantes com comitê específico e ativo de cuidado centrado na família aumentou de 18% para 59%. Da mesma forma, a proporção de unidades com Family Advisory/Partnership Council ativo aumentou de 18% para 45%. Outros resultados e experiências relatados incluem: elaboração do Presence Study Toolkit, no qual cada capítulo foi escrito conjuntamente por um familiar parceiro e um profissional de saúde; aumento da abertura da newsletter da Taskforce, de menos de 100 aberturas no outono de 2024 para mais de 1.000 no outono de 2025; distribuição de uma pesquisa abrangente sobre FCC para aproximadamente 100 centros; realização de entrevistas qualitativas com 45 UTINs, cujos dados estavam em análise no momento da publicação; utilização direta das experiências dos familiares para identificar lacunas assistenciais e orientar intervenções de melhoria da qualidade. Um exemplo clínico particularmente relevante apresentado no artigo ocorreu em uma UTIN que identificou, a partir do relato de uma mãe, falhas na comunicação com a pessoa que havia dado à luz após o nascimento e admissão neonatal. Foi implementado um projeto de QI para realizar a atualização sobre a condição do recém-nascido em até uma hora após o parto. A auditoria de 232 prontuários demonstrou aumento da documentação dessa comunicação de 17% para 76% em um ano. Os relatos apresentados também mostram que a participação familiar pode fornecer informações que não são facilmente identificadas pela perspectiva exclusivamente profissional. Uma das familiares descreve, por exemplo, sua participação durante uma situação de reanimação, quando seu conhecimento sobre o tamanho do tubo traqueal do filho contribuiu para a rápida obtenção da informação necessária pela equipe. Discussão O artigo propõe que a participação familiar significativa deve ultrapassar a presença simbólica dos pais em comitês ou reuniões. Para os autores, familiares devem ser reconhecidos como parceiros profissionais com experiência vivida relevante, participando da formulação de políticas, pesquisa, educação, melhoria da qualidade e tomada de decisões relacionadas à assistência. A experiência da FCC Taskforce mostra um modelo no qual familiares ocupam posições de liderança e atuam como copresidentes de comitês, facilitadores, palestrantes, pesquisadores e responsáveis por projetos. Os autores ressaltam, entretanto, que familiares recém-incorporados a essas estruturas podem apresentar menor segurança para expressar opiniões diante de profissionais. Uma estratégia sugerida é disponibilizar mentoria por outro familiar parceiro experiente ou por um profissional preparado para facilitar sua integração. Outro ponto central é a necessidade de diversidade na representação familiar. A experiência de uma única família não deve ser utilizada como representação universal das necessidades das famílias da UTIN. Os autores recomendam incluir experiências de diferentes idades gestacionais, diagnósticos, origens raciais e étnicas, condições socioeconômicas, identidades e contextos familiares. A linguagem utilizada pelos profissionais também é considerada componente relevante do FCC. Termos como “falha”, “ruim”, “ausente” ou “bom” podem transmitir julgamentos de valor e permanecer na memória dos familiares por longos períodos. Finalmente, os autores defendem que indicadores relacionados ao cuidado centrado na família sejam acompanhados com a mesma sistematização utilizada para desfechos clínicos e processos assistenciais. Exemplos incluem tempo até o primeiro colo e disponibilidade de serviços de apoio às famílias. Conclusão A experiência da Family-Centered Care Taskforce demonstra uma estratégia estruturada para integrar familiares e profissionais de saúde na transformação da assistência neonatal. O modelo apresentado coloca a cocriação com as famílias no centro das atividades de melhoria da qualidade,

Faça login para acessar o conteúdo
ou cadastre-se. | ESQUECI MINHA SENHA

Aulas relacionadas

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Este site é feito exclusivamente para profissionais de saúde.