AAP 2026: Highlights em português, direto de San Diego

Acompanhe o AAP 2026 em português: highlights das principais palestras de pediatria e neonatologia, direto de San Diego e atualizados todos os dias.
Fonte: AAP 2026

·Por Drª Jasmin Pacheco, Drª Maria Paula Aquino e Equipe de Marketing Neoped HUB.

Última atualização: 2 de outubro de 2026, às 23h.

O AAP 2026 começou nesta sexta-feira, 2 de outubro, em San Diego, na Califórnia, e a equipe do NeoPed HUB está lá. Até terça-feira, dia 6, vamos acompanhar as principais palestras do congresso da Academia Americana de Pediatria e reunir aqui, em português, os highlights que importam para a prática em pediatria e neonatologia.

Esta página é atualizada todos os dias enquanto o congresso acontece. Os destaques mais recentes ficam sempre no topo da seção de cobertura diária.

O que é o AAP 2026

O AAP 2026 é a edição deste ano da National Conference & Exhibition, o congresso anual da American Academy of Pediatrics. A própria AAP o descreve como o congresso de pediatria mais completo do mundo, e ele reúne pediatras gerais, subespecialistas, residentes e outros profissionais de saúde da criança.

InformaçãoAAP 2026
Datas2 a 6 de outubro de 2026
LocalSan Diego Convention Center, San Diego (EUA)
ProgramaçãoMais de 350 sessões educacionais em mais de 70 áreas temáticas
Ciência apresentadaMais de 1.200 resumos científicos
Palestra principalDr. Mike Varshavski
FormatoPresencial, com opção de inscrição virtual

Fonte: site oficial do AAP 2026 e página de inscrição da American Academy of Pediatrics.

Como acompanhar a cobertura do AAP 2026

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Destaques do AAP 2026

AAP 2026, dia 1 (2/10): obesidade, ultraprocessados e diabetes tipo 1

O primeiro dia do AAP 2026 teve um fórum dedicado à obesidade pediátrica, com três painéis, e aulas sobre a nova diretriz de faltering weight, diabetes tipo 1, alimentos ultraprocessados, dermatite atópica e genética clínica. Estes são os pontos que selecionamos para a prática.

Diretriz AAP/NASPGHAN adota “faltering weight” e desaconselha a investigação de rotina

Sessão: Faltering Weight, com a nova diretriz de prática clínica da American Academy of Pediatrics e da NASPGHAN.

A diretriz substitui o termo “failure to thrive” por “faltering weight” e define o quadro em z-escores. Basta um critério: peso para comprimento ou IMC para idade abaixo de −1,65 z-escore (percentil 5); em menores de 2 anos, velocidade de ganho ponderal abaixo de −2 z-escore; ou queda de 1 z-escore ou mais no peso, no peso para comprimento ou no IMC.

Sem sinais, sintomas ou achados que indiquem avaliação focal, a recomendação é forte contra exames diagnósticos e contra endoscopia na rotina inicial. O aumento da oferta de calorias recebeu recomendação forte. Como dois critérios dependem da medida, a diretriz também detalha a técnica: comprimento deitado em infantômetro até os 23 meses, estatura em estadiômetro a partir dos 2 anos e peso sem roupa nos menores de 2 anos.

Na prática: adotar o termo, usar z-escores na avaliação do crescimento e reservar a investigação para quem preenche os critérios. Todas as recomendações, inclusive as fortes, apoiam-se em evidência de muito baixa certeza.

Fonte: página da diretriz na AAP, com algoritmo e tabelas de velocidade de ganho ponderal, e texto completo em Pediatrics.

No acervo: Nutrição no NeoPed HUB

Diabetes tipo 1 pode ser identificado antes dos sintomas, com menos cetoacidose ao diagnóstico

Sessão: Type 1 Diabetes: Screening Stages, Teplizumab, CGM, and Automated Insulin Delivery.

Na fase pré-sintomática, autoanticorpos contra as ilhotas já identificam crianças com risco de doença clínica de praticamente 100% ao longo da vida. O Estágio 1 (2 autoanticorpos confirmados, com normoglicemia) tem risco de 44% em 5 anos; no Estágio 2, que acrescenta disglicemia, o risco sobe para 75%.

O rastreamento deve usar o painel de autoanticorpos (GADA, IA-2A, anti-insulina e ZnT8), com confirmação em segunda amostra; glicemia de jejum e HbA1c têm baixa sensibilidade para o Estágio 2. Pela ADA, a triagem é indicada para parentes de pessoas com DM1, e a da população geral ainda não tem recomendação formal da ADA nem da AAP. O teplizumabe, aprovado pelo FDA em 2022 para o Estágio 2 a partir de 1 ano de idade, adia o DM1 clínico em média 2 a 3 anos. Na tecnologia, a ADA recomenda oferecer sistemas automatizados de administração de insulina (AID) a todos os pacientes, além do CGM; menos de 25% das crianças atingem as metas de tempo no alvo.

Na prática: identificar o risco, solicitar autoanticorpos e encaminhar os positivos à endocrinologia pediátrica. O benefício sobre a cetoacidose depende da continuidade do seguimento. Os dados de aprovação, acesso e custo referem-se aos EUA.

Ultraprocessados aos 3 anos associam-se a maior adiposidade aos 5

Sessão: Alimentos ultraprocessados, aditivos e saúde infantil.

Na coorte canadense CHILD, com 2.217 crianças, os ultraprocessados respondiam por 45% da energia diária aos 3 anos, e o maior consumo nessa idade associou-se a maior adiposidade aos 5. Em meninos, cada aumento de 10% na energia vinda de ultraprocessados associou-se a maior chance de sobrepeso ou obesidade (OR 1,19; IC 95% 1,03 a 1,36). Em meninas, não houve associação significativa.

Em um estudo espanhol com 1.426 crianças de 3 a 6 anos, trocar 100 g de ultraprocessados por alimentos in natura ou minimamente processados associou-se a menores escores-z de IMC, índice de massa gorda e glicemia de jejum, com efeitos pequenos. Estudos sobre esteatose hepática mostraram associação, mas são observacionais. Para os aditivos, a evidência foi apresentada como emergente e inclui modelos animais.

Na prática: os dados sustentam o aconselhamento alimentar precoce, sem autorizar conclusões causais. A abordagem apresentada começa por avaliar segurança alimentar e acesso, enfatiza adicionar alimentos nutritivos, e não só eliminar, e combina metas pequenas, como tirar uma bebida açucarada de casa na semana.

Fonte: Chen ZH, Mousavi S, Mandhane PJ, et al. Ultraprocessed food consumption and obesity development in Canadian children. JAMA Netw Open. 2025.

No acervo: Nutrição no NeoPed HUB

GLP-1 em adolescentes funciona no mundo real, mas a adesão limita o resultado

Palestrantes: Manasvi Mamilla e Justine Chinn (Stanford). Fórum de obesidade, painel 3.

A revisão sistemática de Mamilla reuniu 8 estudos observacionais. Com liraglutida, 48% a 83% dos adolescentes reduziram 5% ou mais do IMC em 6 meses, e a semaglutida, avaliada em um único estudo, teve as maiores reduções. Em um estudo com 966 adolescentes em uso de liraglutida, porém, só 18% retiraram 7 ou mais prescrições mensais. Nesse grupo, o IMC caiu cerca de 10%, contra cerca de 2% na coorte geral.

Na cirurgia, Chinn apresentou as trajetórias de IMC de 1.775 pacientes de uma rede multicêntrica, 94% submetidos a gastrectomia vertical, com idade mediana de 17,1 anos. Cerca de 85% tiveram redução significativa e sustentada do IMC, e 14,9% tiveram recorrência de peso.

Na prática: a prescrição de GLP-1 precisa vir com suporte à adesão e manejo dos efeitos gastrointestinais (náusea em 33%, vômitos em 16%). Para a obesidade grave, a autora do estudo cirúrgico defendeu encaminhamento mais precoce, em linha com a diretriz AAP 2023. A revisão reúne poucos estudos observacionais, e o dado de adesão vem de um único estudo.

No acervo: “Canetas emagrecedoras” em crianças e adolescentes: o que a SBP orienta em 2026

Triagem de transtornos alimentares deve preceder o tratamento da obesidade em adolescentes

Palestrantes: Anna Tanner, Katie Queen e Thea Runyan. Fórum de obesidade, painel 2.

Adolescentes com peso elevado têm risco 1,5 a 3,2 vezes maior de transtornos alimentares e costumam ser subavaliados: quando são avaliados, com frequência só se investiga compulsão. Ainda não há ferramenta bem validada que cubra todos os diagnósticos do DSM-5 em crianças e adolescentes. O SKATE, aplicado a 146 jovens de 8 a 18 anos, mostrou boa concordância com a entrevista diagnóstica em validação inicial.

O painel também tratou de acesso e implementação. Entre adolescentes com obesidade nos EUA, menos de 1% recebeu prescrição de medicamento para obesidade em 2023. Já os programas familiares de tratamento comportamental intensivo, com 26 horas ou mais de contato em 3 a 12 meses, ganharam escala com assistência técnica: 79% das equipes apoiadas conduziram ao menos uma sessão ou coorte.

Na prática: investigar transtorno alimentar antes de iniciar o tratamento da obesidade, sem restringir a avaliação à compulsão. O material não sustenta a indicação de um instrumento específico, já que o SKATE tem apenas resultados preliminares. Os dados de acesso referem-se aos EUA.

Em programa de prescrição de alimentos frescos, três em cada quatro participantes avaliados tinham obesidade

Palestrantes: Nicole Miller (Duke) e Sasrika Rajan. Fórum de obesidade, painel 1 (Food is Medicine).

Na coorte retrospectiva de Miller, com participantes de 3 a 18 anos de um programa norte-americano de prescrição de alimentos frescos, 76,5% dos que tinham IMC registrado apresentavam obesidade e 50,0%, obesidade grave. Havia ainda A1c em faixa de pré-diabetes em 33,6% e triglicerídeos limítrofes ou altos em 44,5%, considerando apenas quem tinha cada dado registrado.

A revisão sistemática de Rajan sobre hortas escolares, com 10 estudos e 14.883 crianças e adolescentes de 8 países, encontrou efeitos mais consistentes em aspectos psicossociais, como menos neofobia alimentar e mais conhecimento em nutrição. O efeito sobre o IMC foi modesto e heterogêneo.

Na prática: a recomendação alimentar precisa considerar o acesso. A proposta é rastrear insegurança alimentar de rotina e perguntar, antes de orientar, se a família consegue seguir o que foi recomendado. São dados descritivos, de um único programa, ainda sem resultados de desfecho.

No acervo: Nutrição no NeoPed HUB

Dermatite atópica: tratar cedo, com a potência adequada para cada área

Sessão: Dermatite atópica.

A aula reforçou que o corticoide tópico deve ser escolhido por potência, veículo, idade e área corporal, e iniciado cedo: subdosar prolonga o curso e reduz a adesão. Como estratégia inicial, o palestrante usa classe 4 no corpo, classe 6 a 7 na face e nas dobras e classe 1 em palmas e plantas, conforme a gravidade. Para a quantidade, 1 unidade da ponta do dedo (cerca de 0,5 g) cobre a área de 2 mãos de adulto, e a manutenção 1 a 2 vezes por semana nos “hot spots” ajuda a prevenir recidivas.

Entre os não esteroides, tacrolimo e pimecrolimo seguem indicados para pele fina e manutenção, e foram apresentados novos tópicos: difamilaste e roflumilaste (PDE4), tapinarof (agonista de AhR), ruxolitinibe (JAK1/2) e delgocitinibe (pan-JAK + TYK2). Cerca de 75% dos pacientes com DA são colonizados por S. aureus, contra cerca de 10% sem DA.

Na prática: prescrever o corticoide com potência adequada à área, em quantidade calculada, com plano de ação escrito e manutenção. A estratégia por classe é experiência do palestrante, não recomendação formal, e o material não informa a disponibilidade dos novos tópicos no Brasil.

No acervo: Dermatologia no NeoPed HUB

No neurodesenvolvimento, aula sugere exoma com microarranjo ou genoma em trio

Sessão: Genetic Bootcamp.

A aula revisou a triagem neonatal e os testes genéticos, do cariótipo ao genoma. O microarranjo detecta deleções e duplicações submicroscópicas, mas não mutações pontuais. O exoma sequencia cerca de 2% do genoma, com rendimento de 25% a 40%, maior em trio, mas não detecta translocações, a maioria das CNVs grandes, metilação, dissomia uniparental, repetições de trincas nem o genoma mitocondrial.

No laudo, a seção de justificativa mostra a robustez da classificação da variante, e “variante” é preferível a “mutação” fora da oncologia. O consentimento deve cobrir resultado positivo, negativo (que não exclui causa genética) ou incerto, além dos achados secundários.

Na prática: em crianças com transtorno do neurodesenvolvimento, considerar exoma com microarranjo ou genoma em trio, ou encaminhar à genética, e revisar os laudos procurando lacunas da investigação. São sugestões de prática, sem diretriz específica identificada no material.

No acervo: Genética no NeoPed HUB

Leia também no NeoPed HUB

Perguntas frequentes sobre o AAP 2026

Quando e onde acontece o AAP 2026?

De 2 a 6 de outubro de 2026, no San Diego Convention Center, em San Diego, na Califórnia.

Como acompanhar o AAP 2026 de graça?

Pela cobertura do NeoPed HUB: nos stories do Instagram, em tempo real, e nesta página, com os destaques de cada dia. Para receber as novidades por e-mail, atualize seu cadastro.

O AAP 2026 tem participação online?

Sim. A AAP oferece inscrição virtual, paga, pelo site oficial do congresso. A cobertura com a curadoria editorial do NeoPed HUB é gratuita.

Quando os destaques são publicados?

Todos os dias, durante os cinco dias de congresso. A data da última atualização fica no topo da página.

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